Mercado está mandando avisos - caso vire, vc sobrevive? Aprenda com o Esopo, navegue com segurança...

Publicado em 09/06/2021 16:25 e atualizado em 09/06/2021 20:07 615 exibições
Tempo & Dinheiro - Com João Batista Olivi

A volatilidade existente no momento no mercado da soja é um alerta aos produtores brasileiros, que vêem o valor de sua safra futura ameaçada pela queda do dólar (câmbio) e pela possibilidade da volta das chuvas nas planícies americanas. 

O que fazer? 

Especialistas dizem que os produtores brasileiros já deveriam ter saído do risco, fazendo hedge de sua safra (put), ou adquirindo uma “call” na bolsa de Chicago para participar de alta futura (se houver).

Enquanto permanece a dúvida, o melhor mesmo é seguir conselhos como o do filósofo grego Esopo, que na fábula “O náufrago e a deusa Atena”, ensina: na hora do naufrágio é bom vc razar para a deusa, mas muito mais importante é vc saber nadar... Vc está preparado?!

brasil despiora

Brasil começa a receber milho argentino; BRF e JBS são compradores, Aurora avalia

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SÃO PAULO (Reuters) - As primeiras cargas de milho argentino importado por empresas brasileiras como BRF e JBS começaram a desembarcar no país, que agora busca o cereal no vizinho para lidar com a quebra de safra nacional, preços em níveis recordes localmente e alta demanda da indústria de carnes.

Um carregamento de cerca de 35 mil toneladas foi desembarcado ao final de maio, no porto de Paranaguá (PR), e um segundo de aproximadamente 30 mil toneladas chegou a Rio Grande (RS) no meio da semana passada, e outros quatro navios com o cereal do país vizinho devem aportar ainda este mês, conforme dados da agência marítima Cargonave, que incluem também o terminal catarinense de Imbituba com destino.

"Já chegaram navios, foram descarregados. Tem importação de trigo, não só de milho, para ração", disse à Reuters Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), comentando sobre as alternativas das companhias produtoras de carnes suína e de frango, cujos custos estão crescentes devido ao preço das matérias-primas para alimentação.

A gigante do setor de carnes JBS está recebendo um navio com 30 mil toneladas de milho argentino, no porto de Imbituba (SC), conforme nota à Reuters, após ser questionada.

"A JBS está sempre atenta às oportunidades e alternativas para manter seu fornecimento de matérias-primas de maneira competitiva", afirmou.

Já a BRF, maior exportadora global de carne de frango, confirmou à Reuters a importação de milho argentino, mas preferiu não dar detalhes.

A Aurora afirmou, também por meio da assessoria de imprensa, que está avaliando compras no país vizinho, mas que não está fazendo a operação "ainda".

Ao todo, entre volumes desembarcados e previstos para junho, o Brasil deve internalizar 191 mil toneladas de milho da Argentina via navios.

O volume previsto de milho argentino na programação de navios representa quase o dobro das 103 mil toneladas compradas no parceiro do Mercosul em todo o ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura.

No primeiro quadrimestre, o Brasil já importou 758 mil toneladas de milho, aumento de quase 70% ante o mesmo período do ano passado, com o produto do Paraguai, que chega em geral de caminhão, dominando quase que 100% das importações.

Ainda que a colheita da segunda e maior safra brasileira do cereal esteja próxima de ganhar ritmo, o que em tese dificultaria negócios com o produto importado, a expectativa é de que cresçam ao longo do ano os volumes comprados pelo Brasil, que normalmente figura como o segundo exportador mundial de milho quando a oferta é mais abundante.

Em 2020/21, na direção contrária, as importações do cereal pelo Brasil devem somar 2,5 milhões de toneladas, cerca de 1 milhão acima da temporada passada, segundo estimativas recente da StoneX, que também vê uma forte queda nas exportações brasileiras devido à menor oferta.

Para Santin, da ABPA, o dólar mais fraco frente ao real agora tem tornado o produto importado menos caro, sinalizando mais importações a depender dos desdobramentos no mercado brasileiro.

"O dólar já começa a jogar do nosso lado", destacou ele.

Após máximas de fechamento de cerca de 5,80 reais em março deste ano, agora a moeda norte-americana está em torno de 5 reais, com uma queda acumulada em 2021 de 3% com base no encerramento da véspera.

"Se vai entrar mais ou menos (importado da Argentina) vai depender do impacto da safrinha e do dólar, do prêmio da paridade, que agora tem se mostrado uma alternativa atrativa. A diferença de preços mesmo, entre o importado e o nacional, aí cada empresa tem seus cálculos", comentou Santin.

O dirigente da ABPA, que preferiu não comentar sobre importação de milho argentino por companhias, disse sem citar nome que uma empresa "vai comprar mais de 100 mil toneladas de milho do Paraguai por terra, via caminhão".

Ele ponderou ainda que os preços internos do milho começam a ter um pouco mais de estabilidade, ainda que em patamares elevados.

Segundo o indicador Esalq, o milho está em 96,57 reais a saca, já inferior ao patamar histórico de 103 reais visto em meados de maio, mas mais que o dobro do valor nominal registrado no mesmo período do ano passado.

Além de os valores terem subido na esteira das cotações internacionais, também influenciou a quebra da segunda safra pela seca, que deverá ser reduzida em mais de 15 milhões de toneladas em relação ao potencial, segundo algumas consultorias.

A AgRural, por exemplo, vê a colheita de inverno do centro-sul em 60 milhões de toneladas.

Já a StoneX estima a segunda safra do país em 62 milhões de toneladas, redução de 17% ante a temporada anterior, enquanto o consumo nacional no ano está projetado em um recorde de 71,5 milhões, com a forte demanda da indústria de carnes.

Brasileiros vieram da selva; nós, da Europa, diz presidente da Argentina Alberto Fernández

Em evento na Casa Rosada; Depois, pediu desculpas (no Poder360)

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, fez uma citação nesta 3ª feira (9.jun.2021) que causou comoção na internet. O chefe de Estado afirmou que “os mexicanos vieram dos índios, os brasileiros saíram da selva, mas nós, os argentinos, chegamos de barcos”. A fala foi dita durante evento na Casa Rosada, com empresários espanhóis e argentinos e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.

“E eram barcos que vieram de lá, da Europa”, completou, ao dizer que estava citando um trecho do poeta Octavio Paz.

O presidente, no entanto, fez menção a música Llegamos de Los Barcos, do cantor argentino Litto Nebbia. “Los brasileros salen de la selva. Los mejicanos vienen de los indios. Pero nosotros, los argentinos, llegamos de los barcos”, diz uma estrofe da música.

É provável que Alberto quisesse lembrar a seguinte frase do poeta Octavio: “os mexicanos descendem dos astecas, os peruanos dos incas e os argentinos, dos navios”.

Mais tarde, após a repercussão, Alberto Fernández se justificou em seu perfil no Twitter. O mandatário afirmou que não “queria ofender ninguém”.

COMOÇÃO

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi uma das personalidades públicas que comentou a situação. No Twitter, disse que passou a “entender melhor porque depois da II Guerra Mundial, criminosos de guerra nazistas se esconderam na Argentina”. 

O congressista Aécio Neves (PSDB-MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores, classificou a atitude de Fernández como “lamentável“.

“É lamentável a declaração preconceituosa feita pelo presidente Fernandéz. O tom depreciativo que reproduz uma visão colonialista, atrasada e superada da História merece repúdio. Nós, brasileiros, temos muito orgulho e respeito pelas nossas origens da mesma forma que os argentinos devem ter da sua própria diversidade.

Disposto a agradar o primeiro-ministro espanhol, o presidente Fernandez parece não se importar em tentar depreciar seus vizinhos na América Latina e demonstrar subserviência à Europa. Isso em nada ajuda o esforço de promovermos, juntos, o desenvolvimento de nossa região. Um desserviço ainda maior em um momento em que o Mercosul tem sido questionado. A declaração vai na contramão dos países europeus que estão publicamente revendo o passado com ações que buscam a reparação histórica, como fazem recentemente França, Alemanha e Reino Unido”.

O deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que o ”barco que está afundando é o da Argentina”.

 

Câmara instala comissão especial da reforma administrativa

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BRASÍLIA (Reuters) - A Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira a comissão especial que irá analisar o mérito da reforma administrativa, cumprindo mais um passo na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende reorganizar o Estado brasileiro.

O deputado Fernando Monteiro (PP-PE) foi eleito presidente do colegiado, que terá até 40 sessões do plenário da Câmara para emitir um parecer, enquanto a relatoria da proposta ficou a cargo de Arthur Oliveira Maia (DEM-BA).

Executivo da Sinovac reclamou a diplomatas brasileiros de declarações contra a China

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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do laboratório chinês Sinovac, fabricante da vacina contra Covid-19 CoronaVac, manifestou desagrado pelas declarações contra a China feitas por vários membros do governo brasileiro durante reunião com diplomatas e representantes do Instituto Butantan, o que pode ter impactado no envio de insumos ao Brasil, disseram à Reuters fontes com conhecimento do encontro.

A revelação da reunião e de seu teor foi feita pelo jornal O Globo, que teve acesso a um telegrama da embaixada do Brasil em Pequim enviado à CPI da Covid no Senado, e as informações foram confirmadas à Reuters pelas fontes.

De acordo com uma delas, ligada ao Butantan, o descontentamento do presidente da Sinovac, Weidong Yan, foi relatado em uma reunião virtual com a presença do presidente do Butantan, Dimas Covas, e dos ministros Marcelo Queiroga (Saúde) e Paulo Guedes (Economia). No encontro, foi informado, segundo essa fonte, que o executivo disse que seria importante que fosse feita uma retratação pelas autoridades brasileiras.

De acordo com a outra fonte, a cobrança do executivo foi a de uma relação mais "fluida" com o governo brasileiro, ressaltando que o apoio político seria importante para garantir as importações do insumo farmacêutico ativo (IFA) da CoronaVac, necessário para que o Butantan envase doses da vacina no Brasil.

"Falou-se da importância do bom relacionamento político", contou a segunda fonte. "As críticas não ajudam, mas a fala (do executivo) também deixou a impressão que foi uma justificativa para os atrasos", acrescentou

A fonte lembra que o executivo falava em nome da empresa, não do governo chinês, portanto estava passando uma impressão do que poderia ajudar, mas não poderia falar em nome da chancelaria chinesa.

Os percalços do fornecimento de insumos para fabricação de vacinas no Brasil são constantes, levando a atrasos para fornecimento da CoronaVac e da vacina da AstraZeneca, cujo envase pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também depende da importação de IFA da China.

A demora na liberação dos insumos, de acordo com esta fonte, por parte das autoridades chinesas pode ocorrer tanto por simples burocracia do país ou mesmo por uma má vontade com o Brasil diante dos constantes ataques de autoridades brasileiras contra o país asiático.

A fonte ligada ao Butantan garantiu que, após as declarações mais recentes do presidente Jair Bolsonaro contra a China, o volume de IFA da CoronaVac previsto para chegada ao Brasil foi reduzido.

"O tempo todo a gente tem falado que sempre que tem uma crítica, respinga", disse a fonte. "Todas as vezes que ele (Bolsonaro) se pronunciou, atrasou", acrescentou.

"GUERRA BACTERIOLÓGICA"

A reunião relatada no telegrama diplomático aconteceu em 19 de maio e foi a primeira que envolveu a embaixada brasileira para tratar da CoronaVac. Até a saída de Ernesto Araújo do comando do Itamaraty, a embaixada não havia sido acionada para ajudar o governo do Estado de São Paulo, ao qual o Butantan é vinculado.

Depois da troca de chanceler, com a chegada de Carlos Alberto França ao posto, a embaixada ofereceu ajuda, mas ainda houve uma resistência inicial do governo paulista, contou uma das fontes.

Pouco tempo antes da reunião, apesar de acenos amistosos do novo chanceler brasileiro aos chineses, Bolsonaro voltara a atacar a China com informações falsas ao se referir a uma suposta "guerra bacteriológica".

"É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?", afirmou em um evento no Palácio do Planalto.

Alguns dias antes, em uma reunião no Ministério da Saúde, Guedes, também criticou a China sem saber que estava sendo gravado.

"O chinês inventou o vírus e a vacina dele é menos efetiva que a do americano. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa. Os caras falam: qual é o vírus? É esse? Tá bom. Decodifica. Tá aqui a vacina da Pfizer. É melhor que as outras. Então vamos acreditar no setor privado", afirmou.

Na verdade, apesar do laboratório Pfizer ser norte-americano, a vacina foi desenvolvida em parceria com o laboratório alemão BioNTech, liderado por dois cientistas alemães de origem turca.

Procurado para comentar sobre o telegrama, o Ministério das Relações Exteriores não respondeu imediatamente.

Carlos Fávaro pede para Bolsonaro falar menos e sugere Pacheco para presidente

O senador da República, Carlos Fávaro (PSD), que desde que conquistou a vitória nas urnas, em 2020, não tem resistido à tentação de criticar o presidente Jair Bolsonaro, voltou novamente a sugerir silêncio por parte do atual mandatário nacional e inovou ao colocar um novo nome na disputa presidencial.

Em entrevista, ontem (7), à Rádio Capital FM, Fávaro ironizou o presidente e lhe apontou algumas saídas alternativas para se acalmar e não verbalizar o que não deve. Segundo o parlamentar, era interessante Bolsonaro “falar um pouco menos” , já que no “ímpeto de dar resposta rápida, talvez atrapalhe a relação política”.

“Nesse momento, se ele rezasse um Pai Nosso, tomasse um café ou água gelada, ajudaria muito”, ilustrou. Logo à frente, na entrevista, Fávaro surpreendeu ao citar o senador mineiro e atual presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM), como um possível presidenciável.

“O presidente do meu partido (Gilberto Kassab), por exemplo, defende e acha que o Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Federal, é um homem equilibrado, advogado, mineiro, ele pode ser uma grande opção. Na ausência de nomes, o vácuo não existe”, analisou Fávaro.

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Abiove vê cenário desafiador para contratos de milho no Brasil com quebra de safra

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SÃO PAULO (Reuters) -As tradings podem ter pela frente um cenário desafiador quanto ao cumprimento de contratos de milho pelos produtores, em meio à quebra da segunda safra do cereal e forte alteração nos preços no Brasil, disse nesta quarta-feira o presidente da associação da indústria Abiove, André Nassar.

"Os contratos (em geral) passam a ser discutidos quando há uma quebra de safra relevante e podem gerar insatisfação quando você tem diferença de preço grande... no milho temos esses dois problemas", afirmou o executivo durante webinar promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Ele disse que na soja, por exemplo, houve uma preocupação no setor neste ano de que a inadimplência fosse grande devido ao atraso na safra, mas somente 0,5% dos contratos foram quebrados --em que o grão não foi entregue.

"Estamos falando em universo das associadas da Abiove e Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) que na soja foi coisa acima de 100 mil contratos. Deste total, identificamos 1,5% com algum tipo de problema, sendo a inadimplência 0,5%, e o resto foram contratos que abriram algum tipo de negociação, que pode ser renegociação, mas houve entrega."

Nassar ressaltou que a inadimplência foi considerada baixa nos contratos da oleginosa, mas que também foram vistos diversos casos em que as companhias precisaram acionar o departamento jurídico para conseguir fazer a retirada do produto na fazenda.

"Nós como tradings, a nossa visão é que se você não tem problema de produção, esse contrato deve ser honrado, deve ser cumprido", disse.

Vale destacar que, em geral, as tradings associadas à Abiove para a soja são as mesmas que negociam milho.

O cereal da segunda safra foi plantado em grande parte fora da janela ideal devido a um atraso na colheita da soja, e atravessou grandes períodos de seca durante seu desenvolvimento. O mercado agora espera uma quebra para a produção de milho, e os preços mais que dobraram ante o ano passado --daí o risco para os negócios já fechados.

O presidente da Abiove disse que as tradings "evidentemente" querem se proteger de quebras nos contratos e uma das preocupações é a necessidade de incorporação de mais garantias para que haja o cumprimento pelo produtor rural.

Ele afirmou que, em situações extremas, também é possível negociar caso a caso, até permitindo a entrega do produto na safra seguinte.

Também presente no evento, o agricultor e representante da CNA nas câmaras setoriais de soja e de biodiesel do Ministério da Agricultura, Moises Almeida Schmidt, defendeu que os contratos de venda de grãos sejam reformulados a cada ano, "para que haja um entendimento de cada safra".

"Estamos em um momento perfeito de discussão de melhoria de contrato e também como vamos tratar a parcela de produtores que age de má fé", afirmou ele, citando que alguns agricultores optam por não entregar o grão para se beneficiar de preços melhores de venda no spot. Para ele, estes compõem a parcela de 0,5% inadimplentes na soja.

Dólar avança ante real (R$ 5,0704) após desvalorização recente

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SÃO PAULO (Reuters) -O dólar abandonou as perdas vistas mais cedo e fechou em alta contra o real nesta quarta-feira, quando a desvalorização recente da divisa atraiu uma onda de compras, enquanto investidores continuavam à espera de dados norte-americanos e de decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

A moeda norte-americana à vista fechou em alta de 0,70%, a 5,0704 reais na venda, e chegou a tocar 5,0870 reais na máxima do dia, alta de mais de 1%.

Mas, nos primeiros minutos de pregão, o dólar spot havia apresentado queda contra o real, chegando a tocar 5,0188 reais na venda na mínima do dia, queda de aproximadamente 0,32%.

"O IPCA mais forte que o esperado ajudou a moeda buscar mínimas (...), porém, logo nas primeiras horas de pregão, ela inverteu sinal e começou a subir com compras por partes de tesourarias bancárias e importadores, atraídos pelo preço 'barato' do dólar", disse em nota Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora, sobre o movimento desta quarta-feira.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou pela manhã que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,83% em maio, resultado mais forte para o mês desde 1996 (1,22%), ficando acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,71%. Com isso, o índice acumulado em 12 meses disparou a 8,06%, de 6,76% em abril. A expectativa era de alta de 7,93%.

Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, chamou a atenção em post no Twitter para o impacto que os dados podem ter na postura do Banco Central, cujo Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 15 e 16 de junho: "com a inflação em 8,06% em 12 meses, o BC vai precisar ser mais firme para ancorar as expectativas".

Segundo ela, a autarquia deve, além de confirmar uma alta de 0,75 ponto percentual na taxa Selic em seu próximo encontro, "contratar" mais uma alta da mesma magnitude para o seguinte, e provavelmente deixar de usar a expressão "ajuste parcial".

O termo "normalização parcial", adotado pelo Banco Central, indica a intenção de ainda se manter um estímulo à economia, com os juros mais altos mas abaixo do patamar considerado neutro.

A perspectiva de uma política monetária mais dura no país é um dos fatores que colaborou para a desvalorização recente da moeda norte-americana para perto dos 5 reais, segundo especialistas. Na terça-feira, o dólar à vista fechou em 5,0352 reais na venda, em seu menor patamar de encerramento desde 10 de junho de 2020 (4,9398 reais).

"Bastou ajustar o juro à realidade brasileira --e serão necessárias novas elevações-- para o dólar perder suporte e ajustar seu preço (...)", disse em nota Sidnei Moura Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora. Para ele, a moeda norte-americana teria espaço para ir a patamares bem abaixo dos 5 reais caso a Selic fosse elevada e se colocasse acima da inflação.

Enquanto isso, no cenário internacional, os investidores estavam à espera da divulgação de dados norte-americanos sobre a inflação, em meio a expectativas sobre a reunião de política monetária do Federal Reserve, que se encerra na quarta-feira que vem. Os agentes dos mercados ficarão de olho em qualquer sinal de superaquecimento da maior economia do mundo.

Embora várias autoridades do banco central norte-americano tenham afirmado repetidas vezes que enxergam as pressões inflacionárias nos Estados Unidos como temporárias, outras já começaram a reconhecer que estão mais próximas de um debate sobre quando retirar parte de seu nível de apoio à economia.

Uma manutenção da postura expansionista do Federal Reserve tende a beneficiar ativos de países emergentes, uma vez que os investidores estrangeiros vão buscar rendimentos mais altos fora dos Estados Unidos.

O principal contrato de dólar futuro, negociado na B3, avançava 0,63%, a 5,080 reais

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Fonte:
T&D/Reuters/Poder360

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