Temor com efeitos do El Niño atua como freio para avanço da comercialização da soja 26/27
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Os temores em relação aos efeitos que o El Niño pode trazer para a nova safra de soja do Brasil têm atuado como um freio entre os produtores para o avanço da comercialização 2026/27, mesmo com preços ofertados melhores em regiões-chave de produção em relação à toda temporada 2025/26, como explica o diretor da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio desta quinta-feira (28). "Nós ainda temos dúvidas e os meteorologistas, em geral, também sobre quais os efeitos que esse El Niño pode trazer e também sobre a formação de um Super El Niño ou não, mas fato é que os modelos são muito consistentes em apontar que a águas do Pacífico estão se aquecendo de forma muito agressiva", diz.
Palavro fez comparações do El Niño em formação e de seus efeitos com ocasiões onde o cenário era semelhante, como as safras 1982/83, 1991/92 - quando a configuração da safra brasileira era mais diferente do que se tem hoje - e 2015/16, que é a mais parecida com o padrão atual em termos de distribuição da produção de soja. Assim, há 10 anos, com a incidência do fenômeno climático, a região Norte registrou uma queda de 19% de produtividade; o Nordeste 35%; o Centro-Oeste 2,8%, enquanto Sul e Sudeste registraram um aumento de 15% e 8%, respectivamente, configurando um padrão bastante típico do El Niño.
Assim, as atenções e a cautela dos sojicultores é justificada neste momento, o que os deixa, por outro lado, com um desafio duplo neste momento para a gestão da safra 2026/27 e para a garantia de margens mínimas para a manutenção da atividade. Tanto compras de insumos como a venda da soja são, portanto, ações que vão exigir estratégias ainda mais detalhadas daqui em diante.
O analista afirma que há cerca de 55% dos fertilizantes já comprados para a nova safra de verão do Brasil, 48% a 50% das sementes adquiridas - também mostrando um atraso em relação aos últimos anos -, defensivos entre 40% e 45%.
"Ainda tem muita coisa a se definir para a safra nova e isso também é um frio para novas vendas", detalha Palavro. "Então, o produtor olha para custos muito elevados, principalmente na cadeia de fosfatados, que é o maior custo dentro da lavoura, e há uma nítida percepção de redução de investimentos para este ano, então, tanto em termos de em área, estamos com o cenário muito em aberto ainda para o Brasil, como em termos de produtividade, porque temos uma combinação de fatores que certamente vai diminuir o investimento deste ano. O principal deles é, realmente, este custo muito elevado dos fertilizantes, o crédito bem mais limitado e caro do que nos últimos anos, então a safra do Brasil é uma safra ainda muito em aberto e que pode, pela primeira vez, até observarmos uma retração porque o cenário não é bom quando olhamos para margens, de fato um cenário muito apertado", avalia Cristiano Palavro.
Veja a análise completa no vídeo acima.
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