Avanço do biodiesel no Brasil impulsiona mercado de glicerina e amplia exportações

Com até 90% da produção destinada ao mercado externo, coproduto ganha relevância nas contas das usinas e acompanha a evolução da mistura do biocombustível.
Publicado em 30/09/2026 15:13 | Atualizado em 30/09/2026 15:46
Vitor Berkowitz - CEO da Milia e Associado da Ubrabio.
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Aumento na produção de biodiesel expande produção e exportação de glicerina

O avanço da indústria de biodiesel no Brasil tem gerado reflexos diretos em cadeias correlatas, com destaque para a produção e comercialização de glicerina. Como principal coproduto do biodiesel, o insumo representa cerca de 10% de todo o volume produzido pelo setor e vem consolidando uma forte presença no comércio exterior.

Produção e dependência do mercado externo

Com a vigência da mistura B15, o volume anual de glicerina gerado no Brasil gira entre 800 mil e 850 mil toneladas. Como o consumo interno absorve apenas de 10% a 20% dessa oferta, a maior parte do produto precisa ser escoada para outros países. Os principais destinos da glicerina brasileira são a China e a Índia, além de mercados exigentes como a Europa.

Em entrevista, o CEO da Milha e associado da Ubrabio, Victor Berkovitz, explicou a dinâmica da oferta: "A glicerina representa 10% de todo o biodiesel que é produzido. Somente de 10 a 20% da glicerina produzida acaba sendo destinada para o mercado interno. Então a gente tem um volume muito grande para ser trabalhado no mundo, principalmente China e alguns outros mercados".

Impacto econômico e cotações

Apesar de ter sofrido com fortes quedas de preço no período pós-pandemia, o mercado de glicerina registrou recuperação e mantém estabilidade. Para as usinas de biodiesel, que operam com margens estreitas, a receita gerada pelo coproduto é estratégica, correspondendo atualmente a uma fatia entre 5% e 8% do resultado financeiro das unidades fabris.

O setor trabalha comercialmente com duas categorias do produto:

  • Glicerina bruta: com cerca de 80% de teor de glicerol, é cotada atualmente entre US$ 720 e US$ 750 por tonelada (colocada principalmente no mercado chinês).
  • Glicerina refinada: com pureza entre 99,5% e 99,7%, atende a mercados mais polarizados. Os preços variam de US$ 1.050 a até US$ 1.300 por tonelada em praças como a Europa, que exige padrões mais elevados de qualidade e remunera melhor pelo produto.

A capacidade de refino brasileira também cresceu, passando de uma faixa de 110 mil a 140 mil toneladas para cerca de 160 mil a 170 mil toneladas ao ano.

Aplicações industriais e concorrência global

A demanda internacional por glicerina tem sido impulsionada especialmente pela indústria química. Na Ásia, grande parte do volume importado é direcionado à fabricação de epicloridrina, matéria-prima essencial na formulação de resinas epóxi, amplamente empregadas na construção civil, tintas e vernizes. Além disso, o produto abastece indústrias farmacêuticas, de cosméticos, alimentos e produtos de higiene e limpeza.

Por outro lado, o Brasil monitora a concorrência vinda do Sudeste Asiático. Países como a Indonésia anunciaram o aumento da mistura para B50, elevando a oferta global de glicerina na Ásia e pressionando a competitividade nas exportações.

Perspectivas e a visão da cadeia produtiva

A expansão futura da glicerina está atrelada ao cronograma de evolução da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil, cujo planejamento prevê alcançar o B20 até 2030. De acordo com Berkovitz, cada ponto percentual adicionado à mistura injeta aproximadamente 50 mil toneladas adicionais de glicerina no mercado.

Segundo a liderança setorial, o produtor rural e os elos da cadeia da soja devem acompanhar de perto a evolução desse mercado. Uma logística estruturada e a comercialização fluida dos coprodutos garantem a capacidade operacional das usinas, evitando gargalos de armazenagem e sustentando a rentabilidade de todo o ecossistema do agronegócio nacional.

* Com auxílio de IA

 

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