Mercado de grãos se ajusta ao cenário pós-eleitoral e clima impõe cautela no início da safra de soja

Matheus Pereira, da Pátria Agronegócios, destaca a influência do câmbio nos preços da oleaginosa, o avanço do plantio e as prioridades estratégicas para o produtor.
Publicado em 08/10/2026 10:35 | Atualizado em 08/10/2026 11:40
Matheus Pereira
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Produtor tem de concentrar atenção ao plantio da soja e ao clima; mercado está pressionado

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O mercado de commodities agrícolas e o setor produtivo nacional enfrentam um período decisivo marcado pela definição política no país e pelo início dos trabalhos a campo da safra 2023/24. Em participação no programa Bom Dia Agronegócio, apresentado por Carla Mendes, o diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, analisou o comportamento das cotações, a sensibilidade cambial e os desafios climáticos que já começam a moldar a temporada.

Nos primeiros dias após o primeiro turno das eleições, os mercados financeiros e de commodities sentiram reflexos diretos, com destaque para a oscilação da moeda norte-americana. De acordo com Matheus Pereira, o recuo do dólar exerceu forte pressão negativa sobre a formação dos preços domésticos da soja no Brasil.

"Tem sido uma semana, para preços, em sangria. O dólar tem sido a principal variável na precificação, pesando mais na composição de preço da soja do que a referência em Chicago. Em algumas praças do Brasil, chegou a tirar mais de R$ 10 por saca", explicou o analista. Por outro lado, ele ressaltou que a desvalorização cambial também traz um efeito de desalavancagem nos custos de produção para os insumos das safras futuras, atuando como uma "faca de dois gumes".

Embora os trabalhos de semeadura tenham começado com velocidade recorde em algumas regiões, o ciclo produtivo ainda está em sua fase embrionária. Pereira alertou que o clima segue como o principal fator de incerteza, com a influência do fenômeno El Niño trazendo irregularidade de chuvas e altas temperaturas para o Centro-Oeste.

Enquanto parte do mercado projeta uma safra brasileira próxima de 180 milhões de toneladas, a Pátria Agronegócios trabalha com estimativas mais conservadoras, próximas a 173 milhões de toneladas, baseadas em pesquisas abrangentes de intenção de plantio e modelos estatísticos. Segundo o especialista, o risco climático atual inviabiliza a garantia de uma safra plena: "A atmosfera está tão conturbada e os oceanos estão tão mais quentes do que o normal que dificilmente teremos uma distribuição regular de chuvas ao longo do ciclo".

Desafios pontuais no campo

Durante o programa, relatos de produtores ilustraram as adversidades enfrentadas na prática. Foi destacado o caso de Ipaussu (SP), onde o excesso de chuvas atrasou a conclusão do plantio e provocou infestações severas de lesmas e caramujos, aliadas à escassez de iscas de metaldeído no mercado local. Matheus Pereira ponderou que tais percalços exemplificam a complexidade da "indústria a céu aberto", reforçando a necessidade de monitoramento constante das lavouras.

Prioridades estratégicas para o produtor

Diante desse panorama de volatilidade de preços e riscos meteorológicos, Matheus Pereira elencou a escala de prioridades que deve nortear as decisões do agricultor neste momento:

"Prioridade número um do produtor hoje é o plantio e o clima: garantir a umidade, um bom stand inicial e o nascimento da lavoura. Em segundo lugar vem a eleição, para definir o rumo político e econômico do país a partir de 2027. E, em terceiro lugar, o mercado", orientou o diretor da Pátria. Ele recomendou prudência quanto ao avanço de vendas antecipadas sem a devida consolidação da produção, prevenindo eventuais quebras que possam comprometer a rentabilidade e os compromissos financeiros.

* Com auxílio de IA

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