Setor de fertilizantes deve se recuperar em 2027 e volume de entregas deve atingir 47,5 milhões de toneladas
O mercado de fertilizantes enfrentou um período de fortes desafios em 2026, marcado por incertezas geopolíticas, aumento de custos logísticos e compressão das margens do produtor rural. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o presidente do Sindiadubos Paraná, Aluísio Schwartz Teixeira, fez um balanço das dificuldades vivenciadas ao longo do ano e traçou as projeções para o setor em 2027, sinalizando um cenário de recuperação gradual nas entregas.
Retrospectiva de 2026: margens apertadas e recuo no consumo
De acordo com Aluísio Teixeira, o ano de 2026 exigiu cautela redobrada em planejamento e logística, já que decisões de importação costumam ser tomadas com cinco a seis meses de antecedência. O mercado foi pressionado por conflitos na geopolítica internacional — incluindo tensões no Estreito de Ormuz e a continuidade da guerra entre Ucrânia e Rússia —, que elevaram as cotações internacionais dos adubos.
Com os custos elevados e o aperto nas margens financeiras, a reação natural dos agricultores foi diminuir a adubação. Essa postura, somada à incidência do PIS/Cofins sobre insumos, ao encarecimento do frete de retorno decorrente do frete mínimo e às altas taxas de juros no Brasil, impactou severamente a demanda. A estimativa para 2026 é de uma retração de 10% a 15% nas entregas nacionais de fertilizantes, fechando entre 42 e 44 milhões de toneladas, frente às 49 milhões de toneladas registradas no ano anterior.
Cenário para 2027: melhora nas margens e cautela com a safrinha
Para 2027, o Sindiadubos projeta um volume em torno de 47 milhões de toneladas, beneficiado pela melhora nas margens operacionais dos produtores. No entanto, o ritmo de comercialização da safrinha segue atrasado. Segundo Teixeira, oscilações cambiais e o compasso de espera gerado pelo cenário eleitoral travaram parte das compras, cujas entregas físicas se concentram em janeiro e fevereiro, influenciando diretamente o início do calendário de 2027.
"O agricultor, na hora em que viu suas margens apertadas, reduziu a adubação. Então se a conta não fecha para o agricultor, não adianta trazer fertilizante que não vai vender", ressaltou o dirigente. No caso da soja, embora os insumos tenham iniciado o período em patamares superiores aos do ciclo prévio, a relação de troca apresentou relativa melhora, amparada pela valorização do dólar, que favorece a receita das exportações da oleaginosa.
Comportamento de outras culturas e atuação institucional
Além dos grãos, Teixeira analisou o panorama de outras atividades agrícolas. O café mantém uma relação de troca favorável, enquanto a cana-de-açúcar segue sob pressão e concorrência com o etanol de milho, levando as usinas a investirem em tecnologias para maximizar o aproveitamento dos adubos. Já o algodão apresentou melhora, sustentado pelo perfil mais tecnificado e capitalizado de seus produtores.
No âmbito institucional, o Sindiadubos Paraná tem direcionado esforços para mitigar gargalos operacionais no Porto de Paranaguá, atuando na prevenção de filas e medidas regulatórias locais. Conjuntamente com entidades como AMA e ANDA, e em interlocução com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a entidade acompanha pautas estruturantes em Brasília, como os impactos do frete mínimo, a tributação sobre insumos e a necessidade de um seguro rural mais acessível e abrangente para a proteção da atividade no campo.
* Com auxílio de IA
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