Programa educacional consegue mudar imagem do agronegócio no meio urbano através do ensino escolar

Publicado em 12/10/2021 11:18 e atualizado em 15/10/2021 11:47 349 exibições
Programa educacional busca mudar imagem do agronegócio através das escolas
Vice-presidente da Abag/RP conversou sobre o “Agronegócio na Escola”, que tem objetivo de capacitar professores e apresentar aos estudantes conceitos fundamentais da agropecuária

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Conexão Campo Cidade

 

O agronegócio e os setores urbanos estão intrinsecamente conectados, já que as cadeias produtivas de alimentos influenciam diretamente no cotidiano das cidades. Porém, muitos ruídos de comunicação entre as duas pontas geram discussões e desentendimentos que merecem atenção. Nesse contexto, o site Notícias Agrícolas e a consultoria MPrado desenvolveram o projeto Conexão Campo e Cidade, que visa debater diversas questões relacionadas aos negócios que envolvem os ambientes urbanos e rurais.

Na última segunda-feira (11), a convidada foi Mônika Bergamaschi, atual presidente do Conselho Diretor e vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto (Abag/RP). A associação é responsável por desenvolver há 21 anos o programa educacional “Agronegócio nas Escolas”, o qual foi o foco principal do Conexão Campo Cidade.

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Transformando a imagem do agronegócio brasileiro através da educação

Segundo Mônika Bergamaschi, o programa surgiu da necessidade de mudar a imagem do agronegócio na região de Ribeirão Preto. Por volta dos anos de 1999 e 2000, ocorriam muitas queimadas de cana nas cidades do entorno, o que resultou em um preconceito muito grande da população contra o setor sucroenergético. Foi nesse momento em que teve início o desenvolvimento de vários programas com o propósito de mudar o pensamento da sociedade, até que chegassem no “Agronegócio nas Escolas”, em 2001.

Dessa maneira, foi desenvolvido pela Abag o projeto com um modelo em que são capacitados professores, através de palestras onde são discutidas as principais polêmicas que envolvem o agronegócio. A partir daí, os educadores inserem o conteúdo na grade curricular, de acordo com as suas próprias percepções. “Isso entra na história, na geografia, na química, na física, no português, no inglês, na matemática, em todas as disciplinas”, destacou Bergamaschi.

E os resultados já são visíveis nos locais onde o programa está presente. A vice-presidente da Abag/RP revela que são realizadas pesquisas com a população e ela, que antes tinha um conhecimento ínfimo do agronegócio, já começam até mesmo a defender a produção agropecuária. “A gente já encheu um ônibus de pessoas completamente avessas ao setor, que voltam para casa, no mesmo dia, apaixonadas e fala: ‘nossa, eu não sabia que os produtores da nossa região já cultivavam mata ciliar e cuidavam de suas áreas”, exemplificou.

Além da capacitação dos professores, o programa já promove também atividades com os estudantes, com o cultivo de hortas e estratégia para a reaproveitamento de água, tudo com a finalidade de desmitificar os conceitos negativos que envolvem o agronegócio.

 

Inadmissão da fome mundial com a atual produção de alimentos da agropecuária

Outro assunto de destaque no programa foi a distribuição de alimentos pelo mundo e a fome que muitas pessoas ainda enfrentam pelo planeta. O jornalista José Luiz Tejon afirmou não aceitar atualmente que tantas pessoas ainda passem fome, com uma produção agrícola tão grande com a que é feita em tantos países, como o Brasil.

Para Tejon, é preciso haver um planejamento melhor focado em um equilíbrio alimentar para que possa ser erradicada a fome. “É inadmissível, inglório, indigno existir um ser humano no planeta Terra que passe fome”, afirmou Tejon. “É um assunto que não deveríamos mais tolerar. Temos conhecimento para produzir alimento em canto deste mundo”, completou o jornalista.

Sobre esse assunto, Marcelo Prado citou dados que mostram uma grande redução na quantidade de pessoas em situação de miséria. De acordo com os números apresentados, em 1820, 84% da população mundial vivia na linha da miséria. Em 1991, esse número havia reduzido para 44%. Até 2020, a porcentagem já havia reduzido para 10%. Com a pandemia, nos últimos anos houve um crescimento dessa taxa, que voltou para 12%. Porém. Marcelo Prado disse acreditar que é possível sim acabar com a condição de fome no mundo, mantendo as medidas das últimas décadas.

Roberto Rodrigues também se pronunciou sobre o tema e frisou que o problema da fome não está relacionado com a oferta de alimentos no mundo. Por isso, aumentar a produção não seria uma solução. Conforme argumentou, o desperdício e entraves no acesso – principalmente em relação à falta de renda – são as maiores dificuldades enfrentadas pelas pessoas que passam fome atualmente.
 

Problemas resultantes da dependência brasileira de poucos países nas negociações internacionais

Para encerrar, Marcelo Prado declarou que o Brasil não pode ser dependente da China quando se fala de exportações. “A China é um parceiro fantástico do Brasil, mas o Brasil precisa pulverizar mais as suas exportações, porque a gente não pode ter uma interdependência tão grande de um único cliente”, afirmou. “Se ela fica gripada ou resfriada lá, nós podemos ter uma pneumonia aqui, porque grande parte das nossas negociações dependem da China”, completou.

Não apenas a exportações, como disse Roberto Rodrigues, se tornam problemáticas com a dependência de poucos clientes. Ele chamou a atenção para os altos valores de insumos, como o potássio, que são importados da Europa e Ásia. Caso o Brasil tivesse outras opções, ou ainda produzisse em grande quantidade, os produtores não estariam enfrentando preços tão altos.

 

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Por:
Igor Batista

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