Da lavoura à bolsa de valores, CEO e fundador da 3tentos conta como plantação de trigo cresceu até se transformar em empresa listada na B3

Publicado em 22/11/2021 18:58 e atualizado em 15/12/2021 09:19 522 exibições
Conexão Campo Cidade 22/11/2021
Luiz Osório Dumoncel foi o convidado desta semana no Conexão Campo Cidade e comentou sobre a abertura de capital da empresa, que abrange diversos setores do agronegócio

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O agronegócio e os setores urbanos estão intrinsecamente conectados, já que as cadeias produtivas de alimentos influenciam diretamente no cotidiano das cidades. Porém, muitos ruídos de comunicação entre as duas pontas geram discussões e desentendimentos que merecem atenção. Nesse contexto, o site Notícias Agrícolas e a consultoria MPrado desenvolveram o projeto Conexão Campo e Cidade, que visa debater diversas questões relacionadas aos negócios que envolvem os ambientes urbanos e rurais.

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Umas das relações mais próximas entre esses dois ambiantes é o mercado financeiro, onde há um grande envolvimento entre a safra produzida no campo, e depois comercializada, e os investidores em busca de lucro. Esse mercado traz uma oportunidade de negócio para as empresas da agropecuária, como é o caso da 3tentos. Fundada em 1995, mas como uma história bem mais antiga, a empresa oferece diversas soluções para o produtor rural. Expandindo a cada ano, agora a 3tentos teve a oportunidade de alcançar outro patamar, ao entrar na bolsa de valores brasileira, a B3, e a partir de então contar com o capital aberto para novos investidores.

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Da lavoura de trigo à bolsa de valores

Luiz Osório Dumoncel, fundador e CEO da 3tentos, atribui a origem da empresa à sua família, que em 1954 começou a plantar trigo, em uma propriedade de 70 hectares localizada no Rio Grande do Sul. Com o tempo, perceberam que havia uma grande defasagem na distribuição de sementes e insumos agrícolas. Foi com essa percepção, que em 1995 foi criada a B3, com o objetivo de preencher esse mercado, mas além disso, de contribuir com o produtor rural. “Focamos no sucesso do produtor, com um produtor que gere resultado para ele”, afirma Dumoncel.

Como diz o CEO, foram anos de expansão, primeiramente atuando com a produção de sementes e distribuição de insumos e fertilizantes, depois com a produção de derivados de soja, desde óleo e farelo até biodiesel feito a partir da oleaginosa, e, no momento presente, a nova conquista de estar entre as empresas que integram a B3. A última, como se recorda, não foi uma iniciativa que partiu da própria empresa como um projeto a ser alcançado, mas sim uma consequência do trabalho realizado, como Dumoncel acredita.

No ano de 2020, a empresa foi procurada pelo banco de investidores para abrir o capital. Desde então, toda a equipe iniciou um trabalho de estudos, para entender se esse passo realmente era viável. Após muita pesquisa e conversas com investidores, eles estiverem certos de que, com a vocação agrícola que tem o Brasil, seria uma decisão acertada.

 

As inovações tecnológicas da agricultura

Outro assunto que esteve em discussão foram as inovações tecnológicas do agronegócio. Alexandre de Barros lembrou que tecnologia agrícola não está relacionada apenas ao mundo digital. Até mesmo as rotações de cultura são uma tecnologia. Isso traz a possibilidade de aumentar a produtividade, principalmente no Rio Grande do Sul, onde o clima é bastante instável se comparado com outros estados brasileiros, como disse Dumoncel.

Como ele destacou, o melhoramento genético é outra incrível tecnologia que tem aumentado bastante a produção nas lavouras e a biotecnologia tem possibilidade uma resistência muito importante para as plantas, junto ao uso de fertilizantes e defensivos. Hoje, como declarou o CEO, não tem soja no Rio Grande que não passe por um tratamento preventivo, o que possibilita um fortalecimento para atravessar os períodos de estiagem.

 

Produção do biodiesel a partir da soja e a necessidade de descarbonização

Ainda sobre os avanços tecnológicos, Roberto Rodrigues, por sua vez, citou o biodiesel produzido a partir da soja. “Não consigo imaginar o maior produtor de soja não ter um combustível. Estados Unidos e Argentina, o segundo e terceiro maior produtor respectivamente, têm. Seria um erro grande o Brasil não dar importância a esse combustível”, disse.Dumoncel concordou com a afirmação, mas frisou que as decisões políticas afetam muito esse mercado. “Nós estamos confiantes, o biodiesel é uma grande oportunidade de descarbonização e o Brasil precisa aproveitar a necessidade mundial neste momento”. Por outro lado, ele declarou que, para os líderes políticos, é muito difícil fugir dos interesses comerciais e pensar totalmente na sustentabilidade. “São muito difíceis essas mesas de negociação, onde sentam muitos com interesses comerciais”, afirmou.

 

COP26, o que ficou a desejar na conferência climática

Em relação aos acordos firmados duranta a conferência sobre mudanças climáticas COP26, Roberto Rodrigues resumiu que o Brasil assumiu dois compromissos: eliminar o desmatamento e diminuir as emissões de metano. Porém, outros temas, como ele disse, ficou no “vamos ver”. Um deles é em relação à matriz energética, que é o principal problema de poluição na atmosfera. Segundo ele, nenhum dos grandes emissores topou se comprometer com uma redução, e esse peso de diminuir a presença de gases poluentes na atmosfera caiu somente sobre o agronegócio, onde estão grande parte das soluções.

O biodiesel emite 20% menos carbono do que o diesel, enquanto que o etanol 10% menos do que a gasolina, conforme explicou Rodrigues. Para ele, a COP26 foi sim um avanço, mas algumas questões não deveriam ter ficado pendentes. O mesmo valo para o mercado de carbono, que precisava ter ficado melhor definido.

 

Conflito entre os interesses financeiros e as medidas de sustentabilidade

Após o fim da conferência climático, Marcelo Prado disse ter ficado com a sensação de que os países mais ricos não querem “colocar a mão no bolso”. Alexandre de Barros comentou que o mundo passar por um momento muito difícil, onde a alta de fertilizantes e outras questões de produção estão ligadas aos problemas com os altos custos de produção energética. Para ser mais sustentável, muitos países vão precisar mudar sua matriz energética, mas eles não estão dispostos a isso.

José Luiz Tejon, sobre isso, declarou que os países mais ricos precisam entender que são corresponsáveis por diversos problemas mundias. Os problemas de fome e miséria tendem a aumentar muito nos próximos anos, e vai caber às pessoas que concentram grande fortuna para que, através de medidas que sigam os modelos de cooperativismo, ajudar essas pessoas que passam por necessidade.

 

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Por:
Igor Batista
Fonte:
Notícias Agrícolas

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