Analista enumera fatores que podem manter patamares elevados para a arroba do boi nos próximos 24 meses

Publicado em 17/09/2019 13:02 e atualizado em 17/09/2019 16:18
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Destaque para o aumento nos preços internacionais da carne suína com China demandando, margem elevada dos exportadores, alta nos preços do bezerro e redução no abate de fêmeas e ainda, retomada do consumo interno com melhora da economia
Gustavo Figueiredo - Analista da AgroAgility

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Entrevista com Gustavo Figueiredo - Analista da AgroAgility sobre o Mercado do Boi Gordo

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A tendência é que as referências para a arroba devem permanecer em patamares mais elevados pelos próximos 24 meses em função do aumento dos preços internacionais da carne suína. As indústrias frigoríficas que exportam para a China já contam com capacidade total para o abate e os preços estão em torno de R$ 163,00/@, a vista e R$ 165,00/@, a prazo.

Segundo o analista de mercado AgroAgility, Gustavo Figueiredo, os fatores que estão motivando os preços firmes são a estiagem e a oferta restrita de animais. “As condições de pastagens continuam péssimas e sem condições para engordar o boi nos pastos. Atualmente, o volume de animais disponíveis é terminado no cocho e as indústrias estão necessitando de bois bem acabados para exportar para a China”, comenta.

A expectativa é que os preços da arroba registrem valorizações nos próximos 24 meses por conta de diversos fatores, sendo que um deles é conseqüência da carne suína aumentando no mercado internacional. “Como a China é o maior produtor de carne suína e está com esse problema, acaba gerando uma pressão altista sobre todas as proteínas animais”, diz o analista.

O analista ainda ressalta que o Brasil ganha uma maior visibilidade no quadro internacional por ser um dos maiores produtores de carne bovina. “Apesar de algumas consultorias dizerem ao contrário, a Reuters divulgou algumas informações as cotações aumentaram em 78% nos últimos 50 dias e vai demorar uns dois anos até a China recompor o rebanho”, afirma.

Do lado da demanda, a expectativa é que o consumo interno melhore com a recuperação da economia e dólar não deve se permanecer abaixo desses patamares atuais de R$ 4,10.  “Eu acredito que o cenário de 2020 com reformas aprovadas, podemos ter uma melhora na demanda interna”, ressalta.

Os animais mais jovens também devem colaborar para um cenário mais altista da arroba, o bezerro estava cotado a R$ 1.200,00 no ano passado, e hoje, está cotado a R$ 1.500,00. “Isso faz com que o ciclo pecuário se inverta, na qual houve um abate excessivo de fêmeas e resulto em margens baixas na cria”, aponta.

Os pecuaristas devem fazer uma retenção das fêmeas e aumentar o plantel de matrizes, sendo que  isso vai gerar uma pressão menor no abate fazendo com que os frigoríficos tenham a necessidade maior de boi terminados. “A fêmea não vai afetar com uma pressão baixista sobre o cenário do boi gordo neste momento”, reforça.

Preços

Atualmente, os preços praticados no Mato Grosso do Sul estão ao redor de R$ 150,00/@ para o boi comum com escalas curtas de até 5 dias úteis. “Cerca de um mês, os valores estavam próximos de R$ 145,00/@ e as indústrias estão em busca de matéria prima para as programações ainda desta sexta-feira”, comenta.

No estado de Minas Gerais, o diferencial de base em relação a São Paulo muito baixo de R$ 2,00 a R$ 3,00/@. “Nós estamos observando negócios sendo realizados em torno de R$ 160,00/@ que é o preço base praticado no mercado paulista”, diz. No caso de Goiás, a arroba está cotada a R$ 150,00 e com as escalas de abate relativamente longa com 7 dias úteis.

Confinamento

Em outubro terá um volume maior de animais saindo dos confinamentos se comparado com o mês de setembro. “Eu não acredito que essa oferta de boi confinado resulte em quedas bruscas no valor da arroba, no máximo pode gerar uma estabilidade nos próximos trinta dias”, conclui.

Por: Aleksander Horta e Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

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