Relação de troca para a safra 26/27 no Brasil consegue driblar alta volatilidade do mercado de fertilizantes

Possível redução nos estoques internacionais de grãos pode movimentar Chicago nos próximos meses
Publicado em 08/09/2026 17:24 | Atualizado em 09/09/2026 12:15
Francisco Queiroz - Especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA

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O mercado brasileiro de fertilizantes registrou nas últimas semanas um alívio expressivo na relação de troca para os produtores de grãos. O recuo nas cotações de nutrientes estratégicos, como nitrogenados e potássio, somado à recente recuperação dos preços da soja e do milho, permitiu ao agricultor driblar a volatilidade internacional e retomar o fôlego nas aquisições para as próximas etapas produtivas.

Em análise ao Notícias Agrícolas, Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, destacou que o cenário para o campo tornou-se mais construtivo após meses marcados por cautela e compras travadas.

Comportamento das cotações por macronutriente

Segundo a análise do Itaú BBA, os nutrientes apresentaram comportamentos distintos no mercado internacional ao longo dos últimos dois meses:

  • - Fosfatados (MAP): Seguem em patamares elevados. Embora tenham apresentado pequenas quedas na ponta, a retração é contida devido aos custos do enxofre — matéria-prima essencial —, que permanece cotado acima de US$ 1.200 por tonelada.

  • - Nitrogenados (Ureia): Apresentaram forte recuo após os picos do início dos conflitos no Oriente Médio, quando superaram US$ 800 por tonelada. Atualmente, os preços oscilam em torno de US$ 430 por tonelada, beneficiados pelo fim da demanda no Hemisfério Norte e pela liberação de cotas de exportação pela China.

  • - Potássio (KCL): Mantém-se lateralizado e em níveis baixos, sem pressões expressivas no balanço entre oferta e demanda global.

Relação de troca mais favorável ao produtor

A combinação de estabilidade nos fertilizantes com a alta dos grãos trouxe um ambiente favorável para o fechamento de barter e compras diretas. "A relação de troca milho com ureia está bem abaixo da média, e com o KCL estamos buscando as mínimas dos últimos cinco anos", explicou Queiroz.

No caso da soja, a relação com os fertilizantes fosfatados — que há poucos meses registrava um dos piores níveis do histórico recente — melhorou a ponto de ficar abaixo do patamar observado no ano anterior, enquanto o cloreto de potássio também se aproxima de mínimas históricas de troca para a oleaginosa.

Ritmo acelerado nas compras da safra e safrinha

Esse ganho de poder de compra destravou o mercado nacional. Para a safra de verão, cerca de 90% dos insumos já foram comercializados. No Centro-Oeste e no Cerrado, as compras estão praticamente finalizadas, restando volumes pontuais no Sudeste (São Paulo e Minas Gerais). No Rio Grande do Sul, onde se observa o maior atraso — restando cerca de 35% a ser adquirido —, os produtores gaúchos acabaram sendo beneficiados pela recente melhora na relação de troca.

Na safrinha de milho, a reação foi ainda mais evidente. Enquanto em junho apenas 20% do volume necessário estava contratado (contra a média histórica de 35%), o índice saltou para 34% em julho e alcançou cerca de 46% no fechamento de agosto, encostando na média de cinco anos, que é de 49%.

Fundamentos globais e perspectivas

O cenário internacional para o milho também sustenta o otimismo. Queiroz apontou que a redução de estoques globais, que podem cair mais de 20 milhões de toneladas, somada à quebra na safra de milho da União Europeia e à piora gradual nas lavouras norte-americanas, tem dado suporte aos contratos futuros em Chicago.

A valorização do petróleo no mercado externo também traz reflexos positivos ao impulsionar o complexo agroenergético e a demanda por biocombustíveis. Para o especialista, embora desafios macroeconômicos e geopolíticos permaneçam no radar, a postura ativa do agricultor em aproveitar as janelas de relação de troca favorável é indispensável para preservar as margens operacionais do ciclo agrícola.

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