Boa Tarde Agro - Semana de baixa para os preços e mercado brasileiro atento à doença de Newcastle
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A semana encerrou com intensa volatilidade nas principais praças de comercialização agrícola e no cenário macroeconômico global. As cotações dos grãos operaram sob a influência direta do ritmo das lavouras nas Américas, das tensões geopolíticas no Oriente Médio que impulsionaram o petróleo a quase US$ 117 por barril e do acompanhamento sanitário após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina.
Soja: alta na sexta-feira, mas perdas acumuladas na semana
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja fecharam a sexta-feira em terreno positivo, com ganhos entre 3,5 e 4,5 pontos, situando-se entre US$ 12,56 e US$ 12,84 por bushel nos vencimentos de novembro a maio. Apesar da recuperação pontual diária, a oleaginosa encerrou a semana com saldo negativo acumulado.
Em entrevista ao programa, Maria Eduarda Guimarães Ribeiro, consultora de mercado na consultoria 'Na Venda na Hora Certa', explicou que a valorização na sexta-feira foi sustentada pela forte alta do petróleo e por novas compras chinesas nos Estados Unidos, que somaram cerca de 200 mil toneladas. No entanto, o peso da oferta norte-americana limitou ganhos mais expressivos no balanço semanal.
'Essa soja já vem caindo há algum tempo, principalmente pela oferta nos Estados Unidos, com estimativas de safra mais elevadas do que se esperava e estoques finais altos. Os Estados Unidos estão bem abastecidos e a colheita avança por lá, pressionando o mercado', destacou Maria Eduarda. Sobre a postura do agricultor brasileiro, a consultora ressaltou que a estratégia tem sido de cautela: 'A recomendação e o que os produtores têm feito é travar custos em torno de 35% da safra para cobrir despesas negociadas, enquanto os outros 65% ficam à espera da definição do potencial produtivo da lavoura diante das variações climáticas provocadas pelo El Niño'.
Milho, trigo e feijão sob pressão climática e comercial
O mercado de milho na CBOT acumulou perdas de até 3,85% na semana, pressionado pelas estimativas de produção recorde nos Estados Unidos e pelo avanço da colheita. Nem mesmo o anúncio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre a venda de 116 mil toneladas para destinos não revelados evitou a desvalorização acumulada. No Brasil, o avanço do plantio de verão e a queda externa mantêm os preços pressionados e retraem as negociações.
No setor do trigo, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) projetou que o Brasil poderá necessitar importar até 10 milhões de toneladas do cereal em 2027. O cenário decorre da quebra na safra nacional provocada por adversidades climáticas, que afetaram tanto a produtividade quanto a qualidade tecnológica dos grãos colhidos.
Já para o feijão, o excesso de precipitações tem atrasado o término da colheita da terceira safra e prejudicado a qualidade dos grãos no campo, além de gerar atrasos nos trabalhos da primeira safra 2026/27. Segundo análise do Ibrafe, há risco iminente de escassez de sementes para variedades destinadas à segunda safra, recomendando-se planejamento antecipado aos produtores.
Alerta sanitário com doença de Newcastle em aves
O setor de proteína animal segue atento às consequências da confirmação da doença de Newcastle em uma criação de perus no município de Nova Itaberaba (SC). Uma análise divulgada pelo Itaú BBA aponta que, embora os embargos comerciais impostos por países como China, Chile, México, Arábia Saudita e Malásia gerem custos de armazenagem e redirecionamento de cargas para a indústria, o risco econômico mais agudo deve permanecer concentrado em Santa Catarina, estado que historicamente direciona grande parte de sua produção ao mercado externo.
Combustíveis e segundo turno eleitoral
No âmbito macroeconômico, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo avalia manter os subsídios aos combustíveis caso o barril de petróleo permaneça em patamares elevados, utilizando a arrecadação de royalties e tributos do setor petrolífero para mitigar oscilações ao consumidor final sem recorrer a controle artificial de preços.
Por fim, na reta final da disputa do segundo turno presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, os planos de governo foram colocados em perspectiva. O setor produtivo avalia tanto as convergências — como o fortalecimento do seguro rural, bioinsumos, conectividade no campo e acordos internacionais — quanto as divergências estratégicas, com a candidatura de Lula enfatizando a agricultura familiar, agroecologia e reforma agrária, e a de Flávio Bolsonaro focando em securitização de dívidas, segurança jurídica da propriedade e investimentos em infraestrutura logística e armazenagem privada.
* Com auxílio de IA
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