Mercado do algodão em baixa com avanço da safra nos EUA e demanda em foco
Mercado do algodão em baixa com avanço da safra nos EUA e demanda em foco
O mercado internacional do algodão atravessa um momento de forte correção após registrar momentos de expressiva valorização em bolsas como a de Nova York. Depois de negociar acima dos 90 centavos de dólar por libra-peso e se aproximar da marca de 1 dólar, os preços recuaram para a faixa de 78 a 83 centavos de dólar, pressionados pela entrada da safra norte-americana e pela liquidação em massa de contratos por fundos de investimento.
De acordo com o analista Peri Passotti Pedro, o recuo dos preços em setembro e o aceleramento da queda decorrem de uma conjunção de fatores no cenário internacional. O primeiro elemento central é o avanço dos trabalhos de campo nos Estados Unidos, cuja colheita atingiu 17% da área e caminha para os 20%, reduzindo a margem para perdas climáticas severas.
Paralelamente, os fundos de investimento (não comerciais), que haviam montado a maior posição comprada dos últimos oito anos durante o período de estiagem no início do ciclo norte-americano, passaram a desmontar expressivamente suas posições. A expectativa de que o encontro entre o ex-presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping resultasse em novidades tarifárias ou acordos para commodities agrícolas também não se confirmou, acelerando a saída desses participantes do mercado futuro.
No Brasil, o cenário produtivo recente foi marcado por recordes históricos de produtividade e produção. Durante o Congresso Brasileiro do Algodão, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o debate setorial direcionou o foco da competitividade interna para o aumento da participação de mercado frente às fibras sintéticas.
O especialista ressaltou que a cadeia do algodão, que engloba produtores, fiações, tecelagens e confeccionistas, precisa atuar unida para informar a sociedade sobre os impactos dos microplásticos decorrentes de roupas sintéticas, que não se degradam na natureza e já apresentam vestígios na saúde humana. A estratégia visa ampliar o consumo global de fibra natural e garantir espaço sustentável para os exportadores, em especial Brasil, Estados Unidos e Austrália.
Enquanto o produtor brasileiro mantém um otimismo controlado para a próxima safra, com expectativa de manutenção ou leve expansão de área e plantio beneficiado pela antecipação das chuvas no Mato Grosso, o parque industrial têxtil nacional opera em alerta. O encerramento do ano traz apreensão quanto à reforma tributária e aos prazos de adaptação contábil e de sistemas fabris para o início do novo regime.
"Do ponto de vista da produção, o otimismo continua. Mas a indústria tem uma incerteza muito grande com a qual terá que lidar nos próximos dias, principalmente após a definição do cenário político e das regras da reforma fiscal", concluiu Pedro.
* Com auxílio de IA
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