USDA surpreende mercado com elevação no milho e pressiona cotações em Chicago

Relatório de oferta e demanda traz números acima do esperado para a safra norte-americana de grãos, enquanto especialistas apontam o clima na América do Sul como o próximo fiel da balança.
Publicado em 09/10/2026 16:37 | Atualizado em 09/10/2026 17:18
Boa Tarde Agronegócio - com Carla Mendes e Guilherme Dorigatti

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A divulgação do mais recente relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) movimentou intensamente o mercado financeiro internacional nesta sexta-feira. A principal surpresa do boletim ficou por conta do milho, cujas projeções de produtividade e produção nos Estados Unidos foram elevadas, contrariando as expectativas de analistas que aguardavam cortes diante das incertezas no avanço da colheita.

Como reflexo direto do levantamento, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) desabaram cerca de 4% na sessão, encerrando a semana com desvalorização acumulada próxima de 3,5%. Na B3, a bolsa brasileira, o cereal também operou em queda superior a 1% nos contratos principais, somando-se à pressão do recuo do dólar frente ao real.

Soja mostra resiliência após choque inicial

Diferente do milho, a soja conseguiu absorver os dados e fechar o pregão com leves ganhos na Bolsa de Chicago. Embora o USDA tenha registrado ajustes altistas em produção e estoques finais norte-americanos e globais, a demanda internacional manteve sustentação, com destaque para as compras contínuas realizadas pela China e a firmeza no esmagamento interno dos EUA.

Em entrevista ao programa Boa Tarde Agronegócio, Ginaldo de Sousa, diretor-geral do Grupo Laboro, destacou a reação das commodities: 'A grande surpresa hoje foi o milho. Todo o mercado esperava queda de produtividade, e o USDA aumentou, surpreendendo a todos. O milho pressionou a soja e o trigo pesadamente, mas depois a soja se recuperou e fechou em alta'.

Movimentação dos fundos e foco no clima da América do Sul

Segundo dados divulgados ao longo do dia, os fundos de investimentos realizaram fortes ajustes em suas carteiras. De acordo com Ginaldo de Sousa, os fundos reduziram mais de 60 mil contratos no milho, enquanto aumentaram suas posições compradas na soja em mais de 10 mil contratos, demonstrando apostas divergentes para as duas culturas.

Sousa frisou que, superada a digestão do relatório do USDA, o direcionamento das cotações dependerá principalmente das condições climáticas na América do Sul: 'Daqui para a frente, o mercado vai depender muito do clima na América do Sul. Estamos vivendo um cenário de aquecimento das águas do Pacífico e El Niño. O clima será a grande variável capaz de abalar o mercado futuramente'. O especialista adiantou ainda a realização de um Crop Tour na Argentina em fevereiro, logo após o Carnaval, para averiguar o potencial produtivo no país vizinho.

Cenário para trigo, algodão e outros setores

O boletim de outubro do USDA também trouxe atualizações para outras culturas:

Trigo: Registrou queda de produção nos Estados Unidos e redução nas estimativas de exportação da Rússia. Analistas ressaltam que, apesar de haver disponibilidade global do cereal, o gargalo logístico e as tensões geopolíticas continuam ditando o ritmo de distribuição.

Algodão: Confirmou elevação na colheita dos Estados Unidos e manutenção do Brasil como potência exportadora em consolidação no cenário internacional, ganhando participação de mercado frente aos concorrentes.

Sorgo e Proteína Animal: O sorgo brasileiro vem ganhando espaço nas importações chinesas, embora estoques elevados nos portos da China exijam atenção quanto à continuidade do ritmo de compras. Já no setor de carnes, os EUA reduziram sua produção bovina interna e aumentaram a projeção de compras externas para cerca de 2,88 milhões de toneladas, abrindo espaço para a carne brasileira em meio à disputa de mercado com a Austrália.

Subsídios aos combustíveis e rentabilidade do produtor

No âmbito doméstico, o programa repercutiu a decisão governamental de ampliar os subsídios aos combustíveis (gasolina, etanol e diesel) a duas semanas do segundo turno das eleições. A medida impacta os custos de transporte e maquinário no momento em que o plantio da safra de verão avança e os agricultores iniciam o planejamento financeiro para a safrinha de milho de 2026/27.

Diante do achatamento recente nas margens e da volatilidade cambial, analistas alertam para a importância de monitorar janelas de plantio e traçar estratégias de comercialização eficientes para mitigar os riscos de mercado nas próximas semanas.

* Com auxílio de IA

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