Panorama das condições das lavouras nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná

Publicado em 10/01/2022 18:51 e atualizado em 11/01/2022 15:25 1161 exibições
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O agronegócio e os setores urbanos estão intrinsecamente conectados, já que as cadeias produtivas de alimentos influenciam diretamente no cotidiano das cidades. Porém, muitos ruídos de comunicação entre as duas pontas geram discussões e desentendimentos que merecem atenção. Nesse contexto, o site Notícias Agrícolas e a consultoria MPrado desenvolveram o projeto Conexão Campo e Cidade, que visa debater diversas questões relacionadas aos negócios que envolvem os ambientes urbanos e rurais.

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Na última segunda-feira (10), esteve em pauta as condições da lavoura nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, para a safra 21/22. Estiverem presentes como convidados os presidentes das cooperativas Cotrijal, Nei Manica, e do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, do Rio Grande do Sul e do Paraná, respectivamente.

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Soja segue com 40% da área sem plantar e milho sequeiro tem perdas superiores a 80% no RS

De acordo com as informações trazidas por Manica, o Rio Grande do Sul vive um dos piores momentos já registrados nas lavouras de soja. Outro momento de perdas históricas, citado por ele, foi o ano de 2005. Porém, naquela safra, houve um grande abortamento dos grãos. Já neste ano, grande parte dos grãos sequer está nascendo e 40% da água ainda não foi plantada até esta segunda semana de janeiro.

Com o milho a situação não é mais favorável. Segundo Manica, no Rio Grande do Sul as perdas estão entre 80% e 90% no milho sequeiro (sem irrigação). Contudo, ainda existe um alívio, pois os curtos de produção foram baixos em 2021, mas a rentabilidade que era esperada não será alcançada por muitos produtores.

Agora, a preocupação fica por conta da safra seguinte, pois os custos de produção serão os maiores dos últimos 30 anos. Conforme afirmou o presidente da Cotrijal, neste momento precisa haver alguma medida do Governo, com decisões rápidas, para equilibrar a conta dos produtores, caso contrário, muitos não conseguirão se manter na atividade.

 

No Paraná, soja tem perdas de 5 milhões de toneladas e situação do milho é a pior dos últimos 40 anos

Em relação ao Paraná, o estado fica em uma área de transição, ou seja, as lavouras apresentam condições regulares na parte norte e ruins mais ao sul. Inicial, o cenário se mostrava positivo, com o plantio começando em setembro, quando chovia bem em praticamente toda área agrícola. Porém, em novembro teve início uma seca bastante severa, que se estende até o momento, na segunda semana de janeiro.

Dessa forma, a soja, que representa metade do volume de toda safra de grãos no Paraná, segundo informações de José Roberto Ricken, deve colher 8 milhões de toneladas da oleaginosa, enquanto que a projeção inicial era de que fossem colhidos 13 milhões de toneladas, diante do total de área plantada. Segundo ele, já foram colhidos 10% do total de soja e as perdas nas lavouras já estão consolidadas.

A projeção para o milho era de fossem colhidas 4,2 milhões de toneladas. Agora após a seca, a expectativa é de que a produção fique em 2,2 milhões de toneladas. Segundo Ricken, está é a pior situação para o milho dos últimos 40 anos. O feijão também tem perdas consideráveis, em torno de 70%.

 

Procura por seguro rural e a proteína animal como fonte de segurança

O seguro rural tem sido de extrema importância para os produtores da região Sul. Nei Manica destacou que o seguro deve ser a principal bandeira na região Sul, onde tem ocorrido perdas severas nas lavouras, pois, segundo ele, faz com que o dinheiro retorne para a economia.

José Roberto Ricken afirmou que a procura pelo seguro rural no estado do Paraná registrou um aumento neste ano, principalmente devido às perdas sofridas pelos produtores com a safrinha do milho em 2021, quando o plantio ocorreu de maneira tardia e as lavouras foram atingidas por fortes geadas durante o inverno.

Além disso, Ricken afirmou que a produção de proteína animal é uma importante fonte de segurança para os produtores do Paraná. Segundo ele, cada vez mais os produtores têm optados pela criação de gado, suínos, aves e a produção de leite, paralelamente às lavouras, como uma forma de possuir uma segurança financeira, caso tenham prejuízos como o desta safra.

Alta dos preços, aumento de custos e baixa rentabilidade

Outro ponto destacado por José Roberto Ricken foram os preços do milho e da soja para os produtores. Segundo ele, o milho já está com valores acima do normal. Mas mesmo assim, caso aconteça perdas na safrinha deste ano, o reflexo será muito grande, com alta ainda mais significativas para o grão.

A soja, como Ricken afirmou, a variação dos preços ainda depende do resultado da produção no Centro-oeste brasileiro, onde choveu durante o último trimestre, porém de forma excessiva em algumas regiões. Além disso, outro fator importante é a demanda internacional. Assim, os preços da oleaginosa devem permanecer altos, porém não têm um risco de explodirem, como acontece com o milho.

Para os produtores, a maior preocupação fica por conta dos custos de produção na próxima safra. Para Ricken, existe atualmente um descontrole inflacionário. Em 2020, a saca da soja valia em torno de R$ 80. Em 2021, esse valor foi para R$ 150. Porém, mesmo com esse aumento, os agricultores têm uma rentabilidade menor, pois os custos de produção, incluindo fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas, combustível e arrendamentos, registraram altas ainda maiores. Segundo o presidente do sistema Ocepar, durante os próximos anos será necessário haver um planejamento muito grande por parte dos agricultores brasileiros.

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Por:
Igor Batista
Fonte:
Notícias Agrícolas

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