A atual situação da oferta de insumos agrícolas para o produtor rural brasileiro

Publicado em 27/06/2022 18:47 e atualizado em 28/06/2022 17:30
Conexão Campo Cidade
Paulo Tiburcio, presidente-executivo da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), foi o entrevistado desta edição do Conexão Campo Cidade, que também contou com a presença de Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest

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O agronegócio e os setores urbanos estão intrinsecamente conectados, já que as cadeias produtivas de alimentos influenciam diretamente no cotidiano das cidades. Porém, muitos ruídos de comunicação entre as duas pontas geram discussões e desentendimentos que merecem atenção. Nesse contexto, o site Notícias Agrícolas e a consultoria MPrado desenvolveram o projeto Conexão Campo e Cidade, que visa debater diversas questões relacionadas aos negócios que envolvem os ambientes urbanos e rurais.

Confira aqui todas as edições do Conexão Campo Cidade 

Nesta edição, a discussão do Conexão Campo Cidade girou em torno da oferta e distribuição de insumos agrícolas no Brasil, especialmente fertilizantes químicos e defensivos. Para falar sobre esse assunto, o programa recebeu o presidente-executivo da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), Paulo Tiburcio, e ainda contou com a participação de Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest, que integrou o time de entrevistadores.

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A competitividade dos distribuidores com a entrada de grande players no Brasil

Logo de início, Marcelo Prado questionou se no Brasil pode esta havendo uma perda de competitividade entre os distribuidores de insumos, com a chegada de grandes empresas no país. Para Tiburcio, existe uma relação muito boa entre os pequenos e médios distribuidores com os pequenos e médios produtores.

Além disso, no país existe também uma grande quantidade de pequenos distribuidores que chegam a microrregiões bastante afastas e que, além dos insumos, levam também tecnologia, inovação e informação. Nesse caso, há uma responsabilidade muito grande, como explicou o presidente-executivo.

Na prática, grandes empresas têm feito aquisições de distribuidores menores, mas a maioria ainda se consolida em grandes estabelecimentos, justamente pela relação diferenciada com os produtores menores.

Marcelo Prado, fechando o assunto, ressaltou que as próprias redes locais e regionais estão crescendo também. “O grandão vai lá, compra mais e paga mais barato. Mas o custo fixo dele é maior. Esse jogo não é ganho no vestiário, é ganho jogando, e o que o mercado tem mostrado é que independente de tamanho, quem tem boa gestão prospera. Então os pequenos distribuidores, médias revendas, podem ficar tranquilos, vai ter espaço para todos, mas todos que fizerem o dever de casa”, afirmou o CEO da consultoria MPrado.

 

Abastecimento de fertilizantes no Brasil

Em relação aos fertilizantes que chegam ao Brasil, Jeferson Souza, da Agrinvest, afirmou que neste momento o país está muito bem abastecido comparando com a situação de fevereiro e março e perguntou a Tiburcio como foi o primeiro trimestre do ano, quando se falava bastante na possibilidade de desabastecimento de alguns produtos.

Tiburcio recordou que em 2021, foi recebido pela então ministra Tereza Crisitina, para falar sobre a falta de defensivos. A Andav, naquela época, falou que teria alguma escassez, mas conseguiria fazer a safra sem problemas, previsão que foi acertada. Neste ano, a questão foi em relação aos fertilizantes. Quando o Governo brasileiro foi para a Rússia, ali teve a certeza que o abastecimento seria mantido, como disse o presidente-executivo.

 

Importação de fertilizantes não corre nenhum risco

O representante da Andav citou ainda que os fertilizantes representam 9% de tudo o que o Brasil importa. Se aumentasse 1% das importações de outros países, supriria o que vem da Rússia e de Belarus. Em seguida, ele apresentou alguns números sobre as importações deste ano.

De acordo com os dados apresentados por ele, da Rússia, até maio, o Brasil não registrou nenhum impacto nas importações. Entretanto, de Belarus, caíram 1,4% as compras de fertilizantes, por conta de dificuldade logística atual.

Por outro lado, o Brasil contabilizou um aumento de 7% de Marrocos nas importações, 1,5% do Egito e uma redução 3,7% da China, por conta das greves nos portos. Do Canadá foram mantidas no mesmo nível. Para ele, esses números representam uma segurança no abastecimento dos insumos. “O Brasil trouxe de janeiro a maio 16% a mais do que no ano passado”, frisou Tiburcio.

 

Preços sofrem interferência além da oferta
 

Por mais que o volume de fertilizantes disponíveis tenha apresentado uma importante recuperação, os preços continuam em alta, devido ao aumento do valor de fretes marítimos e de combustíveis. Como disse Tiburcio, quando os fretes foram retomados no “pós-pandemia”, a preferência foi por aparelhos tecnológicos.

Durante o período de pico de alta dos fertilizantes, no início deste ano, alguns produtores se anteciparam na compra e agora estão começando a ficar preocupados, como disse o presidente-executivo.

Ele afirmou ainda que os defensivos, quando chegava em fevereiro e março, havia alguma história que resultava em aumento de preços. No ano passado, começou na boca da safra. Agora, neste ano, aconteceu nos defensivos e tem medo agora que ocorra todos os anos também.

O analista da Agrinvest também declarou que as cotações de alguns químicos têm caído, mas existe uma preocupação por conta da logística considerando a soja, na boca da safra. Segundo ele, a volatilidade é grande e vai continuar grande.

Marcelo Prado ainda citou que o câmbio é outro fator de atenção. A moeda americana deve se movimentar com a aproximação das eleições. Por isso, é fundamental que o produtor esteja tenha informação e saiba transformar em conhecimento e ação.

 

Relação do preço da ureia com o gás natural e possibilidade de alta 

Outra questão direcionada a Jeferson Souza foi a relação do preço da ureia com o gás natural e o petróleo. O analista explicou que o preço do gás natural está muito volátil na Europa. Alguns países já têm antecipado contratos e, quando as temperaturas caírem no final do ano, pode ser registrada escassez, assim como aconteceu no ano passado.

No último ano, essa falta fez com que se elevasse o preço da ureia, até o estopim com o início da guerra. Neste ano, o movimento deve ser semelhante e o preço vai subir, em consequência da falta de oferta do gás natural na Europa, pois a produção dos fertilizantes, especialmente a amônia, é menor.

Por:
Igor Batista
Fonte:
Notícias Agrícolas

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