Relatório de estoques do USDA derruba cotações da soja; China entra em férias por 1 semana. E agora?

Publicado em 30/09/2021 15:34 e atualizado em 30/09/2021 17:39 1225 exibições
Tempo & Dinheiro
Edição do Tempo&Dinheiro desta 5a.feira, 30/setembro/21, com João Batista Olivi

De chips a navios, escassez faz inflação persistir - levantamento da Reuters

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LONDRES (Reuters) - Disparada dos preços do gás, falta de trabalhadores, escassez de navios --as pressões sobre os preços em todo o mundo podem estar aumentando mais rápido do que o previsto, desafiando a visão de que a inflação será transitória.

Os banqueiros centrais, embora confiantes de que inflação arrefecerá, estão começando a admitir que ela pode ficar elevada por mais tempo à medida que uma série de questões eleva os preços de bens e serviços e aumenta as expectativas de inflação.

Em última análise, suas conclusões determinarão a rapidez com que as autoridades vão reduzir seus trilhões de dólares em estímulo monetário, desembolsados para compensar a crise da Covid-19.

Aqui estão cinco elementos-chave no debate sobre a inflação:

1) ENERGIA

Os preços do gás na Europa e nos EUA dispararam mais de 350% e 120%, respectivamente, este ano. O petróleo está em alta de cerca de 50% e o Goldman Sachs espera que o Brent atinja 90 dólares o barril até o final de 2021, ante cerca de 80 dólares atualmente.

Muitos economistas consideram que os preços mais altos do gás vieram para ficar, devido à desaceleração da produção dos EUA, aumento dos custos das licenças de emissão de carbono para poluidores e freios no uso de combustíveis mais poluentes.

Enquanto isso, na China, onde a inflação ao produtor atingiu 9,5% em agosto, cortes de energia reduziram a produção de bens de cimento a alumínio.

2) CHIPS

Os semicondutores, ou chips como são conhecidos, são minúsculos, mas estão tendo um impacto descomunal nas fábricas globais.

Os preços dos chips subiram e a gigante de semicondutores TSMC está ponderando aumentos adicionais de até 20%. Isso afetará tudo, de eletrônicos e carros a telefones e máquinas de lavar. Mas os próprios fabricantes de chips enfrentam custos mais altos de insumos, desde commodities até energia.

"Parece provável que a escassez de semicondutores persistirá no próximo ano", disse Jack Allen-Reynolds, economista sênior europeu da Capital Economics.

3) ALIMENTOS

Os preços globais dos alimentos avançaram 30% em agosto em comparação com o mesmo período do ano anterior, mostrou um índice compilado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura -- um sinal de disseminação das pressões sobre os preços.

Embora os preços mais altos das commodities agrícolas estejam por trás do salto, analistas do JPMorgan também atribuem a inflação dos preços dos alimentos a pressões relacionadas à pandemia, como interrupções de logística e custos de transporte.

4) SUSTENTABILIDADE

Regras estritas para orientar a transição para um futuro mais sustentável também são responsabilizadas por alimentar a 'inflação verde', por exemplo, ao fechar fábricas, veículos, navios e minas poluentes, reduzindo por sua vez o fornecimento de bens e serviços essenciais.

Os preços das permissões para emissão de carbono na Europa dobraram este ano para 65 euros a tonelada. Um preço de 100 euros elevaria os preços da energia no varejo europeu em 12%, acrescentando 35 pontos-base à inflação da zona do euro, estimou o Morgan Stanley em junho.

Existem outros exemplos. A queda nas encomendas de navios devido à aproximação de mudanças nas regras sobre os combustíveis pode ser um fator favorável para os preços de transporte, que já avançaram 280% este ano.

5) SALÁRIOS

À medida que os preços sobem, também aumentam as expectativas de inflação entre os consumidores, que, consequentemente, exigem aumentos salariais.

O quadro de crescimento salarial é misto. Os ganhos médios por hora nos EUA aumentaram 0,6% em agosto e as expectativas de inflação de cinco anos no país estão em torno de 3%, mostram pesquisas.

Em alguns setores do Reino Unido, os ganhos avançaram até 30% este ano. Os custos trabalhistas da área do euro caíram no segundo trimestre, mas a inflação, assim como as expectativas de inflação, está subindo.

"Talvez os mercados estejam um pouco extremos em suas precificações, mas não estou recomendando aos investidores que desistam dessa posição", disse Jorge Garayo, estrategista sênior de juros do Société Générale.

Reino Unido tem dia de caos com postos secos, falta de remédios e possível abate de porcos

LONDRES (Reuters) - Mais de dois mil postos de combustível do Reino Unido ainda estavam secos nesta quinta-feira devido a uma escassez de caminhoneiros que começa a transtornar as entregas às farmácias, e criadores alertaram que a falta de açougueiros pode provocar um abate de porcos em massa.

Em uma semana caótica que testemunhou pessoas brigando em postos e outras enchendo garrafas de água com gasolina, ministros britânicos dizem repetidamente que a crise está se amenizando, mas na quarta-feira ordenaram que militares começassem a conduzir caminhões-tanque.

Ministros rejeitam as acusações de que a escassez de caminhoneiros tenha sido causada pela saída britânica da União Europeia, apontando para limitações semelhantes em outros locais depois que os lockdowns da Covid impediram dezenas de milhares de exames de habilitação.

A Associação de Varejistas de Petróleo (PRA), que representa 65% dos 8.380 postos britânicos, disse que nesta quinta-feira membros relataram que 27% das bombas estão secas, 21% só tinham um tipo de combustível em estoque e 52% tinham gasolina e diesel suficientes.

"Isso está acabando mais rápido do que o normal devido à procura inédita", disse o diretor-executivo da PRA, Gordon Balmer, acrescentando que ainda está ouvindo falar de agressões verbais e físicas contra funcionários de postos.

Repórteres da Reuters visitaram sete postos de combustível de Londres e áreas adjacentes nesta quinta-feira. Dois estavam abertos. Uma fila de dezenas de motoristas se estendia de um dos postos em funcionamento, no qual empregados tentavam organizar a fila.

A carência de motoristas de caminhões é tal que as drogarias estão sendo afetadas.

"Toda a cadeia de suprimentos é impactada, do suprimento que chega aos depósitos do atacado às entregas que saem dos depósitos às farmácias", disse a porta-voz da associação que representa grandes redes farmacêuticas.

Além de combustível e remédios, o setor agropecuário alertou que centenas de milhares de porcos podem ter que ser sacrificados em semanas, a menos que o governo emita vistos para permitir que mais açougueiros entrem no país.

Inflação na Alemanha bate recorde em setembro

BERLIM (Reuters) - A inflação alemã acelerou e foi a um patamar recorde em setembro, mostraram dados nesta quinta-feira, destacando as crescentes pressões sobre os preços à medida que a maior economia da Europa se recupera da pandemia e suas empresas lutam contra a escassez de oferta.

Os preços ao consumidor, ajustados para torná-los comparáveis ??aos dados de inflação de outros países da União Europeia (UE), aumentaram 4,1% no comparativo anual, ante 3,4% em agosto, informou o Escritório Federal de Estatísticas.

Essa foi a taxa mais alta registrada desde janeiro de 1997, quando a série harmonizada da UE teve início.

A análise dos dados mostrou que os preços da energia e dos alimentos foram os que mais subiram.

Christian Lindner, líder do Partido Liberal Democrático (FDP) --visto como favorável ao mercado e candidato a se tornar o próximo ministro das Finanças em uma possível coalizão tríplice com o Partido Social-Democrata (SPD) e os Verdes--, acessou o Twitter para pedir um retorno a uma política fiscal mais conservadora.

Ele disse que a alta taxa de inflação é outro lembrete de que os formuladores de política monetária "deveriam se concentrar em reduzir a carga para a classe média e retornar a sólidas finanças públicas".

Sob o comando do ministro das Finanças Olaf Scholz, que está na liderança para suceder a chanceler Angela Merkel após a vitória do SPD nas eleições, a Alemanha abandonou sua política fiscal de orçamentos equilibrados e contraiu novos valores recordes de dívidas para combater a pandemia.

Bostic, do Fed, diz que crescimento e inflação nos EUA justificam alta do juro em 2022 e 3 em 2023

WASHINGTON (Reuters) - O crescimento econômico contínuo levará os Estados Unidos ao quase pleno emprego até o fim de 2022, com os juros começando a subir no próximo ano e "sem impedimento" para um ritmo mais rápido de elevação das taxas depois disso, disse nesta quinta-feira o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic.

"Tenho a economia operando muito forte... e se aproximando do pleno emprego no fim de 2022. Não haverá impedimentos para a normalização (monetária) em 2023", disse Bostic.

A jornalistas, Bostic disse sentir que o Fed já cumpriu suas metas para reduzir as compras de títulos e que o nível atual de inflação e crescimento do emprego garantirá um primeiro aumento nos juros no próximo ano e três altas em 2023.

Crise energética da China afeta funcionamento de fábricas

SHENYANG, China (Reuters) - Pequenas empresas afetadas pela crise energética prolongada da China estão ligando geradores a diesel ou simplesmente fechando, autoridades do setor carvoeiro expressaram temores a respeito dos estoques antes do inverno e a manufatura encolheu na segunda maior economia do mundo.

Pequim está correndo para disponibilizar mais carvão para prestadoras de serviço para restaurar o suprimento enquanto o nordeste do país sofre seus piores blecautes em anos, particularmente nas três províncias de Liaoning, Heilongjiang e Jilin, que abrigam quase 100 milhões de pessoas.

Gao Lai, que administra uma lavanderia industrial de Shenyang, a capital de Liaoning, disse que está perdendo dinheiro desde que a crise energética o obrigou a alugar um gerador a diesel.

"Só podemos pagá-lo durante quatro dias, mas se for por mais tempo, os custos são excessivos, não conseguimos sobreviver", disse ele à Reuters.

As restrições foram provocadas pela escassez de carvão, que alimenta cerca de dois terços da geração de energia da China.

Os futuros do carvão termal da China fecharam esta quinta-feira com um aumento de 4,2% na Bolsa de Commodities de Zhengzhou depois de atingirem uma alta histórica de 218 dólares por tonelada.

O contrato disparou 96% no período de julho a setembro por causa dos suprimentos baixos e da procura elevada, seu maior salto trimestral desde o primeiro trimestre de 2017, levando a bolsa a estabelecer limites para as transações.

Separadamente, dados oficiais mostraram que a atividade industrial chinesa se contraiu em setembro pela primeira vez desde fevereiro de 2020.

Desde a semana passada, mais de 100 empresas, que vão de fabricantes de componentes eletrônicos a mineradoras de ouro, notificaram os mercados de ações sobre suspensões na produção, mas algumas disseram que a retomaram nos últimos dois dias.

A tensão chega no momento em que a Associação do Setor Carvoeiro da China alertou que "não está otimista" a respeito dos suprimentos antes do inverno, a temporada de maior demanda, e acrescentou que os estoques de usinas de energia agora estão "obviamente baixos".

A entidade pediu às empresas que "não poupem esforços" para aumentar o suprimento e se concentrem nas vendas a consumidores menores de alta energia que não assinaram contratos de suprimento de longo prazo.

Embora a produção de carvão tenha atingido um pico em agosto, analistas do banco de investimento chinês CICC disseram que uma sequência recente de acidentes em minas fez as agências reguladoras ficarem mais cautelosas com a aprovação de expansões da produção.

(Por Gabriel Crossley em Shenyang e Shivani Singh em Pequim; reportagem adicional de Min Zhang em Pequim, Brenda Goh e David Stanway em Xangai, Aizhu Chen em Cingapura e Tom Daly)

Premiê chinês diz que garantirá fornecimento energético, segundo mídia estatal

PEQUIM (Reuters) - A China garantirá o fornecimento energético e manterá as operações econômicas dentro de uma faixa razoável, noticiou a mídia estatal citando o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, nesta quinta-feira.

A China vai manter a continuidade e estabilidade de suas políticas macroeconômicas e aumentará a efetividade da política monetária, disse Li, acrescentando que o país fará pequenos ajustes preventivos.

Contratos podem ser ajustados para reduzir preços de combustíveis, diz Bolsonaro

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nessa quinta-feira que o governo não quer quebrar contratos na área de combustíveis, mas disse que é possível "ajustar" os acordos firmados para encontrar formas de reduzir os preços cobrados dos consumidores.

"Ninguém quer quebrar contrato, mas ajustar ou reajustá-lo, podemos fazer isso", disse Bolsonaro em discurso durante cerimônia em Belo Horizonte. "Tem fatores que encarecem que temos que buscar solução. É fácil buscar isso? Não é fácil. Os monopólios, oligopólios, são enormes. Mas a gente vai mudando devagar."

O presidente afirmou que é necessário "buscar formas legais" de resolver a alta do preço do gás de cozinha e dos combustíveis no país, e citou que o Brasil produz gás e é autossuficiente em petróleo.

Por falta de capacidade de refino o país exporta petróleo e importa parte de derivados para compor o combustível usado no Brasil.

Bolsonaro também voltou a citar projeto de lei enviado pelo governo para fixar a alíquota do ICMS sobre os combustíveis e disse que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), prometeu colocá-lo em votação ainda nesta semana ou na próxima.

Desemprego no Brasil cai a 13,7% mas mais de 14 mi ainda buscam trabalho

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A taxa de desemprego voltou a recuar no Brasil no trimestre encerrado em julho diante do aumento no número de pessoas ocupadas, dando prosseguimento à retomada do mercado de trabalho, mas mais de 14 milhões de trabalhadores ainda estão sem emprego e os informais se destacam.

A taxa de desemprego caiu a 13,7% nos três meses até julho, de 14,1% no segundo trimestre, segundo os dados desta quinta-feira do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado mostrou ainda queda na comparação com a taxa de 14,7% do trimestre imediadamente anterior, de fevereiro a abril, e também em relação ao mesmo período de 2020, quando foi de 13,8%.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de que a taxa fosse de 13,9% entre maio e julho.

Nesse período, o contingente de pessoas ocupadas aumentou 3,6% sobre o trimestre imediatamente anterior, chegando a 89,042 milhões. Em relação ao mesmo período de 2020, o aumento foi de 8,6%.

Com isso, o nível de ocupação subiu 1,7 ponto percentual e chegou a 50,2%.

"Essa é a primeira vez, desde o trimestre encerrado em abril de 2020, que o nível de ocupação fica acima de 50%, o que indica que mais da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país", explicou a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

"Mas no geral ainda há um caminho a ser percorrido na direção de recuperar o início de 2020, ou seja, antes da pandemia", completou.

Já o número de desempregados no Brasil teve queda de 4,6% em relação aos três meses até abril, mas ainda atinge 14,085 milhões de brasileiros. Na comparação com o período de maio a julho de 2020, houve um aumento de 7,3%.

Aqueles que tinham carteira no setor privado somavam 30,631 milhões entre maio e julho, um aumento de 3,5% em relação ao trimestre anterior.

INFORMAIS

Mas os empregados sem carteira aumentaram 6,0% e eram 10,339 milhões na mesma base de comparação, o que indica aumento dos trabalhos informais --a taxa de informalidade subiu de 39,8% do trimestre móvel anterior para 40,8%, nos três meses encerrados em julho. O trabalho informal inclui aqueles sem carteira assinada, sem CNPJ ou trabalhadores sem remuneração.

"Eles (informais) continuam sendo os impulsionadores da ocupação, mas já há um crescimento da carteira ajudando na recuperação", disse Berenguy.

De acordo com o IBGE, o trabalho por conta própria manteve a trajetória de crescimento e atingiu o patamar recorde de 25,2 milhões de pessoas, um aumento de 4,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

O trabalho doméstico aumentou 7,7% e somou 5,3 milhões pessoas entre maio e julho, também um recorde da série histórica.

Entre as atividades econômicas, o crescimento da ocupação foi de 10,3% na construção, seguida por alojamento e alimentação (9,0%), serviços domésticos (7,7%), transporte, armazenagem e correio (4,9%), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (4,5%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (3,2%).

"Algumas atividades recuperaram perdas de 2020, mas muitas ainda não. Qualquer recuperação passa pela superação das dificuldade impostas pela pandemia", disse Berenguy.

O IBGE informou ainda que o rendimento médio real dos trabalhadores caiu 2,9% frente ao trimestre anterior e 8,8% em relação ao mesmo trimestre de 2020, ficando em 2.508 reais.

BC calcula alta do PIB de 2,1% em 2022, impactada por ciclo de aperto nos juros

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central divulgou pela primeira vez sua projeção de crescimento econômico para 2022, de 2,1%, ajustando ligeiramente a perspectiva de alta neste ano a 4,7%, de patamar de 4,6% estimado em junho, alertando que o ciclo de elevação da taxa básica de juros conduzido para domar uma inflação descrita como "intensa e disseminada" irá afetar a atividade no ano que vem.

"No curto prazo, choques de oferta afetam negativamente atividade e consumo. Adicionalmente, o ciclo de aperto monetário, cujos efeitos devem ser sentidos principalmente em 2022, tende a diminuir o ritmo de fechamento do hiato", afirmou o BC em seu Relatório Trimestral de Inflação publicado nesta quinta-feira.

O BC justificou que a revisão para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) este ano repercute o resultado no segundo trimestre ligeiramente acima do esperado e modesta redução da projeção do crescimento no terceiro trimestre.

Já sobre 2022, o BC afirmou que a expectativa é que haja ao longo do ano ritmo de crescimento menor do que no segundo semestre de 2021.

"O hiato do produto em patamar menos negativo, que reduz o espaço para a recuperação cíclica, e o movimento de aperto monetário ora em curso, cujos efeitos ocorrem de maneira defasada, são fatores que contribuem para a desaceleração da taxa de crescimento", disse.

O BC frisou ainda que o cálculo para o ano que vem possui grau elevado de incerteza, sendo apoiado na continuidade do arrefecimento da crise sanitária com o coronavírus, diminuição gradual dos níveis de incerteza econômica ao longo do tempo, manutenção do regime fiscal e ausência de restrições diretas ao consumo de eletricidade.

Os dados do RTI mostram um BC mais pessimista que o mercado e que o Ministério da Economia para a atividade econômica neste ano, ficando no meio do caminho em relação a 2022.

Economistas preveem, segundo boletim Focus mais recente, que a economia crescerá 5,04% em 2021 e 1,57% no ano que vem. Já o Ministério da Economia projeta expansão de 5,3% para o PIB este ano e de 2,5% para o próximo.

Em relação à política monetária, o BC reiterou mensagem da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a intenção de subir a Selic novamente em 1 ponto na reunião de outubro, mirando levar a taxa básica de juros para território contracionista para conter a inflação.

Atualmente a taxa básica está em 6,25% ao ano.

INFLAÇÃO

O BC apontou que o IPCA surpreendeu novamente para cima no trimestre encerrado em agosto, ficando 1,1 ponto acima da projeção que havia sido feita pela autoridade monetária no relatório de junho, com forte disseminação entre os segmentos.

"Em relação aos preços administrados, a surpresa com a alta dos preços dos derivados de petróleo e energia elétrica mais do que compensou a surpresa com o recuo nos preços de medicamentos e com o tamanho da queda nas tarifas de plano de saúde", disse.

Para os 12 meses até novembro, o BC prevê alta do IPCA de 9,22%, o que representará uma desaceleração frente ao avanço de 9,68% no acumulado até agosto.

No documento, o BC avaliou que a pressão sobre os preços deve continuar se revelando "intensa e disseminada".

"O choque sobre preços de bens industriais não deve se dissipar no curto prazo, como sugerem indicadores recentes de preços ao produtor e a continuidade dos gargalos nas cadeias de produção que afetam alguns segmentos", afirmou.

"Ao mesmo tempo, os preços de serviços devem continuar em trajetória de normalização, em linha com a recuperação da demanda no setor. Assim, as medidas de inflação subjacente devem se manter em patamar elevado nesse horizonte", completou.

De acordo com o BC, deve haver alta "significativa" em preços de alimentos e preços administrados, com destaque para o forte aumento nas tarifas de energia em função do acionamento da bandeira tarifária de escassez hídrica.

As contas do BC são de IPCA em 8,5% neste ano, ante meta central de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto. O BC reconheceu que a chance de a inflação ultrapassar o limite da meta em 2021 é de 100%, sobre 74% no relatório de junho.

Para 2021 e 2022, as projeções da autoridade monetária são de IPCA em 3,7% e 3,2%, contra metas de 3,5% e 3,25%, respectivamente, sempre com banda de 1,5 ponto para mais ou para menos.

BC melhora visão para crédito no país a +12,6% em 2021, prevê +8,5% em 2022

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central elevou a projeção do crescimento do crédito no país a 12,6% este ano, ante projeção de 11,1% feita em junho, conforme dados do seu Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira.

Agora, a expectativa é que o crédito às famílias suba 16,2% em 2021, contra expectativa anterior de 13,5%. Para as empresas, a alta foi mantida em 8,0%.

Para o estoque de crédito livre, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e tomadores, o BC projeta agora uma expansão de 15,7% (+13,5% antes) neste ano. Para o crédito direcionado, que atende a parâmetros estabelecidos pelo governo, a perspectiva é de alta de 8,3% (+7,7% antes).

Nas contas do BC, a expansão do estoque de crédito em 2022 irá desacelerar a 8,5%. Nesse caso, a autoridade monetária vê alta de 11,1% no crédito às pessoas físicas e de 5% no crédito às empresas. No próximo ano, o estoque de crédito com recursos livres deve ter expansão de 11,1%, ao passo que o saldo com recursos direcionados deve subir 4,8%, completou o BC.

Petrobras destinará R$300 mi a programa para gás de cozinha

SAO PAULO (Reuters) - A Petrobras anunciou na noite de quarta-feira que destinará 300 milhões de reais para um programa social de 15 meses que visa ajudar famílias em situação de vulnerabilidade social a adquirir gás de cozinha.

A medida vem em momento em que o Brasil enfrenta uma crescente inflação, impulsionada pelos altos preços de energia e alimentos, o que tem afetado a popularidade do presidente Jair Bolsonaro antes das eleições do ano que vem.

A estatal afirmou em comunicado ao mercado que detalhes do programa ainda estão sob estudo, incluindo a definição do critério de escolha das famílias que serão beneficiadas e uma busca por possíveis parceiros.

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, afirmou que o movimento reforça o "papel social" da empresa em meio às consequências da pandemia de Covid-19, vista pela estatal como uma situação "exepcional e de emergência."

"A pandemia e todas as suas consequências trouxeram mais dificuldades para as pessoas em situação de pobreza. Tal fato alerta a Petrobras para que reforce seu papel social, contribuindo ainda mais com a sociedade", disse Luna.

Ele havia reiterado em entrevista coletiva no início da semana que a Petrobras não mudará sua política de preços para combustíveis.

Duas pessoas próximas à empresa disseram à Reuters, porém, que o executivo esteve em Brasília no final de semana para discutir com autoridades possíveis medidas para amortecer os altos preços.

Usinas a bagaço de cana lideram vendas de energia em leilão para entrega em 2026

SÃO PAULO (Reuters) - As usinas a partir de bagaço de cana-de-açúcar lideraram as vendas no leilão de energia nova A-5, com entrega a partir de 2026, respondendo por mais de 32% do total comercializado, com a fonte térmica também apresentando o maior deságio entre os geradores participantes.

As térmicas, incluindo um projeto de cavaco de madeira, negociaram 9,3 milhões de MWh, ou cerca de 37% do total de 25,14 milhões de MWh vendidos no leilão, de acordo com dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que realizou o leilão juntamente com a reguladora Aneel.

Esses empreendimentos a biomassa viabilizados no leilão terão 301,2 MW de potência, de um total 860,7 MW, que incluem também outras fontes, como parques eólicos, solares, uma hidrelétrica e uma usina a partir de resíduos sólidos urbanos.

"A biomassa é uma fonte tradicional na matriz brasileira e que apresentou uma boa competitividade neste leilão, o que potencializou seus resultados, além do preço inicial mais elevado ser atrativo para os empreendedores", avaliou o presidente do Conselho de Administração da CCEE, Rui Altieri, após ser consultado pela Reuters.

"Avaliamos como positiva a contratação destas usinas e das outras fontes, mantendo a diversificação do nosso parque gerador", completou.

Em nota à imprensa, ele disse ainda que o resultado vai "ao encontro do nosso objetivo de modernizar o parque brasileiro e substituir usinas mais caras por empreendimentos mais baratos".

Para o gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Zilmar Souza, a liderança da biomassa no A-5 mostra que está havendo um processo de melhorias na forma de contratação dessa fonte.

"Com o reconhecimento efetivo dos atributos dessa fonte no futuro, a biomassa poderá responder rapidamente e positivamente nos próximos leilões de energia elétrica, entregando uma energia não intermitente e renovável ao sistema", disse ele.

O preço médio de venda dos projetos termelétricos a biomassa foi de 271,26 reais por MWh, ante valor inicial de 365 reais, o maior deságio do leilão, de 25,7%.

No caso do empreendimento a partir de resíduos sólidos, que marcou a estreia da fonte como vendedora no leilão, a negociação foi de 2,1 milhões de MWh, e o preço ficou em 549,35 reais, deságio de 14%.

Os projetos de geração solar venderam quase 4 milhões de MWh, viabilizando projetos de 236,4 MW de potência, seguidos pelos empreendimentos eólicos (3,66 milhões de MWh, em projetos de 161,3 MW) e um hidrelétrico, com venda de cerca de 6 milhões de MWh (141,9 MW).

Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, o volume arrematado de fontes mais caras (biomassa) ainda foi maior no certame, o que traz um sinal de alerta para o governo federal e para os consumidores.

Ele disse que volume contratado de energia solar foi "muito baixo em comparação com o número elevadíssimo de projetos participantes do leilão". A solar ofertou mais de 800 projetos.

"Isso ocasionou uma alta competição entre os empreendedores, produzindo preços-médios abaixo da referência para a fonte solar fotovoltaica no Brasil, o que demonstra uma alta capacidade competitiva da fonte, mesmo em momentos de turbulência macroeconômica", comenta.

Os menores preços fechados foram para os projetos eólicos, a 160,36 reais por MWh, com deságio de 16%, enquanto os solares tiveram valor de 166,89 reais por MWh (deságio de 12,6%). O projeto hidrelétrico negociou energia a 174,27 reais por MWh.

O leilão, que movimentou 5,99 bilhões de reais, deverá gerar investimentos de 3,067 bilhões de reais, viabilizando obras de 40 usinas, segundo dados da CCEE.

DEMANDA ATENDIDA

Este foi o terceiro leilão de energia nova organizado em 2021, disse a CCEE em nota, destacando que o deságio médio das negociações, incluindo todas as fontes, foi 17,48%.

Com contratos fechados abaixo do valor nominal, a economia obtida foi de 1,269 bilhão de reais.

As distribuidoras que declararam demanda para o leilão, segundo a CCEE, foram a Celpa, Cemar, CPFL Jaguari, CPFL Paulista e Light. Elas serão abastecidas pelos empreendimentos contratados por até 25 anos, a depender do tipo de fonte.

"O leilão teve sucesso porque conseguiu contratar toda a demanda declarada pelas distribuidoras", avaliou o gerente-executivo da Secretaria Executiva de Leilões da Aneel, André Patrus, em entrevista online a jornalistas.

Dólar fecha em alta de 0,36%, a R$ 5,4496

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central deu as caras no mercado e tirou o dólar à vista de perto dos 5,50 reais, mas a moeda ainda fechou em alta e no maior patamar desde abril, registrando os maiores ganhos para setembro e para o terceiro trimestre em seis anos.

O dólar à vista até chegou a cair mais cedo --indo a uma mínima de 5,3674 reais, queda de 1,15%--, mas ainda pela manhã começou a ganhar força, movimento que se intensificou nas negociações vespertinas conforme o mercado adicionava prêmio de risco por temores de flexibilização fiscal relacionada ao auxílio emergencial.

Assim, a divisa brasileira começou a descolar mais de seus pares, alguns dos quais tinham ganhos contra o dólar nesta quinta.

Mas o anúncio pelo BC à tarde de um leilão extraordinário de 500 milhões de dólares em swaps cambiais tirou a cotação dos picos do dia --na máxima, o dólar spot foi a 5,4771 reais, alta de 0,87%, enquanto no mercado futuro a taxa superou 5,5000 reais.

No fechamento desta quinta-feira, o dólar à vista subiu 0,36%, a 5,4496 reais na venda. É o nível mais alto desde 27 de abril (5,4625 reais).

A moeda engatou o sétimo pregão de ganhos, já perto de igualar a sequência de oito altas ocorridas entre o fim de junho e início de julho.

Em setembro, o dólar avançou 5,36% --maior valorização desde janeiro passado (+5,53%) e a mais forte para o mês desde 2015 (+9,33%).

No terceiro trimestre, a moeda saltou 9,51%. É a mais intensa apreciação desde os três meses findos em março de 2020 (+29,44%), quando a pandemia de Covid-19 chacoalhou pela primeira vez os mercados globais.

Para o período de julho a setembro, a alta deste ano foi a mais veemente desde 2015 (+27,55%).

No acumulado de 2021, o dólar sobe 4,97%.

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