Bolsonaro fala na ONU em defesa da paz e da liberdade; mas a oposição insiste nas queimadas (Tempo&Dinheiro)

Publicado em 22/09/2020 15:11 e atualizado em 22/09/2020 15:48 887 exibições
Tempo & Dinheiro - com João Batista Olivi
assista à íntegra do programa Tempo&Dinheiro desta terça-feira, 22 de setembro de 2020, com apresentação de João Batista Olivi
Renato Dias: Em discurso na ONU, Bolsonaro exalta o Agro e mostra dados do cuidado do Brasil com meio ambiente;
E mais: 
Alessandra Mello: Dólar volta a subir ante real após sinalizações do Fed sobre economia;
Vlamir Brandalizze: China volta comprar e Soja cresce em Chicago;
Sérgio Braga: Boi terminado desaparece e preços sobem em 14 praças;
Vlamir Brandalizze: Milho com pouca oferta no Brasil mostra cotações em alta;
Frederico Olivi: Integração lavoura-pecuária melhora o plantio direto, e a palha, rolada com o Katrina, fica ainda mais densa;

Estadão: Na ONU, Bolsonaro diz que incêndios são usados em campanha internacional

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira, 22, que os incêndios no Pantanal e na Amazônia vêm sendo usados numa "brutal campanha de desinformação" com o objetivo de atacar seu governo. Ele afirmou que o apoio de instituições internacionais a esta suposta campanha é explicado pela riqueza dos biomas brasileiros Pressionado mundialmente após o País registrar recordes de queimadas na Amazônia e no Pantanal que ameaçam acordos comerciais, o líder brasileiro atribuiu a índios e caboclos a disseminação do fogo em áreas de preservação.

"Nosso agronegócio continua pujante e, acima de tudo, possuindo e respeitando a melhor legislação ambiental do planeta. Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil."

No discurso, gravado na semana passada, Bolsonaro fez críticas a medidas de isolamento social contra a covid-19 e acusou a imprensa de espalhar pânico sobre a pandemia. "Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema 'fique em casa' e 'a economia a gente vê depois', quase trouxeram o caos social ao País", afirmou. Com mais de 137 mil mortos, o Brasil é o segundo país do mundo em número de óbitos e o terceiro em casos, com mais de 4, 5 milhões de pessoas contaminadas. Bolsonaro acusou a imprensa de "politizar" a doença e lamentou as mortes no mundo.

O presidente também citou que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) delegou a prefeitos e governadores medidas para conter a propagação da covid-19, distorcendo o teor do que decidiram os ministros da Corte. Diferentemente do que disse Bolsonaro, a decisão assegurou aos Estados e municípios autonomia para tomar medidas que tenham como objetivo tentar conter a propagação da doença, mas não exime a União de realizar ações e de buscar acordos com os gestores locais.

Como de tradição, o presidente brasileiro foi o primeiro chefe de Estado a discursar no evento, que ocorre de forma virtual e presencial neste ano.

Tecnologia 5G

Durante seu pronunciamento, Bolsonaro citou a tecnologia 5G e afirmou que fará parcerias que "respeitem nossa soberania, prezem pela liberdade e pela proteção de dados".

"Nesta linha, o Brasil está aberto para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e inovação, a exemplo da indústria 4.0, da inteligência artificial, nanotecnologia e da tecnologia 5G, com quaisquer parceiros que respeitem nossa soberania, prezem pela liberdade e pela proteção de dados", destacou.

No início deste mês, em transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que é dele a palavra final sobre o fornecimento da tecnologia 5G no Brasil. Na ocasião, disse que não vai decidir sozinho sobre o assunto e que consulta ministros do governo e até integrantes do governo americano sobre o tema. O leilão do 5G no Brasil, previsto para o ano que vem, é palco de disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.

Apoio a Trump

A 42 dias das eleições americanas, Bolsonaro entrou na campanha do presidente Donald Trump, que tenta um segundo mandato, ao elogiar a iniciativa lançada pelo líder americano como solução para o conflito no Oriente Médio.

"O Brasil saúda também o Plano de Paz e Prosperidade lançado pelo Presidente Donald Trump, com uma visão promissora para, após mais de sete décadas de esforços, retomar o caminho da tão desejada solução do conflito israelense-palestino", disse.

Bolsonaro afirmou que "a nova política do Brasil de aproximação simultânea a Israel e aos países árabes converge com essas iniciativas, que finalmente acendem uma luz de esperança para aquela região".

O brasileiro também prestou solidariedade ao povo do Líbano pelas explosões que deixaram mais de 190 mortos e 6,5 milhões de feridos. Bolsonaro disse acreditar que este "momento é propício para trabalharmos pela abertura de novos horizontes, muito mais otimistas para o futuro do Oriente Médio."

O presidente ainda fez um apelo pela "liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia". Ao final, encerrou o discurso afirmando que o "Brasil é um país cristão e conservador e tem na família sua base".

Parlamentares repercutem discurso de Bolsonaro na ONU

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O discurso do presidente Jair Bolsonaro na 75ª Assembleia-Geral das Nações Unidas repercutiu entre a classe política brasileira. Parlamentares governistas e de oposição vieram a público comentar pontos abordados pelo presidente, como a questão dos incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal.

Governistas viram na fala do presidente uma defesa consistente sobre as questões ambiental e da soberania nacional. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, assistiu ao discurso junto ao presidente e foi às redes sociais parabenizá-lo pelo desempenho.

Parlamentares de diversos partidos da oposição questionaram a veracidade dos fatos apresentados pelo presidente nas Nações Unidas, principalmente a minimização dos incêndios florestais na Amazônia e o valor pago como auxílio emergencial - Bolsonaro afirmou que, somadas, as parcelas do auxílio emergencial pago no Brasil durante a pandemia somam aproximadamente US$ 1.000,00, o que na cotação atual equivale a R$ 5.481,20.

Líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (REDE-AP) questionou o ponto. "Alguém sabe me dizer qual o brasileiro que recebeu esse auxílio emergencial de US$ 1.000,00 que Bolsonaro falou na ONU?".

Rodrigues ainda afirmou que o presidente mentiu ao afirmar que adota uma política de tolerância zero em relação às queimadas e que o STF tirou a responsabilidade da União de combater a pandemia, lembrando que Bolsonaro reduziu o orçamento e o número de fiscais do Ibama e que a decisão da Justiça apenas dividiu responsabilidades entre Estados, municípios e União.

O deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), líder da oposição na Câmara, chamou o presidente de mentiroso. "Bolsonaro foi à Assembleia-Geral da ONU para mentir. Será demolido pela imprensa internacional e brasileira."

Outro a apontar mentiras no pronunciamento do presidente foi o líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon (RJ). O deputado afirmou que não há campanha de desinformação sobre Amazônia e Pantanal, mas sim uma ação sistemática do governo para reduzir fiscalização, ameaçar fiscais e estimular atividades ilegais. Molon também apontou inconsistências sobre o auxílio prestado aos povos indígenas.

Para Mourão, discurso de Bolsonaro na ONU está dentro da visão do governo

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O vice-presidente, Hamilton Mourão, concordou com o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), disse que é preciso "contrapor a desinformação" quanto ao meio ambiente e destacou que a fala do presidente está dentro da visão do governo.

No pronunciamento gravado para a edição deste ano da assembleia, Bolsonaro afirmou que o País é vítima "de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal".

"Que existe uma campanha de desinformação, existe. Isso aí eu já comentei, e compete a nós contrapormos. Agora, eu sempre deixo claro que a contraposição tem que se dar por duas vertentes: uma vertente de uma informação qualificada e a segunda vertente é de impedir que ilegalidades ocorram para não dar margem a esse tipo de pressão", declarou Mourão.

O vice-presidente avaliou que a fala de Bolsonaro seguiu a linha de demais discursos de lideranças mundiais sobre a situação internacional e interna de cada país. "(Foi) Seguindo ali a toada dos demais discursos que estão sendo colocados, os presidentes abordando a questão da pandemia, questão das relações internacionais, situação do mundo como um todo, questão da Organização Mundial do Comércio. No nosso caso, a questão do meio ambiente. Foi abordado dentro da nossa visão", afirmou.

Mourão, que coordena o Conselho da Amazônia, evitou avaliar a declaração de Bolsonaro em que o mandatário responsabilizou índios e caboclos por incêndios florestais. "Aí é questão do presidente, que tem os dados dele ali, então, não comento isso aí", disse.

Nesta terça-feira, 22, o vice-presidente deve sobrevoar áreas atingidas por queimadas nos Estados do Acre e Rondônia. "Está meio difícil lá porque está muito cheio de nuvem, começou a chover, mas vamos tentar conseguir sobrevoar", comentou.

Na ONU, Trump reitera críticas à China sobre pandemia e política ambiental

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Em seu discurso na 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente americano, Donald Trump, reiterou nesta quarta-feira, 22, críticas à China e voltou a responsabilizar o país asiático pela pandemia do novo coronavírus, chamando-o de "vírus chinês". A fala do republicano aconteceu logo após a do presidente Jair Bolsonaro - mas, ao contrário do mandatário brasileiro, que enalteceu a parceria com Washington, Trump não fez qualquer menção ao País.

"Nós travamos uma batalha feroz contra um inimigo invisível, o vírus da China, que ceifou inúmeras vidas. Nos EUA, lançamos a mobilização mais agressiva desde a Segunda Guerra Mundial e produzimos, rapidamente, um suprimento recorde de respiradores", disse Donald Trump. "Nós vamos distribuir vacinas contra a covid-19 e vencer a pandemia", completou. Ainda sobre a pandemia, o líder da Casa Branca acusou a Organização Mundial da Saúde (OMS) de ser "virtualmente controlada" pelo Partido Comunista chinês e de ter "declarado falsamente" que doentes assintomáticos não transmitem a covid-19.

A atuação de Pequim na área ambiental também foi alvo de críticas pelo republicano, que tem elevado o tom contra a China às vésperas da eleição presidencial em seu país. Ele é candidato à reeleição e tem aparecido atrás de Joe Biden, adversário democrata, nas pesquisas de intenção de voto. "A emissão de carbono chinesa é quase o dobro da americana e cresce rapidamente. A China não está interessada no meio ambiente, só quer punir os EUA. Se a ONU quiser ser uma organização eficaz, deve focar no real problema do mundo".

Em seguida, Trump ressaltou o que considera conquistas de seu mandato, como o combate ao Estado Islâmico e as mudanças na estrutura da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), com aumento da contribuição financeira de outros países-membros. "Estamos mais fortes do que nunca, nossas armas estão em níveis avançados", acrescentou.

O presidente americano também falou em avanços na área de direitos humanos, reforçou apoio às populações de Cuba, Venezuela e Nicarágua, consideradas ditaduras pela Casa Branca, e disse estar muito confiante de que 2021 será um dos melhores anos da história dos EUA, como vem dizendo há um tempo. "Como presidente, rejeitei as abordagens fracassadas do passado e estou orgulhosamente colocando a América em primeiro lugar", completou.

Na ONU, Xi Jinping critica politização, mas nega 'guerra fria ou quente'

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O presidente da China, Xi Jinping, criticou nesta terça-feira, 22, o que chamou de politização da pandemia do novo coronavírus. Mesmo assim, o tom geral de seu discurso na 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) foi de pacificação: sem citar nominalmente os Estados Unidos em qualquer momento, o líder disse não querer uma "guerra fria ou quente" com qualquer país do mundo, ressaltando que eventuais diferenças devem ser resolvidas por meio do diálogo e de negociações.

A postura do presidente destoou em relação à do presidente americano, Donald Trump, que, mais cedo, também na ONU, fez duras críticas a Pequim sobre a condução da pandemia e sua atuação na área ambiental. Às vésperas das eleições presidenciais nos EUA, o líder da Casa Branca voltou a chamar, em sua fala, o coronavírus de "vírus chinês".

Xi Jinping aproveitou seu pronunciamento na ONU para defender o multilateralismo e a atuação da China no combate à covid-19. "Vamos honrar compromisso de oferecer US$ 2 bilhões em assistência internacional", declarou. "Precisamos tomar medidas para aliviar de em países em desenvolvimento", acrescentou.

Em relação à pauta ambiental, o presidente chinês disse que a pandemia lembrou a humanidade sobre a emergência de uma "revolução verde". "Os países precisam honrar seus compromissos com o acordo de redução de emissão de gases poluentes", declarou.

 

 

 

 

 

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Fonte:
Notícias Agrícolas/Estadão

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