Boa notícia: os institutos de meteorologia estão mudando as previsões para o Sul do País .. ainda bem!!!

Publicado em 23/11/2020 15:03 3433 exibições
Tempo & Dinheiro - com João Batista Olivi

Chuva prevista para RS deve impulsionar plantio de soja, mas chega tarde para milho

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SÃO PAULO (Reuters) - Após um longo período de chuvas irregulares, as precipitações devem atingir com mais força o Rio Grande do Sul nesta semana, o que impulsionaria o atrasado plantio de soja, ainda que a umidade chegue tarde para muitas lavouras de milho, segundo dados meteorológicos, representantes de produtores e analistas.

As chuvas devem se intensificar a partir de quinta-feira no Estado que planta tardiamente a oleaginosa no país, mas que tem sofrido mais as consequências de precipitações localizadas e insuficientes na temporada 2020/21.

Para a próxima semana, uma frente fria avança trazendo chuvas volumosas também para grande parte da área de soja do Brasil, maior produtor e exportador global do grão, cujo clima irregular tem ajudado a impulsionar os preços da commmodity para máximas de mais de quatro anos na bolsa de Chicago.

Os volumes acumulados entre esta segunda-feira e o final do mês devem atingir mais de 50 milímetros na maioria das regiões do Rio Grande do Sul, com os maiores volumes (85 mm) esperados no sudoeste, conforme dados do Refinitiv Eikon.

"Uma chuva dessa daria para o produtor avançar no plantio", disse o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro-RS), Paulo Pires, ao comentar as previsões climáticas.

"Com 60 milímetros seria uma chuva boa e acredito que em quatro a cinco dias o pessoal planta mais 30% da área. Então (a área plantada) pularia para 70%", acrescentou.

Até o dia 19, produtores tinham semeado 35% da área no Estado, versus 46% da média histórica para esta época, devido à baixa umidade, segundo dados da Emater-RS, órgão de assistência técnica do governo.

Ele disse que os produtores fizeram muitos investimentos nos últimos anos em maquinários, e poderiam avançar rapidamente com a semeadura, a exemplo do registrado em Mato Grosso, onde plantaram quase metade da área em cerca de 20 dias.

Nos últimos 30 dias, o Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor de soja do Brasil, enfrenta um déficit de mais de 100 milímetros ante as precipitações históricas para o período, em várias regiões gaúchas, segundo dados do Refinitiv Eikon.

Mas a semana que vem deve registrar mais chuvas, aliviando momentaneamente a estiagem, não somente no Rio Grande do Sul, como também em outras partes do Brasil, afirmou a meteorologista Fabiene Casamento, da Somar.

Algumas áreas do Sul, Centro-Oeste e Sudeste poderão receber acumulados semanais de mais de 100 milímetros, disse a meteorologista.

"A maior chuva vai ser semana que vem", disse ela, acrescentando que no Sul elas vão se concentrar, contudo, na primeira semana de dezembro.

MILHO

Entretanto, as precipitações chegam tarde para o milho do Rio Grande do Sul, que não deve produzir "nem metade" da safra projetada em cerca de 6 milhões de toneladas, disse Pires, da Fecoagro.

"Estamos pedindo para a ministra (da Agricultura, Tereza Cristina) agilizar as vistorias de seguro para plantarmos outra cultura", disse ele, lembrando que o produtor pode replantar milho ou mesmo optar pela soja nas áreas perdidas.

O analista da consultoria AgRural Adriano Gomes disse que no caso da soja ainda não é possível falar em quebra de safra no Rio Grande do Sul, mas acrescentou que o milho do Estado já tem "perdas consolidadas".

"O que preocupa é que pode afetar a germinação de soja por conta da estiagem, a gente escuta sobre a necessidade de replantio em algumas áreas...", disse.

Ele afirmou ainda que a previsão de safra de soja do Brasil, atualmente vista em recorde de 132,2 milhões de toneladas, deve ser revisada em dezembro, já considerando expectativas de produtividades apuradas no campo, não somente da linha de tendência.

Afirmou ainda que produtores do Brasil tiraram o atraso do plantio nas últimas semanas, após a chegada de mais chuvas em outras regiões, mas reiterou que a colheita chegará, ainda assim, mais tarde que na temporada anterior.

A área plantada com soja no Brasil atingiu 81% do total até a última quinta-feira, ante 79% do mesmo período do ano passado e a média histórica para época, segundo a consultoria.

A Reuters diz que Bolsonaro culpa pandemia por desajuste no mercado e alta dos preços dos alimentos

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BRASÍLIA (Reuters) - Questionado nas redes sociais sobre alta no preço dos alimentos por seus apoiadores, o presidente Jair Bolsonaro culpou nesta segunda-feira a pandemia de Covid-19 e disse as medidas de distanciamento social desajustaram o mercado.

"Baixam-se os preços na lei da oferta e procura, e não com tabelamentos. Não se esqueça da pandemia, do fique em casa, etc. Tudo isso desajustou o mercado, mas não tivemos desabastecimento. Estamos fazendo o possível na busca da normalidade", escreveu Bolsonaro ao responder um apoiador.

Depois de vários questionamentos em uma publicação --na qual o presidente publicou um vídeo, em inglês, defendendo o agronegócio brasileiro-- Bolsonaro mostrou irritação com algumas pessoas afirmando que os produtores brasileiros vendiam os produtos mais caro no exterior que no Brasil.

"Os preços no exterior são muito superiores aos praticados aqui. Não se pode começar uma crítica com falácias ou mentiras", disse.

Em sua tradicional conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada nesta manhã, Bolsonaro voltou ao assunto.

"Pessoal tem reclamado do preço dos alimentos. Tem subido sim além do normal, a gente lamenta isso daí. Também é uma consequência do fique em casa. Quase quebraram a economia", afirmou. "Aquela política do fique em casa e a economia a gente vê depois está tendo reflexo agora."

Bolsonaro já repetiu várias vezes elogios aos produtores rurais que, segundo ele, não teriam respeitado a idéia do "fique em casa" e teriam continuado produzindo durante a pandemia. Na semana passada, chegou a dizer que os produtores não teriam sido "frouxos" de aderirem ao distanciamento social.

"Pessoal parece que esqueceu o período da pandemia, que nos endividamos em mais de 700 bilhões de reais, e passa a criticar o agronegócio que tinha de vender aqui para dentro e não para fora. Olha a soja toda tem que ser exportada, não tem como consumir aqui dentro toda", disse. "E eu sou da livre iniciativa, da oferta e da procura. E o mercado é que diz se vai vender aqui ou lá fora."

A inflação para outubro, que fechou em 0,86% no IPCA, foi a mais alta para o mês nos últimos 18 anos. No acumulado de 12 meses, chegou a 3,92%.

De acordo com o IBGE, alimentos e bebidas foram os principais responsáveis, com tomate, frutas, batata inglesa registrando os maiores aumentos e somando-se ao arroz e ao óleo de soja, que tiveram altas menos intensas que no mês anterior, mas continuaram subindo.

Ministro Paulo Guedes diz que retomada da economia surpreende economistas

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou hoje (23) que inicialmente o governo trabalhou para reduzir despesas e, nos próximos dois anos, seguirá com agenda de reformas e privatizações.ebc.png?id=1394279&o=nodeebc.gif?id=1394279&o=node

“Dedicamos esse primeiro ano, um ano e meio, para atacar as grandes despesas do governo, jogamos na defesa. Nos próximos dois anos, vamos para o ataque. Vamos para as privatizações, para a abertura, para simplificação, reforma tributária, a reindustrialização em cima de energia barata”, disse o ministro, ao participar do 3º Encontro O Brasil Quer Mais, evento virtual organizado pela International Chamber of Commerce Brazil (ICC).

Segundo ele, os três maiores gastos que o governo conseguiu controlar foram com a Previdência, juros da dívida pública e salários de servidores. Explicou que os “privilégios” nas aposentadorias foram vencidos por meio da reforma da Previdência, houve redução dos juros da dívida pública e congelamento de salários de servidores. 

Além disso, ele citou a reforma administrativa enviada pelo governo ao Congresso Nacional. “O mais difícil foi o controle de gastos que está sendo implementado há algum tempo. Falta agora o movimento final: pacto federativo, desindexando, desvinculando, desobrigando despesas, travando essas despesas e entregando os orçamentos públicos à classe política”, afirmou.

O ministro da Economia disse, ainda, que na agenda da equipe econômica figuram a abertura da economia brasileira para o comércio internacional, por meio de acordos comerciais e a aprovação de reformas.

Ele afirmou que espera avançar em reformas onde há consenso político para aprovação, após passar o período de eleições municipais.

“Acho que daqui até o fim do ano vamos aprovar uma pauta comum onde há acordo na Câmara, no Senado e no Poder Executivo”, disse. Segundo o ministro, “bons candidatos” para a aprovação são projetos como de Lei de Falências, o marco regulatório do gás natural e cabotagem, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, com medidas para controle de gastos, e a independência do Banco Central.

Segundo Guedes, a reforma tributária e as privatizações não avançaram, mas o governo levará essa agenda adiante. “Acho que estamos muito próximos da reforma tributária. A razão de não ter saído ainda é que a política é que dá o timing [momento certo]”, enfatizou.

Retomada da economia

Mais cedo, em outro evento virtual, Guedes reafirmou que a “economia brasileira está voltando com força”. Ele citou que a retomada surpreendeu organismos internacionais e economistas brasileiros. 

“São os fatos que nós temos. Existem muitas narrativas. Mas contra os fatos, as falsas narrativas se dissolvem. O fato hoje é que todas as regiões do Brasil estão criando empregos, todos os setores estão criando empregos. A economia brasileira voltou em V [rápida recuperação, após a queda] como nós esperávamos para surpresa de organizações internacionais”, disse, no seminário virtual Visão do Saneamento – Brasil e Rio de Janeiro, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Ele citou que, no início da pandemia de covid-19, economistas chegaram a prever queda da economia brasileira em mais de 10% e recuperação lenta. “É importante recuperar essas narrativas falsas e colocarmos os fatos”, explicou. Ele citou o crescimento do emprego, aumento das exportações de produtos agrícolas e agroindustriais, retomada da construção civil e expansão do crédito e do consumo.

Pandemia

O ministro reafirmou que as contaminações por covid-19 estão diminuindo, mas pode estar havendo um “repique”. “A doença desceu, é um fato. E agora parece que está havendo um repique, mas vamos observar. São ciclos”, disse.

Segundo o ministro, quando as contaminações pelo novo coronavírus diminuíram, “as pessoas saíram mais, interagiram mais, se descuidaram um pouco. “Pode ser que tenha voltado um pouco. Estamos entrando no verão, vamos observar um pouco em vez de já começar a decretar que a doença está aí [em uma segunda onda]”, finalizou.

Guedes afirma que mais reformas virão após eleições municipais, incluindo BC independente

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BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira que depois das eleições municipais há conversas em curso para a realização de mais reformas, destacando ter certeza quanto à aprovação pela Câmara dos Deputados da autonomia formal do Banco Central, projeto que já foi chancelado no Senado.

O segundo turno das eleições para prefeitos acontece no próximo domingo, dia 29.

Ao participar de webinário promovido pela Firjan, Guedes disse que há uma pauta mínima que deve avançar, pois "tem baixo custo político e muito retorno social", citando BC independente, marco regulatório para gás natural e cabotagem.

Em palestra realizado logo em seguida em evento da International Chamber of Commerce Brazil, o ministro mencionou outros textos também considerados "bons candidatos" para aprovação até o final de 2020, incluindo o projeto para modernização da lei de falências e uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que crie programa fiscal rápido de ajuste nas contas públicas.

"Nosso acordo foi o seguinte: vamos trabalhar onde nós estamos de acordo", disse.

Em relação à PEC, Guedes avaliou que o governo já está atrasado para tratar do tema, indicando que o instrumento escolhido para implementar gatilhos de controle sobre as despesas poderá ser a PEC Emergencial, enviada pelo Executivo ao Congresso no fim do ano passado, ou a PEC que está sendo relatada pelo senador Marcio Bittar (MDB-AC).

Quanto à reforma tributária, o ministro pontuou que a equipe econômica apoia a ideia de uma acoplagem do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) federal --unindo PIS e Cofins-- com o ICMS dos Estados, ressalvando que a união do ISS dos municípios deve vir "um pouco à frente".

Ainda dentro do escopo tributário, ele reconheceu o desejo de desonerar a folha de pagamento das empresas, o que exigiria a instituição de uma base tributária diferente que pudesse compensar essa perda de arrecadação, mas admitiu que não há consenso sobre o assunto.

Guedes é defensor de um imposto sobre transações de base ampla, nos moldes da extinta CPMF, para promoção dessa substituição, tendo alegado em diversas ocasiões que a incidência de impostos sobre a folha é "arma de destruição em massa" de empregos formais.

"Não há muito apoio a isso aparentemente. Pelo menos a própria Câmara não demonstrou boa vontade com essa proposta. O presidente também não tinha muita simpatia e nem tem talvez. Então isso atrasa, isso acaba atrasando a reforma", disse.

Segundo o ministro, depois que o governo fizer a reforma tributária irá levar a cabo a diminuição da Tarifa Externa Comum (TEC) da indústria.

Originalmente, o governo tinha o plano de levar a tarifa de importação --que é hoje de 14%-- a 4% ao fim do mandato, com redução de um ponto no primeiro ano do governo, dois pontos no segundo, três pontos no terceiro e, finalmente, quatro pontos no quarto ano. No entanto, nada foi feito até aqui.

"Nossa preocupação é realmente retomar os acordos (comerciais), aprofundar os acordos, ampliar a área de abrangência e, sim, começar também no espaço tarifário os primeiros movimentos, o que deve ser também daqui a pouco", disse.

Guedes afirmou ter aprendido em Brasília a não fazer promessas em termos de prazos, pois há o componente político nas decisões e "a política às vezes anda e às vezes não anda, às vezes bloqueia".

"(Política) atrasou um pouco a administrativa, perturbou bastante a tributária, impediu as privatizações", afirmou.

"Havia acordo de centro-esquerda para não pautar (privatizações) e dentro do governo também alguma resistência", completou o ministro, pontuando que agora a importância do programa de venda de estatais foi compreendida na Esplanada e que a crença é que o processo vai deslanchar.

Guedes também avaliou nesta segunda-feira que está havendo desconsideração das realizações já feitas pelo governo, em referência à aprovação da reforma da Previdência, dos acordos comerciais fechados, como do Mercosul com a União Europeia, leilão da cessão onerosa e o envio já feito ao Congresso da reforma administrativa e da PEC do Pacto Federativo.

"Tem narrativa aí, mas acho que ninguém entregou tanto em tão pouco tempo", afirmou.

Ao fim da sua fala, Guedes buscou reforçar que seu time é comprometido com as reformas.

"Nós não queremos elogios, mas também achamos que está havendo uma desconsideração de muita coisa positiva que nós estamos fazendo", disse.

"Nós temos que mostrar que o Brasil tem rumo, que o Brasil está no caminho das reformas, tem um Congresso reformista, tem um presidente determinado, tem uma equipe econômica comprometida com essas reformas e uma classe empresarial que entendeu o desafio", acrescentou.

COVID-19

Se houver nova onda de Covid-19 no Brasil, o ministro reiterou que o governo agirá com a mesma capacidade de decisão empenhada neste ano, mas já sabendo os programas que funcionam melhor e os que não emplacaram na crise.

Ele avaliou que o número de mortes pelo coronavírus parece ter tido um repique, mas afirmou que é preciso observar se esse movimento vai se firmar.

"Pode ser que tenha voltado um pouco, mas ao mesmo tempo tem características sazonais a doença. Estamos entrando no verão, primavera-verão, e vamos observar um pouco em vez de já, nós que não somos especialistas, começar a decretar que doença está aí e tem que trancar tudo de novo", disse.

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Notícias Agrícolas

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