"Por que não!" Milhares de brasileiros vão às ruas para impedir que a próxima eleição seja manipulada

Publicado em 02/08/2021 16:17 1112 exibições
Tempo & Dinheiro
Edição do Tempo&Dinheiro desta 2a.feira, 2 de agosto/21, com João Batista Olivi

Bolsonaro acusa Barroso de querer eleições manipuladas

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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro começou a semana com mais uma série de ataques ao sistema eleitoral do país, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao seu presidente, ministro Luiz Roberto Barroso, a quem acusou de querer "eleições manipuladas" ou que possa "trazer incertezas no futuro".

Os ataques a Barroso --que não será o presidente do TSE durante as eleições de 2022-- foram feitas em uma conversa com apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada, e, depois, em entrevista à rádio ABC, do Rio Grande do Sul.

"O que o Barroso quer? Ele quer eleições que possam ser manipuladas. Ou, no mínimo, gerar dúvidas no futuro", disse o presidente em entrevista à rádio.

Bolsonaro elegeu Barroso como seu principal inimigo ao tentar aprovar a Proposta de Emenda à Constituição que altera o atual sistema de votação com urnas eletrônicas, exigindo a impressão do voto. O ministro é contrário à medida, assim como a maior parte dos ministro do STF e ex-presidentes do TSE, que divulgaram nesta segunda uma nota rebatendo Bolsonaro.

"Todos os poderes têm limites. Eu tenho limites, porque alguns do STF acham que são donos da verdade, podem tudo e ninguém pode reclamar de nada?", disse Bolsonaro à rádio. "Então ele tem que baixar a crista dele um pouquinho e se adequar à realidade."

Bolsonaro acusa Barroso de fazer lobby para derrubar a PEC na comissão especial da Câmara, onde a proposta pode ser derrotada antes mesmo de chegar ao plenário. Em sua versão, o presidente do TSE foi ao Congresso conversar com parlamentares e fez com que mudassem votos na comissão. Na verdade, Barroso foi chamado para uma audiência pública para tratar do tema.

"Ele foi para dentro do Parlamento fazer lobby. O que ele ofereceu? O que ele tem de atraente?", insinuou o presidente, dessa vez em conversa com apoiadores no Alvorada.

O Congresso entrou em recesso sem que a comissão votasse a proposta pelo temor dos governistas de vê-la rejeitada, já que estão em minoria, mas pode ser votada já nesta semana e a tendência ainda é de derrota. 

Bolsonaro, que acusa o STF de ter liberado da prisão o ex-presidente Luiz Inácio Lula e ter suspenso os processos para torná-lo elegível e derrotá-lo em 2022, afirmou ainda, a seus apoiadores, que tudo é parte de um mesmo esquema para que ele não seja reeleito.

"O que eles fazem: a imprensa está aí para desinformar e falar mentira. Em cima dessas mentiras, vem o Datafolha. E depois tudo aí acertado tem a contagem na sala secreta pelo seu Barroso e meia dúzia de funcionários. Está justificado", disse.

No final de semana, Bolsonaro falou em mensagens por videoconferência para várias das manifestações a favor do voto impresso e incentivou a participação nos movimentos. Em São Paulo, para os apoiadores que se reuniram na avenida Paulista, Bolsonaro voltou a ameaçar as eleições de 2022. "Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição", disse.

Perguntado na rádio se confirmava a frase, Bolsonaro disse que sim, mas mudou o tom.

"Confirmo. Não haverá eleições democráticas. Qualquer um quer eleições limpas. Sem eleições limpas e democráticas não têm eleições de verdade. Tem é uma farsa, tem algo que pode se chamar de tudo, menos de eleições", disse.

Perguntado se, mesmo sem o voto impresso seria candidato à reeleição, Bolsonaro não respondeu. Disse apenas que quem disputa eleição não pode perder e reclamar depois, já que cabe ao TSE e depois ao STF julgar eventuais recursos.

Voto impresso não é mecanismo adequado de auditoria, dizem Barroso e ex-presidentes do TSE

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BRASÍLIA (Reuters) - A impressão do voto digitado na urna eletrônica não é um mecanismo adequado de auditoria e o sistema eletrônico de votação é auditável em todas as suas etapas, afirmaram em nota nesta segunda-feira o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, e 17 ex e futuros presidentes da corte eleitoral.

O documento, divulgado em meio às constantes acusações sem provas do presidente Jair Bolsonaro de que a urna eletrônica é sujeita a fraudes e aos frequentes ataques dele a Barroso, afirma ainda que desde a implementação da urna eletrônica, em 1996, nunca foi comprovada a existência de fraude no processo eleitoral.

"O voto impresso não é um mecanismo adequado de auditoria a se somar aos já existentes por ser menos seguro do que o voto eletrônico, em razão dos riscos decorrentes da manipulação humana e da quebra de sigilo", afirma a nota.

Bolsonaro tem defendido a aprovação pelo Congresso de uma Proposta de Emenda à Constituição que estabeleça a impressão do voto após ele ser digitado na urna e tem afirmado que, sem a adoção dessa medida, a eleição do ano que vem, quando ele deverá tentar se reeleger, será uma farsa.

Barroso confunde ao falar em recontagem geral

Na nota, Barroso e demais autoridades e ex-autoridades afirmam que "a contagem pública manual de cerca de 150 milhões de votos significará a volta ao tempo das mesas apuradoras, cenário das fraudes generalizadas que marcaram a história do Brasil".

"Ao longo dos seus 25 anos de existência, a urna eletrônica passou por sucessivos processos de modernização e aprimoramento, contando com diversas camadas de segurança", afirmam.

Povo não aceita solução de crises fora da Constituição, diz Fux

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BRASÍLIA (Reuters) - Em um recado indireto ao presidente Jair Bolsonaro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, afirmou nesta segunda-feira em discurso de abertura do semestre do Judiciário que o povo brasileiro jamais aceitaria a solução de uma crise fora dos limites da Constituição e destacou que não há "superpoderes" no país.

"Numa sociedade democrática, momentos de crise nos convidam a fortalecer --e não deslegitimar-- a confiança da sociedade nas instituições. Afinal, no contexto atual, após 30 anos de consolidação democrática, o povo brasileiro jamais aceitaria que qualquer crise, por mais severa, fosse solucionada mediante mecanismos fora dos limites da Constituição", disse.

Para Fux, os Poderes em geral atuam de forma independente e harmônica, "sem que haja superpoderes entre aqueles instituídos pela ordem constitucional".

"Porém, harmonia e independência entre os Poderes não implicam impunidade de atos que exorbitem o necessário respeito às instituições", alertou.

O discurso do presidente do STF ocorre na esteira da escalada de ataques feitos por Bolsonaro à cúpula do Judiciário por dois principais motivos.

O primeiro é a atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, e outros ministros para barrar a mudança no atual sistema de votação, com a eventual adoção do voto impresso para urnas eletrônicas. Bolsonaro tem ameaçado não aceitar um resultado eleitoral com as urnas eletrônicas.

Em segundo lugar, está o debate sobre as atribuições do governo federal no enfrentamento à pandemia de coronavírus.

No discurso, Luiz Fux pregou o diálogo como o símbolo da democracia.

Autoridades chinesas prendem cantor pró-democracia em Hong Kong por "conduta corrupta"

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HONG KONG (Reuters) - A agência anticorrupção de Hong Kong acusou nesta segunda-feira um cantor e ativista pró-democracia proeminente, Anthony Wong, de "conduta corrupta" em um comício eleitoral de 2018, a ação legal mais recente das autoridades contra a dissidência na cidade governada pela China.

A Comissão Independente contra a Corrupção (Icac) disse em um comunicado que Wong proporcionou "entretenimento para induzir outros a votarem" no ativista pró-democracia Au Nok-hin em uma eleição especial do conselho legislativo em 2018.

"No comício, Wong tocou duas músicas no palco. No final da apresentação, ele apelou aos participantes do comício para que votassem em Au na eleição", escreveu a comissão, acrescentando que ele violou o Ordenamento de Conduta Eleitoral Corrupta e Ilegal.

Se condenado, ele pode ser preso por até sete anos e multado com o equivalente a 64 mil dólares, diz o ordenamento.

Não foi possível fazer contato de imediato com Wong, que tem 59 anos e despontou para o estrelado na dupla pop Tat Ming Pair nos anos 1980, para obter comentários.

Au, que venceu a eleição, também foi acusado. Os dois devem comparecer ao tribunal na quinta-feira para apelar das acusações.

Au não estava disponível para comentar. Em abril, ele foi preso por 10 meses por organizar uma assembleia ilegal. Ele também foi preso com 46 outros democratas destacados neste ano devido a uma suposta conspiração para cometer subversão nos termos de uma lei de segurança nacional abrangente sancionada no ano passado.

Yara vende projeto de fosfato em MG à EuroChem por US$ 410 mi; faz baixa contábil

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(Reuters) - A empresa norueguesa do setor de fertilizantes Yara assinou acordo com a EuroChem para vender seu projeto de mineração de fosfato Salitre, em Minas Gerais, por um valor equivalente a 410 milhões de dólares, informou a companhia ao mercado nesta segunda-feira.

A companhia pontuou que Salitre continua atraente, mas que o andamento do projeto foi impactado pela pandemia de Covid-19, além de requerer investimentos de centenas de milhões de dólares.

"O desinvestimento de Salitre, portanto, apoia a transformação da Yara, realocando o apetite de capital e risco nos próximos anos para as áreas de foco estratégico da Yara", disse a companhia no comunicado.

O dispêndio de capital estimado necessário para atingir a conclusão é de magnitude semelhante ao valor de desinvestimento, pontuou a Yara.

Devido ao desinvestimento, a empresa deverá reportar uma redução no valor recuperável de aproximadamente 400 milhões de dólares no terceiro trimestre.

A transação deverá ser concluída em aproximadamente seis meses e está condicionada à obtenção das aprovações regulatórias locais necessárias e às condições habituais de fechamento.

StoneX estima nova safra de soja do Brasil em 143,3 mi t; vê mais milho verão

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SÃO PAULO (Reuters) -A produção brasileira de soja deve alcançar o recorde de 143,3 milhões de toneladas em 2021/22, alta de 5,6% no comparativo anual, estimou nesta segunda-feira a consultoria StoneX em sua primeira projeção para a próxima temporada, com plantio em meados de setembro.

A área plantada para o novo ciclo foi estimada em 40,1 milhões de hectares, alta de 1,5 milhão ante a temporada anterior.

Considerando um clima dentro da normalidade, o rendimento médio nacional foi estimado em 3,57 toneladas por hectare.

"O clima começará a ser acompanhado de perto, após chuvas abaixo do usual durante boa parte de 2021 e lembrando dos atrasos ocorridos na regularização das precipitações em 2020", disse a especialista de inteligência de mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi.

Segundo ela, em meio a preços fortalecidos e perspectivas favoráveis para a demanda ao redor do mundo, o Brasil tem uma "posição privilegiada", pois conta com área disponível para o avanço da agricultura, sem precisar ocupar vegetação nativa.

Caso o recorde de produção esperado pela StoneX seja atingido, o balanço de oferta e demanda da soja teria espaço para ficar "mais folgado".

E a exportação no maior produtor e exportador mundial da oleaginosa deverá crescer para 92 milhões de toneladas em 2022, versus 85,5 milhões neste ano, enquanto a demanda interna deverá aumentar para 49 milhões de toneladas, ante 47,5 milhões em 2021.

Nesse cenário, os estoques finais em 2022 ficariam em 6,32 milhões de toneladas, ante 3,8 milhões em 2021.

Para 2021, houve uma elevação da estimativa de importação, para 900 mil toneladas.

MILHO

Em sua primeira estimativa para a safra de milho verão 2021/22 do Brasil, a StoneX apontou 29,8 milhões de toneladas, crescimento de 15,7% no comparativo anual, com um ligeiro aumento de área após a temporada anterior sofrer com o clima, e os preços se fortalecerem.

Há expectativa de aumento na área plantada para 4,45 milhões de hectares, ante 4,2 milhões em 2020/21, em meio ao balanço de oferta e demanda restrito, com a quebra da safrinha em 2021.

"Assim como para a soja, o clima será central para se atingir esses números, lembrando que o cereal também foi afetado pelo clima irregular...", disse em relatório.

A StoneX ainda não está divulgando números da segunda safra 2021/22 e por isso adotou o maior nível que foi estimado anteriormente para o ciclo de inverno 2020/21, de 82,4 milhões de toneladas, para desenhar o balanço.

A produção total de milho em 2021/22 teria potencial para atingir recorde de 113,94 milhões de toneladas.

Neste contexto, as exportações de milho em 2022 poderiam atingir 40 milhões de toneladas, ante 19 milhões em 2021, cuja safra sofreu com seca e mais recentemente com geadas.

A demanda doméstica de milho seguirá crescente no ano que vem, atingindo 72,5 milhões de toneladas, alta anual de 1 milhão de toneladas.

COLHEITA ATUAL

Para o milho da safra que está sendo colhida (ciclo 2020/21), seriamente atingida por intempéries, a StoneX calcula produção total em 87,14 milhões de toneladas, contra 87,9 milhões de toneladas apontadas no relatório anterior.

Essa nova estimativa para o milho é a menor desde 2017/18, quando o país produziu 80,7 milhões de toneladas do cereal, ressaltou a consultoria em nota.

A projeção para a segunda safra de milho 2020/21 foi novamente revisada para baixo, de 60,5 milhões para 59,6 milhões de toneladas, após geadas ocorridas no mês passado.

"O corte de mais de 800 mil toneladas resultou de uma expectativa de menor produtividade em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, destacando que esse último Estado, juntamente com o Paraná, foram os mais atingidos por geadas no último mês", explicou a consultoria.

Para o Sudeste, o avanço da colheita da segunda safra tem mostrado que os impactos do déficit hídrico sobre os rendimentos do cereal foram maiores do que se esperava anteriormente.

Renascimento do trabalho nos EUA é posto em dúvida conforme variante Delta levanta temores sobre volta às aulas

WASHINGTON (Reuters) - Em abril, quase um ano depois de ter sido demitida de sua empresa do setor hoteleiro devido à pandemia, Sara Gard ainda estava se adaptando ao novo emprego em serviços financeiros, que ela conciliava com as aulas remotas da filha.

Então, quando a escola de sua filha de seis anos, ao norte de Atlanta, Geórgia, deu aos pais a opção de escolher aulas presenciais para seus filhos assim que o novo ano letivo começasse, em agosto, Gard se inscreveu e se sentiu bem com sua decisão.

Isto é, até um recente aumento nos casos de Covid-19 causados ??pela variante Delta, que é altamente transmissível. O uso de máscaras no distrito escolar é altamente recomendado, mas não obrigatório, e sua filha é muito jovem para ser vacinada. Gard agora passa noites em claro reconsiderando a decisão.

Se ela decidir deixar sua filha estudando online - o que ainda está em oferta - terá de ceder em algo. O emprego de seu marido é em um hospital e o empregador de Gard, com quem ela começou a trabalhar em novembro do ano passado, quer que ela passe mais dias no escritório. "Não é sustentável para mim ou para meu marido", disse Gard, de 40 anos. "O estresse está me matando."

As expectativas de uma rápida recuperação econômica nos Estados Unidos dependem em grande parte de mais trabalhadores em empregos assim que as aulas presenciais voltarem neste outono do hemisfério norte. Mas a variante Delta pode prejudicar essas expectativas caso os pais, especialmente as mulheres, permaneçam ou forem forçados a ficar em casa.

"Você pode imaginar as escolas decidindo esperar um mês ou dois até que a onda (da variante) Delta passe. Não estou dizendo que vai acontecer, mas é fácil imaginar isso. Também é fácil imaginar que algumas pessoas podem dizer que vão apenas esperar alguns meses antes de voltar ao trabalho", disse o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, na quarta-feira.

"Se as escolas não forem abertas, os responsáveis ??terão que ficar em casa e se as pessoas não voltarem para a força de trabalho, o crescimento do emprego não será tão forte."

AQUI VAMOS NÓS NOVAMENTE?

A recuperação do emprego tem sido notavelmente irregular para as mulheres, que sofreram uma parcela maior das perdas de empregos no início da pandemia.

Muitas haviam retornado à força de trabalho durante o verão do hemisfério norte, mas em agosto e setembro do ano passado mais de 1 milhão de mulheres com 20 anos ou mais deixaram a força de trabalho, já que a maioria das escolas reabriu apenas para o ensino online e as crianças ficaram em casa.

Neste ano, as mulheres voltaram à força de trabalho em maior número do que os homens, acompanhando o aumento do ensino presencial com o passar do ano letivo e a reabertura de uma série de indústrias nas quais elas possuem grande representação.

Agora, a incerteza em torno da frequência escolar arrisca limitar esse ímpeto.

Conforme as escolas se preparam para a reabertura, as proteções variam amplamente. A Califórnia e seis outros Estados exigem que todas as crianças usem máscaras nas escolas, assim como muitas cidades grandes, incluindo Boston e Chicago, de acordo com dados compilados pelo site de rastreamento Burbio.

No Texas e em sete outros Estados, responsáveis ??por 25% das crianças em idade escolar, as escolas não podem exigir máscaras.

"É absolutamente uma preocupação à medida que avançamos para o próximo ano letivo o fato de termos essa variante mais contagiosa e este ser um grupo de indivíduos que ainda não está elegível para a vacinação", disse o Dr. Sean O'Leary, pediatra especialista em doenças infecciosas da Universidade do Colorado, Anschutz Medical Campus e vice-chair do Comitê de Doenças Infecciosas da Academia Americana de Pediatria.

UBS BB passa a ver Selic de 8% em 2021 por inflação e crescimento mais altos

SÃO PAULO (Reuters) - Na semana da decisão do Copom, o UBS BB promoveu um forte aumento em suas previsões para a taxa básica de juros ao fim de 2021, agora vendo Selic de 8%, com uma recuperação mais forte da economia impactando uma inflação já em alta.

Com isso, os juros terminam este ano já acima do nível neutro, considerado em torno de 6,5%, previsão anterior da instituição financeira. A Selic está atualmente em 4,25%, em alta desde março, quando ainda estava na mínima recorde de 2%.

O UBS BB também espera que o Banco Central acelere o ritmo de altas para 100 pontos-base na próxima quarta-feira. Essa magnitude se manteria nas reuniões de setembro e outubro, caindo a 75 pontos-base em dezembro.

Alexandre de Ázara e Fabio Ramos, que assinam o relatório, disseram que o principal motivo para a mudança na previsão decorre da leitura de que o BC está contando com um ritmo menor de crescimento econômico em comparação com os números da pesquisa Focus e do próprio UBS BB. O menor crescimento decorreria de uma revisão para baixo na expansão do primeiro trimestre, que sairia de 1,2% para 0,6%.

Mas Ázara e Ramos veem esse ajuste como "muito improvável" e que, sem o menor crescimento na conta, o BC provavelmente estimaria aumento do PIB perto de 5,5% neste ano, equivalente a uma redução de cerca de 1% no hiato do produto, o que por sua vez se traduziria num prognóstico de inflação 0,5% maior para 2022.

Essa revisão, por fim, exigiria um adicional de aperto monetário de 150 pontos-base a 200 pontos-base.

"Esse orçamento adicional de alta de juros aumentaria a taxa nominal de 6,5% para a faixa de 8,0% a 8,5%. Escolhemos 8% como taxa preferencial, mas acreditamos que ainda há algum risco de alta", disseram os economistas.

Eles entendem que o Banco Central brasileiro tem sido o mais "hawkish" (inclinado a aperto monetário) e está ficando cada vez mais "hawkish", com uma Selic acima do nível neutro podendo ser necessária para manter a inflação de 2022 na meta de 3,5%.

"Parafraseando o ex-presidente de banco central Mario Draghi, acreditamos que (o BC brasileiro) fará "o que for preciso"."

Crescente ruído político doméstico pressiona real e pode inclinar curva de juros, diz Morgan Stanley

SÃO PAULO (Reuters) - Os crescentes ruídos políticos mais recentes impõem um cenário negativo para o real e geram risco de nova pressão nas taxas de juros de longo prazo, em meio a aumento do receio de uma abordagem fiscal menos conservadora, disseram estrategistas do Morgan Stanley em relatório nesta segunda-feira.

No caso do câmbio, os profissionais citaram que um nível já carregado de posicionamento favorável ao real, "valuations" caros e elevada sensibilidade aos movimentos do dólar no exterior pesam contra a moeda brasileira, com o risco/retorno do real prejudicado mesmo com a perspectiva de que o Banco Central eleve os juros.

"Achamos que a moeda terá dificuldade em sair de uma faixa de 5,00 reais a 5,60 reais no curto prazo e vemos (o mercado de) opções como o mais interessante", disseram, mantendo recomendação de venda de puts (opções de venda) de dólar/real para três meses com delta (uma medida de sensibilidade da opção) 25.

O dólar à vista oscilava em torno de 5,13 reais nesta segunda-feira, queda de 1,5% no dia, devolvendo, assim, parte da disparada da sexta-feira ditada por renovados temores sobre gastos.

Num estudo separado no mesmo relatório, os profissionais destacaram que a moeda brasileira está entre as mais sensíveis às movimentações do iuan chinês, junto com dólar australiano, peso colombiano e rand sul-africano.

Os temas políticos também podem afetar os DIs mais longos, que vêm reduzindo a inclinação ante as taxas mais curtas tanto pelos movimentos de política monetária doméstica quanto pela melhora em recentes dados fiscais.

Os estrategistas do banco norte-americano avaliaram que a cada vez maior desaprovação do governo e a proximidade da eleição de 2022 sugerem potenciais riscos em direção a uma política fiscal menos austera.

"Isso poderia, em último caso, criar renovada pressão de alta para os juros longos, especialmente com o excesso de prêmio a termo se movendo para perto de zero", disseram.

O spread de taxa entre os DIs janeiro 2025 e janeiro de 2023, que em março chegou a 179 pontos-base, estava em 86,5 pontos-base nesta sessão, mas acima de 77 pontos-base de 28 de julho.

Exportação de milho do Brasil cai 50% em julho em meio a quebra de safra

SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de milho do Brasil somaram 1,98 milhão de toneladas em julho, queda de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, mostraram dados do governo federal nesta segunda-feira, pressionadas por uma forte quebra na segunda safra do cereal após problemas climáticos.

Em julho do ano passado, o país embarcou 3,98 milhões de toneladas de milho, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No início do mês passado, reportagem da Reuters apontou que os embarques cairiam pela metade.

A "safrinha" do cereal 2020/21 está em plena colheita, porém com atraso devido a um plantio tardio. Passou por seca durante o desenvolvimento em alguns dos principais Estados produtores e também por geadas.

Apesar da queda de 50% nos embarques do mês passado, ainda houve uma melhora no ritmo de exportações de milho no final de julho. Até a quarta semana, a média diária de vendas externas estava em 65,9 mil toneladas, indicando que o mês poderia fechar com perda superior a 60% ante julho de 2020 --caso a média fosse mantida até a quinta semana.

Também de acordo com os dados da Secex, as exportações de soja atingiram 8,66 milhões de toneladas, ante 9,95 milhões em julho de 2020, visto que grandes embarques da oleaginosa já foram realizados em meses anteriores neste ano.

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Fonte:
Reuters/T&D

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