Mercado do boi seguirá com preços firmes em 2022 mas Scot Consultoria recomenda cautela por conta das margens mais apertadas

Publicado em 26/11/2021 12:27 e atualizado em 26/11/2021 15:11 4003 exibições
Alcides Torres - Analista de Mercado da Scot Consultoria
Nas exportações, volta da China é dada como certa, protecionismo dos EUA tende a perder força e volta da Rússia não deve impactar demanda

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Entrevista com Alcides Torres - Analista de Mercado da Scot Consultoria sobre o Mercado do Boi Gordo

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O mercado do boi gordo deve seguir com cotações firmes no próximo ano, mas é importante que os pecuaristas fiquem atentos aos custos de produção que devem comprometer a margem de rentabilidade. 

Segundo o analista de mercado da Scot Consultoria, Alcides Torres, a retenção de fêmeas deve seguir no próximo ano e os preços da arroba do boi gordo vão continuar sustentados. “O movimento de retenção de fêmeas observado desde de 2018 deve seguir no próximo ano e isso vai colaborar para a sustentação dos preços da arroba”, disse ao Notícias Agrícolas. 

Os preços da arroba caíram com a saída da China das exportações nos últimos dois meses, mas conseguiram se recuperar facilmente.“Nos últimos trinta dias, os preços da arroba foram impulsionados pela a baixa disponibilidade da oferta e a cotação passou de R$ 260,00/@ para R$ 320,00/@”, destacou. 

Demanda interna

Com o desempenho econômico lento e inflação elevada, a demanda por carne bovina no mercado interno deve seguir recuando e o foco será para o consumo de proteínas alternativas. “Tivemos uma queda de 10kg no consumo per capita da carne bovina, em que estava próximo de 35 kg e agora o brasileiro consome em média 25 kg bovina por ano”, informou. 

Os preços da carne bovina no atacado subiram com a redução da oferta de animais para abate, mas a queda no consumo de carne está ligada a perda de poder aquisitivo da população. “Se a pessoa tem dinheiro ela vai pagar o preço que a carne está, mas o que está espantando o consumidor brasileiro é o fato de não conseguir comprar e tivemos uma migração para o consumo de carne de frango neste ano”, comentou.  

Demanda externa 

Com a queda no consumo interno, a alternativa foi destinar boa parte da produção à exportação e a demanda chinesa seguiu muito aquecida até o mês de setembro. "Neste ano tivemos dois casos de doença da vaca louca nos estados do Mato Grosso e Minas Gerais em que a China deixou de comprar do Brasil e os embarques reduziram significativamente”, ressaltou. 

O analista da Scot Consultoria estima que a demanda chinesa deve seguir impulsionando o mercado no próximo ano. “Nós esperamos que a China tenha um incremento de 5% na demanda por carne bovina, já que houve um aumento nos preços dos suínos na China de 50% em um mês e isso deve colaborar para eles buscarem a proteína brasileira”, pontuou. 

É importante que no próximo ano, o Brasil melhore os embarques com outros países para não ficar dependente da demanda chinesa. “A meta é abrir novos mercados e ter a diversificação de compradores para o produto brasileiro. Os chineses devem ser autossuficientes na produção de suínos e de frango em breve, mas não vão ser em bovinos”, relatou. 

Por:
Aleksander Horta e Andressa Simão
Fonte:
Notícias Agrícolas

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