Abate elevado de fêmeas jovens nos últimos dois anos deve provocar um buraco na oferta de animais para abate em 2020

Carne de novilha foi direcionada para atender demanda do mercado gourmet
Publicado em 22/11/2019 15:02
Rodrigo Albuquerque - Analista de mercado

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Entrevista com Rodrigo Albuquerque - Analista de mercado

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O abate de fêmeas registrou um aumento significativo nos últimos dez anos e agora já está influenciando na oferta e consequentemente nos preços do Bezerro e do Boi gordo. E como agravante desse cenário, nos últimos 2 ou 3 anos,  o abate de fêmeas jovens também aumentou, e a consequência é um buraco na oferta de animais terminados no próximo ano.

Segundo o analista de mercado, Rodrigo Albuquerque, a pecuária está retendo poucas fêmeas nos últimos anos. “A média de fêmeas abatidas nos últimos dez anos foi significativa, e nessa década, só em um ano o setor reteve as fêmeas de maneira significativa. Era esperado que em algum momento, os preços para o bezerro iriam se fortalecer e que iria refletir nos valores do boi gordo”, comenta.

Esse cenário ficou mais evidente a partir do momento que a indústria brasileira descobriu a novilha como uma solução para o problema do macho inteiro não castrado. “Começamos a direcionar em larga escala abate de fêmeas jovens, porém as fêmeas jovens são as que têm os maiores índices reprodutivos e tem o melhor mérito genético”, relata.

Na opinião de Albuquerque o próximo limitador para a arroba do boi gordo é justamente o valor do bezerro. “A cria ficou décadas com uma margem muito ruim e é muito bom ver esse segmento se valorizando. Para quem atua na recria e engorda é preciso ser profissional, pois cada vez mais será desafiador esse cenário”, conta.

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