Rabobank : demanda chinesa por carne bovina seguirá forte no 2º semestre, mas alta do boi será limitada pelo consumo interno

Publicado em 15/07/2020 14:52 e atualizado em 15/07/2020 18:37 2620 exibições
Wagner Hiroshi Yanaguizawa - Analista de Proteína Animal da Rabobank
Mesmo com restrição no consumo interno por coronavírus e recuperação do plantel de suínos, China terá que comprar muita carne de outros países, principalmente o Brasil

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Demanda chinesa por carne bovina seguirá forte no 2º semestre, mas alta do boi será limitada pelo consumo interno

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Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o Analista de Proteína Animal da Rabobank, Wagner Hiroshi Yanaguizawa, informou que a disseminação da peste suína africana na China acabou afetando a produção de proteína no país que mais consume carne suína no mundo. “Neste ano estamos com mais uma queda adicional de 15% a 20% na produção de carne suína na potência asiática. Por isso, os chineses vão demandar mais volumes de carne do que no ano passado”, comenta.

Diante do coronavírus na China a recomposição dos planteis também ficaram afetadas. “Isso acabou tornando a retomada das atividades mais desafiadora e vale lembrar que a PSA e a gripe aviária está ativa na China. Para este segundo semestre o governo está atuando de forma mais consistente na recuperação do rebanho”, afirma

Na opinião do banco holandês, as exportações de carne bovina brasileira devem ser favorecidas com a relação cambial. “Nós estamos com uma desvalorização do real frente ao dólar neste ano e estamos ofertando uma das carnes mais baratas do mundo, na qual vai ser um fator importante na tomada de decisões dos importadores para as compras de carne”, ressalta.

O defict adicional de proteína animal na China é em torno de 6 a 8 milhões de toneladas. “Já é esperado uma queda no consumo chinês já que não tem oferta para atender a população que mais come carne suína no mundo. Em função do coronavírus, os chineses estão mudando o padrão de consumo e não estão mais de alimentando com a carne fresca”, explica.

Com relação à renegociação de contratos por parte dos chineses, Yanaguizawa destaca que é prejudicial aos negócios brasileiros mais que não é algo incomum. “Os chineses têm um conhecimento comercial muito forte e usam isso ao seu favor e não podemos sinalizar isso com uma possível queda de demanda”, relata.

Nas últimas semanas, o impulso nos preços do boi gordo foi em função da demanda chinesa aquecida. “Só que temos que lembrar o que ocorreu no final do ano passado que quando esse aumento de preço da arroba foi repassado para o consumidor chinês acabou retendo compras e logo em seguida no Brasil”, pontuou.

O analista aponta que a demanda interna vai continuar balizando os negócios no mercado físico e a tomada das decisões do pecuarista com a produção. “Com o aumento dos preços da ração e da reposição, o segundo giro do confinamento vai perder a atratividade. Além disso, o poder de compra do consumidor que está fragilizado vai levar uma redução do Produto Interno Bruto”, afirma.

Por:
Aleksander Horta e Andressa Simão
Fonte:
Notícias Agrícolas

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