Mercado de sementes fatura R$20 bi no país, mas tem prejuízo bilionário com pirataria e desrespeito à propriedade intelectual

Publicado em 16/07/2020 12:42 e atualizado em 16/07/2020 18:32 2533 exibições
Mario Carvalho - CEO da SEEDCORP I HO
Atividades mais engajadas no uso de sementes certificadas são a soja e o milho

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Entrevista com Mario Carvalho - CEO da SEEDCORP I HO sobre o Mercado de Sementes

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Atualmente, o mercado de sementes no Brasil gera um lucro de cerca de R$ 20 bilhões, mas apesar do dado positivo, Mário Carvalho, CEO da SEEDCORP I HO, diz que esse resultado poderia ser ainda melhor se houvessem leis mais atualizadas e o combate à pirataria fosse mais duro no país.

Ele explicou que a maior parte desse mercado é representado pelas sementes de milho e soja, sendo que a oleaginosa possui uma demanda de 80% em sementes certificadas. O número é expressivo, já que essa porcentagem representa 46 milhões de sacas de sementes de soja.

"Todas as características futuras de uma lavoura começam na semente, por isso é essencial que o produtor rural busque por insumos certificados. Essas sementes possuem tecnologia que vão auxiliar no ciclo da lavoura e no manejo de resistência às pragas e doenças", considerou Mário.

O crescimento do mercado de sementes conta com 700 empresas, 8 mil engenheiros agônomos e 200 laboratórios credenciadas que fazem a certificação. Mesmo assim, o mercado paralelo persiste e as sementes piratas, além das sementes que são salvas por alguns produtores rurais, geram um prejuízo de R$ 3 bi. ao setor.

"O Brasil precisa de um marco regulatório legal atualizado, que acompanhe o agronegócio e que proteja a propriedade intelectual envolvida no desenvolvimento das cultivares. Esse valor que sai do mercado poderia estar sendo investido em novas pesquisas, o que por sua vez traria mais benefícios para os prórpios produtores rurais", analisou.

No caso dos produtores rurais que salvam suas sementes, Mário alertou que essa é uma prática que deve ser vista com muito cuidado. "Nem sempre essas sementes estão apropriadas, já que podem estar contaminadas com alguma doença e causar prejuízos lá no final da safra. O planejamento da lavoura começa na escolha das sementes, sendo que as certificadas possuem garantias que minimizam esses riscos", orientou. 

Por:
Aleksander Horta
Fonte:
Notícias Agrícolas

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2 comentários

  • Marcel Franklin Rafael Terra Boa - PR

    A experiência com sementes CERTIFICADAS, para o produtor realmente não são boas. As empresas cobram um valor absurdo de royalties e querem definir quanto de produtividade o produtor pode ter. Isso é um absurdo!!! Em duas safras tive que praticamente implorar para que a empresa aumentasse meu saldo porque minha produtividade foi acima da média da região. Isso, para o produtor que comprou 100% de sementes certificadas e pagou um absurdo por elas, é humilhante. Faz com que realmente o produtor prefira plantar sementes salvas. ... O que a lei tem que fazer é melhorar esse equilíbrio e dar igualdade de condições aos produtores frente às empresas.

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  • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

    De grande valor os pontos levantados e discutidos pelo ENTREVISTADOR E ENTREVISTADO, relacionados ao tema SEMENTES...

    No entanto, dois comentários de relevância, no meu entendimento:

    1) A menor "vida útil" de uma cultivar no mercado, pela maior velocidade de lançamento de novos materiais(cultivares), não é, necessariamente, POSITIVO para nós, produtores de grãos! A "busca" pela "CULTIVAR PERFEITA" acaba afetando negativamente, a ponto, por exemplo, de nem se "APRENDER" a trabalhar com determinada variedade em uma situação específica de solo, manejo, microclima, etc., e vamos atrás de outra..., e outra. Inúmeros e bons materiais acabam sendo "sacrificados" e substituídos... Nessa mesma linha de raciocínio, tantas outras cultivares são "PRECOCEMENTE LANÇADOS" e só vão "APRESENTAR DEFEITOS" depois de alguns anos de uso comercial.

    2) Com o uso de sementes certificadas, quando algum problema a campo acontece, ainda que teoricamente haja A QUEM RECORRER(por uma garantia de GERMINAÇÃO, por exemplo) em muitos casos só gera desgastes e não se assume as responsabilidades devidas.., deixando "A BOMBA" nas mãos do AGRICULTOR, situação mais comum do que se pensa..

    Esta última situação, muitas das vezes até desencoraja o Agricultor a gastar quatro, cinco.., ou mais reais por kg de sementes ditas "CERTIFICADAS" em detrimento do uso de sementes SALVAS...

    Finalizando, há muito que se trabalhar para chegarmos a uma situação, digamos, se não ideal, mas pelo menos razoável e sustentável para todos os elos envolvidos.

    De qualquer forma, é preciso os agentes do processo sentarem-se à mesa para discussão dos gargalos e proposição de soluções factíveis e inteligentes.., o que resultará em benefícios para todos!

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