'Recuperação judicial também para a pessoa física? um tiro no pé', alerta presidente da Andav

Publicado em 14/08/2019 11:17 e atualizado em 14/08/2019 14:33
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Henrique Mazzotini diz que Congresso da Andav discute a questão do crédito, que é feito cada vez mais nas revendas de insumos, e que a inadimplência do Agro pode ser transferida para o setor.
Henrique Mazotini - Presidente da ANDAV

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'Recuperação judicial também para a pessoa física? um tiro no pé', alerta presidente da Andav

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A recuperação judicial de pessoa física está preocupando as empresas de revenda e de defensivos agrícolas do país que pode afetar o cumprimento dos contratos. Diante de cenário, se a proposta for aprovada o agronegócio será o setor que mais vai ser afetado com restrições de bancos.

De acordo com o Presidente da Associação dos Distribuidores de Insumos Agropecuários (ANDAV), Henrique Mazotini, os impactos que essa recuperação podem trazer precisam ser analisados. “Isso pode trazer afetar negativamente o produtor rural como pessoa física, pois se isso for aprovado haverá restrições dos bancos e tradings sobre o financiamento para o agronegócio”, afirma.

A liderança ressalta que a recuperação judicial está na lei, mas que causa diversos problemas e deixa o crédito restritivo. “O crédito normal está cada vez mais difícil e o governo está cada vez mais diminuindo o financiamento, mas nós estamos negociando com o Banco Central é alternativas para facilitar acesso a outras linhas de financiamentos”, comenta.

Durante o Congresso da Andav, que foi realizado nos dias 12 a 14 de agosto, foram discutidos diversos assuntos do agronegócio, economia e política. “Nós procuramos trazer informações para o distribuidor e o acesso as ferramentas digitais que vai reduzir os custos e chegar até o produtor rural”, destaca.

Mazotini ainda pontua que está preocupado com a imagem negativa que algumas empresas de comunicação estão veiculando a respeito do agronegócio que não condiz com a realidade. “Nós queremos mostrar para a sociedade que o agronegócio não é esse ‘bicho feio’ que tanto falam, porém que o produtor rural precisa atender uma extensa legislação”, conclui.

Setor de distribuição de insumos agropecuários fatura R$ 46,8 bilhões em 2018

O Fórum do IX Congresso ANDAV, com o macrotema: “O Distribuidor 4.0”, está abordando as barreiras encontradas pelo distribuidor de insumos agropecuários, destacando soluções inteligentes.

Manoel Perez Neto, da Zurique Consultores Associados falou sobre o tema Inovando para Acesso ao Crédito, chamando a atenção para o crescimento das recuperações judiciais que vem ocorrendo no agronegócio de forma geral.

-- “Enquanto em todo o ano passado, o setor agropecuário registrou 68 operações de recuperação judicial, apenas nos cinco primeiros meses deste ano, já foram realizadas 43”, afirmou Perez Neto.

Para o consultor, o setor de distribuição precisa começar a analisar melhor outras fontes de financiamento, com ênfase em novas modalidades ligadas ao mercado de capitais, como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Agente de informação -

Em tempos de alta concorrência e em meio a uma verdadeiro guerra de informação, o que pode criar e diferenciar um líder de vendas é justamente a sua capacidade de tornar-se um agente de informação para o seu cliente. Isso exige percepção do mercado e, sobretudo, capacidade de pensar e avaliar as circunstâncias ao seu redor.

-- “Por isso é preciso transformar os 30 minutos que o cliente dispõe para atender o vendedor em um momento de informação relevante para ele e de confiança mútua”, disse Luciano Pires, escritor e palestrantes, durante o Fórum do Congresso ANDAV.

Podcaster há mais de 10 anos, ele considera este um dos principais meios de informação hoje.

-- “Nos Estados Unidos virou febre. Aqui no Brasil ainda não. Mas trata-se de uma ferramenta poderosa para o pessoal do universo agro que pode transmitir sua informação, esteja onde estiver, sem depender de ninguém e de nada. Isso é uma revolução”, concluiu.

CONFIANÇA NAS REVENDAS, MAS E A SUCESSÃO?

Na edição deste ano do Congresso ANDAV – Fórum & Exposição, que está sendo realizado em São Paulo, foi organizado o ANDAV Talks, um evento interativo sobre o tema Modelo Inovador de Negócios: O Futuro da Distribuição, que envolveu seis palestrantes.

Na abertura, Carlos Eduardo Dalto, professor da FGV, comentou sobre uma pesquisa feita para detectar os anseios e necessidades dos produtores rurais. “Os agricultores valorizam parceria, confiança, assistência técnica, cumprimento de prazos e pontualidade na entrega”, observou Dalto, cujo tema tratado foi Inovação na Gestão de Clientes.

Segundo o palestrante, hoje o segmento de distribuição está marcado pela expansão das cooperativas, pools de compra, crescimento das vendas diretas e concentração em 10 grandes grupos. A seu ver, o setor agropecuário vive atualmente uma nova dinâmica, em que a aplicação de novas tecnologias como drones, veículos altamente motorizados e conectividade são apenas a ponta do iceberg da renovação.

--“A tomada de decisão atualmente, também no campo, leva em consideração valores intangíveis e não apenas o produto, como no passado”, concluiu.

Já o escritor e empreendedor Sandro Magaldi proferiu a palestra Gestão do Amanhã durante o Congresso ANDAV. Lembrando, por exemplo, de como os aplicativos de transportes, como o Uber, tem impactado os planos da indústria automotiva, já que muitos jovens já não querem mais ter carro, Magaldi alertou para as ameaças que podem sofrer os negócios dos distribuidores de insumos agropecuários caso ocorra no segmento alguma ruptura semelhante.

“Muitas empresas podem quebrar não por tentar fazer coisas novas, mas por continuar fazendo a mesma coisa durante muito tempo num mundo em permanente mutação”, afirmou Magaldi. Para ele, a rotina devora o pensamento estratégico. “Meu conselho é tentar sempre criar coisas novas e se aproximar do mundo das startups.

--É preciso fazer um encontro de gerações, com o tradicional se relacionando com o novo”, comentou, acrescentando que é preciso enxergar um benefício que você ainda não vê e que pode ser ponto de ruptura que irá revolucionar seu negócio.

  • Pesquisa Nacional da Distribuição foi divulgada pela ANDAV durante o Congresso ANDAV

O setor de distribuição de insumos agropecuários registrou, em 2018, um faturamento de R$ 46,8 bilhões. Esse valor representa um crescimento de 6,3% ante o resultado de 2017, quando o segmento alcançou R$ 44 bilhões. Os dados são da Pesquisa Nacional da Distribuição, uma realização da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV) divulgada nesta terça-feira, dia 13 de agosto, durante o Congresso ANDAV – Fórum e Exposição, que acontece no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

A área de distribuição respondeu, no ano passado, por 42,5% do faturamento de R$ 110 bilhões em vendas de insumos. Desse percentual, os associados da ANDAV foram responsáveis por 38,6% contra 3,90% de empresas que não são associadas à entidade.

Segundo a Pesquisa Nacional da Distribuição, que abrangeu 21 estados brasileiros e 1436 empresas, a área que mais contribui para o faturamento obtido em 2018 foi a de insumos para grãos e cereais, com 54%. As hortícolas representaram 4%, com a pecuária e o café, com 3% cada um.

O estudo da ANDAV traz ainda uma visão geral do mercado de distribuição no Brasil, no qual 48% das 7,5 milhões de propriedades rurais são atendidas pelo mercado de distribuição. “Isso reforça o poder da capilaridade da distribuição no Brasil, atendendo todos os tipos de propriedades distribuídas nas mais diversas regiões do país”, afirmou Fernando Abraão, diretor do Conselho Diretor da ANDAV.

De acordo com a pesquisa, as maiores dificuldades dos distribuidores estão relacionadas à concorrência (50%), crédito (37%), margem e preço (27%) e gestão (23%). Entre os agentes causadores dos desafios relacionados à concorrência e da margem e preço estão a política de acesso, falta de disciplina comercial e gestão de boas práticas.

Para este ano, a maior parte dos distribuidores espera um mercado com médio crescimento (34%), baixo aumento (32%) e estável (27%). Porém, há boas perspectivas para a abertura de novas filiais: nada menos que 41,2% das distribuidoras pesquisadas manifestaram planos de abrir novas filiais. Atualmente, 58% dos distribuidores possuem filias. Na geração de empregos, para 2020, são esperadas 4.375 novas vagas.

No que tange o perfil dos profissionais que atuam nesse segmento, 86% possuem níveis de graduação e/ou pós-graduação, o que indica que é um segmento altamente especializado. As mulheres representam 27% do total de profissionais atuantes na área, sendo que a maior participação está no Nordeste, com 32%, destacando que a presença feminina aumento não apenas na área administrativa, mas também no campo.

Por fim, a Pesquisa da ANDAV releva que os distribuidores disseminam conhecimento por meio de palestras (76%), dias de campo (91%) e seminários (76%), alcançando no último ano 450 mil profissionais do setor.

Por: João Batista Olivi/Andressa Simão/ Noemi Oliveira
Fonte: Notícias Agrícolas/Mecânica

1 comentário

  • VINICIUS CAETANO MARTIN Curitiba - PR

    Interessante...o agronegocio precisa de financiamento estatal, os agricultores continuam inadiplentes...mas dá certo, e é sustentável...gostaria de saber que parte da aula eu perdi pois não entendo tudo isso.

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Vinicius, eu não sei que idade você tem, mas vou explicar isso prá você. Desde o governo FHC existe uma classe diferenciada dentro da classe produtora rural, são os que apoiaram o governo petista e que são socialistas de carteirinha. Esses fazem de conta que não sabem calcular custos, pegaram recursos emprestados muito acima da capacidade de pagamento, no que sempre, digo SEMPRE foram socorridos pelo governo, desde FHC, com Lula foi ainda pior, e é essa classe criada pelos próprios socialistas que a esquerda adora atacar, classe que pertence a eles mesmos. Tirando os bezerros do BNDES, dos bancos públicos, sobram os valorosos e valentes produtores brasileiros, esses sim reclamam com razão e somente quando precisam de um reforço para superar um tempo de preço difícil, uma intempérie que, acredite, pode destruir todo o trabalho de uma ano inteiro. No mais não reclamam, cultivam a terra e amam o país, querem como todo e qualquer brasileiro, tirar o sustento do suor do rosto para poder ter com sobra o pão de cada dia e dinheiro suficiente para atender suas necessidades mais urgentes.

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    • VINICIUS CAETANO MARTIN Curitiba - PR

      Obrigado pela explicação e pela educação. Entendo que do ponto de vista de quem produz utilizando todos os insumos que são necessários nesta escala de produção não pode arcar com este custo sozinho. Existem no entanto agricultores que estão erguendo, não a bandeira da esquerda ou da direita, mas a bandeira da independencia e com isso passam a fazer parte de uma terceira tendencia ou terceiro setor. Estas pessoas voltaram a estudar a agricultura sob outro aspecto e estão conseguindo vislumbrar um modelo de agricultura mais lucrativo e menos dependente de insumos externos. Eu ja me convenci que a maneira de se relacionar com a agricultura esta mudando...independente de bandeira politica...e espero que brevemente estes bons agricultores se convençam disso. Aos cinquenta e dois anos esta é minha posição.

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