Comercialização do milho brasileiro segue lenta com pressão da oferta tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos
Comercialização do milho brasileiro segue lenta com pressão da oferta tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos
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A comercialização do milho brasileiro segue em ritmo lento, com produtores resistentes aos preços atuais e compradores abastecidos para as próximas semanas. Mesmo com a valorização do dólar e a recuperação pontual da competitividade do cereal brasileiro no mercado internacional, o cenário ainda é de pressão sobre as cotações, segundo Yedda Monteiro, analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (30), a especialista explicou que os embarques brasileiros apresentaram uma melhora ao longo de outubro, alcançando um ritmo próximo ao registrado no mesmo período do ano passado. Entretanto, o avanço da colheita nos Estados Unidos tende a aumentar a disponibilidade de milho norte-americano e fortalecer a concorrência nas exportações.
No mercado interno, a demanda também não tem oferecido sustentação suficiente para uma recuperação mais consistente dos preços. De acordo com a analista, as indústrias de proteína animal e etanol de milho estão abastecidas para novembro e o início de dezembro, realizando novas compras principalmente nos momentos de quedas mais acentuadas das cotações.
Esse comportamento mantém as negociações concentradas entre produtores que precisam de recursos financeiros no curto prazo. Aqueles que possuem maior disponibilidade de caixa têm preferido reter o cereal, na expectativa de encontrar oportunidades mais favoráveis durante a entressafra.
A estratégia de armazenar, porém, exige atenção aos custos envolvidos. Yedda ressaltou que o produtor precisa considerar despesas com estocagem, possíveis perdas, frete e o rendimento que poderia obter com os recursos de uma venda imediata. Outro fator importante é a necessidade de liberar espaço nos armazéns para a colheita da soja, prevista para começar nos primeiros meses de 2027.
“Então, toda essa conta precisa estar ali no lápis do produtor, no papel do produtor, para ver se está fazendo sentido ou se muitas vezes faz sentido vender com um preço que não era o ideal para ele ou que ele não esperava vender, mas que ali na frente vai ter menos dor de cabeça para ele também”, destacou.
Safrinha de 2027 pode ampliar pressão sobre o mercado
Além das dificuldades atuais de comercialização, a perspectiva para a segunda safra de milho de 2027 também merece atenção. Segundo Yedda, o avanço acelerado do plantio da soja, especialmente em Mato Grosso, cria condições favoráveis para que o milho seja semeado dentro de uma janela considerada adequada.
A analista avalia que, caso o desenvolvimento da soja e sua colheita ocorram sem atrasos significativos, a próxima safrinha poderá contar com uma das melhores janelas de implantação dos últimos anos. Esse cenário tende a favorecer o potencial produtivo e, consequentemente, pode limitar o espaço para valorização do milho.
Por outro lado, a decisão de plantio ainda dependerá das margens esperadas pelos produtores. Se os preços não oferecerem rentabilidade suficiente, poderá haver redução na intenção de cultivo, mesmo diante de condições favoráveis no calendário agrícola.
Para os próximos meses, Yedda recomenda atenção ao comportamento do dólar, aos custos de combustíveis e fretes e, principalmente, ao desenvolvimento da safra de soja, que determinará o momento de entrada do milho de segunda safra no campo.
A combinação desses fatores será importante tanto para as oportunidades de comercialização do cereal ainda disponível quanto para a formação dos preços da produção de 2027.
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