USDA veio levemente baixista para a soja, o suficiente para o mercado recuar. Agora, atenção no clima

Publicado em 10/06/2021 15:56 977 exibições
Tempo & Dinheiro - Com João Batista Olivi
Edição do Tempo&Dinheiro desta 5a.feira, 10/junho/21, com João Batista Olivi

USDA eleva previsão de safra de soja 20/21 do Brasil e reduz a de milho

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(Reuters) - A previsão de safra de soja 2020/21 do Brasil, com colheita já encerrada, foi elevada em 1 milhão de toneladas, para 137 milhões de toneladas, informou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) nesta quinta-feira.

O órgão, por outro lado, reduziu a projeção para a safra de milho brasileira 2020/21 a 98,5 milhões de toneladas, ante 102 milhões de toneladas no mês anterior, uma vez que vão ficando mais claros os efeitos da seca para a colheita de inverno, próxima de ganhar ritmo.

Para a próxima safra (2021/22), o USDA manteve as projeções para produção de soja e milho do Brasil em 144 milhões e 118 milhões de toneladas, respectivamente.

(Por Roberto Samora)

Vendas de soja 2021/22 do Brasil chegam a 17%, diz Datagro; vê cautela no milho safrinha

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SÃO PAULO (Reuters) - A comercialização de soja da safra 2021/22 do Brasil, que será plantada a partir de setembro, atingiu até o dia 4 de junho 17,4% da produção esperada, afirmou a consultoria Datagro nesta quinta-feira, enquanto ressaltou que as vendas de milho da "safrinha" que está em desenvolvimento no centro-sul seguem moderadas.

As negociações da oleaginosa estão acima dos 15,1% da média de cinco anos, mas inferiores aos 33,1% do ritmo recorde em igual momento de 2020. 

"Segundo a projeção preliminar, que considera área maior em 2,9%, clima razoavelmente regular e produtividade dentro da normalidade, a safra brasileira do próximo ano tem potencial para atingir 141,18 milhões de toneladas, sendo assim, teríamos 24,55 milhões de toneladas comercializadas antecipadamente pelos sojicultores brasileiros."

O volume, porém, é bem inferior aos 45,34 milhões de toneladas desta mesma época no ano passado, disse a Datagro em nota.

Para o ciclo atual, a venda alcançou 76,3% da produção estimada até o último dia 4 de junho, abaixo dos 87,5% do fluxo recorde visto em igual período da safra passada e acima da média histórica de 73,4%. 

"A comercialização da safra 2020/21 da soja brasileira avançou apenas 4,5% no mês passado, abaixo dos 9,1% do padrão normal para o período", afirmou a consultoria.

Com estimativa de produção de 136,97 milhões de toneladas na temporada, o total negociado pelos produtores do país equivale a 104,44 milhões de toneladas.

MILHO

A Datagro ainda disse, em relação ao milho, que "a safra 2021 de inverno no centro-sul mostrou vendas moderadas" para o cereal.

Até o dia 4 de junho, 56,9% da produção esperada estava comercializada pelos produtores, contra 51,1% no mês anterior, 61% em igual período de 2020 e 53,2% na média dos últimos cinco anos.

"Além de inferior ao ano passado, (a venda) vai ficando muito abaixo do recorde de 67,0% de 2016."

A "safrinha" de milho que está em desenvolvimento no país passou por problemas com seca e atraso no plantio, que já desencadearam quebras para a produção.

A Datagro ressaltou que a safra do cereal de verão teve perdas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e agora também há expressivos danos na safra de inverno do Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás, diante da escassez de chuvas em abril e maio.

A previsão total da Datagro para as duas safras foi reduzida de 109,31 milhões de toneladas para 101,65 milhões.

Após comentário de Fernández sobre brasileiros, Bolsonaro compara presidente argentino com Maduro

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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro comparou nesta quinta-feira o presidente da Argentina, Alberto Fernández, com o líder venezuelano, Nicolás Maduro, após declaração do mandatário argentino na véspera sobre as origens dos brasileiros, mas garantiu que a rivalidade com os vizinhos se dá apenas no futebol.

"O presidente da Argentina falou que eles vieram da Europa de barco e nós viemos da selva. Eu lembro uma coisa, logo que Chávez (ex-presidente venezuelano) morreu, assumiu Maduro, e ele falava que conversava com passarinhos que estavam encarnados na figura do Chávez", disse Bolsonaro a apoiadores ao deixar o Palácio da Alvorada nesta manha.

"Eu acho que Maduro e Fernández, para eles não têm vacina", acrescentou o presidente brasileiro, como quem diz que os dois líderes não têm jeito.

Na quarta-feira, em uma visita oficial do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, Fernández estava falando dos laços que ligam a Argentina à Europa, quando deu uma declaração polêmica, apontada como racista por alguns críticos.

"Os mexicanos vieram dos índios, os brasileiros vieram da selva, mas nós, os argentinos, viemos dos barcos. E eram barcos que vinham da Europa”, disse Fernández.

Mais tarde, em seu Twitter, o presidente argentino pediu desculpas. "Não quis ofender a ninguém, mas de qualquer forma, a quem se sentiu ofendido ou invisibilizado, desde já minhas desculpas", escreveu.

Na noite de quarta, Bolsonaro já havia tuitado uma foto onde aparece sorrindo cercado de indígenas, escrevendo simplesmente a palavra "selva" em letra maiúscula, com o emoji da bandeira brasileira ao lado.

Ainda a apoiadores, Bolsonaro disse que trocou mensagens com o ex-presidente da Argentina Mauricio Macri, antecessor de Fernández e aliado do presidente brasileiro, nesta quinta e que está tudo bem na relação com os argentinos.

"Eu troquei mensagem hoje com ex-presidente Macri. Não tem nenhum problema entre nós e nem com povo argentino. Rivalidade com a Argentina só no futebol", disse.

Chefe de comércio dos EUA expressa preocupação à China, diz Washington

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XANGAI/WASHINGTON (Reuters) - A principal autoridade de comércio do governo dos Estados Unidos relatou à China preocupações em Washington com as políticas industriais de Pequim, informou o Departamento de Comércio dos Eua nesta quinta-feira, na mais recente discussão de alto nível à medida que os países discutem suas divergências.

O departamento informou que o telefonema da secretária de Comércio dos EUA, Gina Raimondo, com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, também incluiu uma conversa sobre a visão de Washington acerca da "necessidade de igualdade de condições para empresas norte-americanas na China e a importância de proteger a tecnologia norte-americana de usuários não autorizados".

O Ministério do Comércio chinês disse separadamente que ambas as autoridades concordaram em manter as linhas de comunicação abertas.

"Eles concordaram em promover o desenvolvimento saudável do comércio e dos investimentos e cooperar de forma pragmática para lidar com suas diferenças", disse o ministério chinês.

As duas maiores economias do mundo estão em desacordo em diversas frentes, com o Senado dos EUA aprovando esta semana um amplo pacote de leis com o objetivo de aumentar a capacidade do país de competir com a tecnologia chinesa, atraindo fortes críticas de Pequim.

Na quarta-feira, no entanto, o presidente Joe Biden retirou uma série de decretos da era Trump que buscavam proibir novos downloads dos populares aplicativos WeChat e TikTok, de propriedade chinesa, e ordenou uma revisão do Departamento do Comércio das questões de segurança apresentadas por esses e outros aplicativos.

Com redução de estímulos do Fed próxima, BCs globais buscam rotas de saída

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TÓQUIO/JOANESBURGO/LONDRES (Reuters) - Assombrados por lembranças de aumentos anteriores dos juros nos Estados Unidos, os bancos centrais do mundo estão se preparando para uma transição à vida com menos estímulo global, com muitos países já sinalizando movimentos para sua saída.

Enquanto o Federal Reserve está publicamente comprometido em manter os juros próximos de zero --e nenhum aumento está previsto até, no mínimo, o final do próximo ano-- os comentários de autoridades sobre as pressões inflacionárias podem se tornar um coro nos próximos meses, tornando a redução uma perspectiva mais concreta e, provavelmente, aumentando a volatilidade nos mercados financeiros globais.

Em algumas economias desenvolvidas, uma retirada do estímulo monetário já está engatilhada.

Enquanto isso, os bancos centrais mais vulneráveis estão fortalecendo seus sistemas financeiros para evitar o tipo de fuga de capitais que atingiu os mercados emergentes em 2013, desencadeada por meros indícios de aperto do Fed após anos de política monetária ultra-flexível implantada durante a crise financeira global.

"Há uma grande divergência entre as economias que estão saindo da pandemia e as que estão atrás nesse processo. Alguns bancos centrais emergentes podem ser forçados a aumentar as taxas para defender suas moedas mesmo ao custo de prejudicar suas economias ainda frágeis", disse Takahide Kiuchi, ex-membro do conselho do banco central do Japão.

"Essa tendência pode se ampliar caso o Fed divulgue sua estratégia de redução nos próximos meses. Isso pode ser um dos riscos para a economia global", disse Kiuchi, atualmente economista do Nomura Research Institute.

O Fed disse que não começará a reduzir seu enorme estímulo até que haja um "progresso substancial" na recuperação do mercado de trabalho nos Estados Unidos.

Embora a recuperação do emprego permaneça em destaque, a inflação mais forte do que o esperado aumenta a possibilidade de o Fed apertar sua política monetária precocemente.

Por enquanto, os mercados estão se preparando para a chance de o banco começar a comunicar sua estratégia de redução no simpósio de Jackson Hole, em agosto, com possível ação no final do ano.

Alguns bancos centrais já estão respondendo.

Em abril, o banco central do Canadá se tornou o primeiro entre as nações do Grupo dos Sete (G7) a retirar o estímulo estabelecido na pandemia, e sinalizou que os juros podem começar a subir em 2022.

O banco central norueguês já anunciou planos para aumentar os juros no terceiro ou quarto trimestre de 2021.

A Nova Zelândia e a Coreia do Sul também deram sinais de que o endurecimento política monetária está na agenda conforme as condições melhoram.

Embora as decisões nesses países sejam principalmente impulsionadas por fatores internos, a eventual retirada do apoio do Fed parece ser um risco global para todos os bancos centrais.

As economias em desenvolvimento enfrentam os maiores riscos do aperto do Fed, que no passado causou oscilações no mercado à medida que o aumento dos juros dos EUA atraiu fundos para ativos em dólar e afastou-os dos mercados emergentes, como aconteceu em 1998 e 2013.

Os mercados asiáticos, epicentro da crise financeira asiática de 1998, permanecem em condições significativamente melhores, com fortes reservas estrangeiras para apoiar qualquer derrocada cambial.

"A desigualdade da economia global atual cria vários riscos para as economias emergentes", disse a ex-autoridade do banco central do Japão Nobuyasu Atago, que agora é economista da Ichiyoshi Securities do Japão.

Os bancos centrais de mercados emergentes mais vulneráveis, como Brasil, Gana e Armênia, já começaram seu ciclo de aperto em meio ao aumento de pressões inflacionárias.

O banco central da Rússia deve aumentar as taxas pela terceira vez consecutiva na sexta-feira, com a inflação bem acima de sua meta, de acordo com pesquisa da Reuters.

Por enquanto, autoridades em lugares como Tailândia, Filipinas e África do Sul acreditam que o Fed não agirá prematuramente e estão confiantes de que sua comunicação com os mercados será transparente, apesar de reconhecerem os riscos.

(Por Leika Kihara em Tóquio, Mfuneko Toyana em Joanesburgo, Karin Strohecker em Longres; Reportagem adicional de Jonathan Spicer em Istambul, Simon Johnson em Estocolmo, Swati Bhat em Mumbai, Gwladys Fouche em Oslo).

Estoques finais de café do Brasil devem despencar 57% em 2021/22, diz Safras

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SÃO PAULO (Reuters) - Os estoques finais de café do Brasil na temporada 2021/22 deverão ficar em apenas 2,48 milhões de sacas de 60 quilos, queda de 57% ante as reservas vistas no fim do ciclo anterior, estimou nesta quinta-feira a consultoria Safras & Mercado.

A oferta total do país em 2021/22 foi projetada pela consultoria em 62,33 milhões de sacas de 60 quilos, somando produção e estoques iniciais, queda de 16% no ano a ano.

A produção nacional deve alcançar 56,5 milhões de sacas, 19% a menos que em 2020/21, quando o país colheu uma safra recorde de 69,6 milhões de sacas e deixou estoques iniciais de 5,83 milhões de sacas.

"Nem mesmo a recuperação nos estoques ao final da temporada em 2020/21 foi capaz de atenuar o efeito da quebra da safra brasileira 2021", disse em nota o consultor da Safras & Mercado Gil Barabach, ao ressaltar que o cenário é de "forte aperto na oferta".

Ele destacou que a projeção para a safra brasileira 2021 foi prejudicada pelo clima irregular nos primeiros meses deste ano, porém, "o efeito da estiagem em abril e boa parte de maio será melhor captado com o andamento da safra e avanço do beneficiamento", acrescentou.

Na ponta da demanda, a consultoria estima as exportações brasileiras da temporada 2021/22 em 38,35 milhões de sacas, com diminuição de 18% ante o ciclo anterior.

Do total, as exportações de café verde devem responder por 34 milhões de sacas, recuo de 20% no ano a ano.

"O tombo no fluxo de embarques não será suficiente para conter o recuo em 57% nos estoques... Isso representa uma relação estoque-consumo de 12%, que confirma o aperto e traz preocupação ao abastecimento, explicando a firmeza dos preços."

COLHEITA

Também nesta quinta-feira, a consultoria disse que a colheita da safra 2021/22 de café chegou a 27% até o dia 8 de junho, um avanço de sete pontos percentuais ante a semana anterior. Os trabalhos estão em linha com o mesmo período do ano passado, mas um pouco atrasados ante a média histórica, de 29%.

Tomando por base a estimativa da Safras para a produção de café do Brasil em 2021/22, de 56,5 milhões de sacas, estariam colhidas 15,52 milhões de sacas até o dia 8 de junho.

Barabach afirmou que os trabalhos ganharam mais ritmo, apesar das chuvas ao longo da última semana. "A colheita do café arábica avançou um pouco mais, mesmo assim, de forma bem compassada. O avanço mais expressivo ficou por conta do conilon", comentou, em nota.

A colheita de arábica está em 17%, contra 21% em igual época do ano passado e 23% da média histórica para o período. "A primeira impressão da safra vem sendo bastante positiva, tanto em termo de granação como de bebida. Apesar do otimismo inicial, ainda é cedo para traçar um perfil", pontuou.

Já os trabalhos no conilon alcançam 43% da safra. Embora tenham avançado 12 pontos percentuais em comparação à semana anterior, continuam abaixo dos 44% de igual período do ano passado e aquém dos 48% de média dos últimos cinco anos. 

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Fonte:
Notícias Agrícolas/Reuters

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1 comentário

  • Paulo Gilberto Lunardelli CAMPINA DA LAGOA - PR

    Caro João Batista, a cerca de uns quinze anos passados, conversando com um italiano que estava aqui no Brasil à procura de soja convencional, o mesmo me relatou que a escoria italiana a mandaram para a Argentina.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Sr LUNARDELLI acho que o senhor deu muita importancia a um comentario desprezivel----So' no Brasil temos 30 milhoes de descendentes de italianos----No meio dessa escoria tem gente boa e gente comum como em qualquer canto do mundo---Mas sem Enrico Fermi que colocou em pratica as teorias atomicas, os Estados Unidos nao teriam a bomba atomica na segunda guerra---

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    • Paulo Gilberto Lunardelli CAMPINA DA LAGOA - PR

      Sr. Meloni, só estou defendendo o nosso Brasil, também sou descendente de italianos, o que me foi relatado pelo italiano é que os curvas de rio foram enviados para a Argentina.

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