Mercado do café perde foco dos fundamentos e preços no mercado internacional ficam fora da realidade de oferta e demanda

Publicado em 06/12/2016 16:45 e atualizado em 06/12/2016 17:17
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Mais uma sessão de forte queda para o café em NY com perdas de mais de 200 pontos nos principais vencimentos
Confira a entrevista de Eduardo Carvalhaes - Escritório Carvalhaes

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Eduardo Carvalhaes - Escritório Carvalhaes

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O mercado do café, após algumas semanas de reação, trabalhando acima dos 170 cents de dólar por libra peso, teve uma perda deste patamar. Hoje, os preços estão na casa dos 140 cents em Nova York.

De acordo com o analista de mercado Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, o movimento reflete o modo de pensar do operador de Nova York que, diante da fraqueza política e econômica do Brasil, se aproveitaram para realizar os lucros. A situação foi impulsionada também pela eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, um fator inesperado que trouxe uma alta do dólar frente ao real.

Para Carvalhaes, o movimento não é calcado nos fundamentos neste momento. Tendo um cenário com uma produção mundial ameaçada por problemas ambientais, os preços são derrubados da mesma forma em Nova York. "Os fundamentos não estão tendo peso suficiente para sustentar a produção neste momento", diz.

Ele lembra que, enquanto os cafeicultores brasileiros enfrentam duras leis trabalhistas e ambientais, os concorrentes enfrentam leis muito mais brandas ou inexistentes. Ao mesmo tempo, a indústria é taxada por diversos governos, a começar pela Alemanha, que é um grande importador. Desta forma, o produtor brasileiro fica cada vez mais menos remunerado.

O analista aponta também que a safra do próximo ano, a depender da condição das chuvas, será em ciclo baixo para o arábica e, para o conilon, deve ser bastante prejudicada. Os estoques do Governo Federal também devem chegar ao fim.

Carvalhaes diz que é preciso "estimular o produtor brasileiro para continuar investindo no seu cereal". Ele destaca que muitos já fazem a "lição de casa", aumentando a produtividade, derrubando os custos e melhorando a qualidade do café brasileiro. O Brasil também é o maior exportador de cafés diferenciados. "Temos que pensar preços mais altos para continuar incentivando o produtor brasileiro a continuar na produção", afirma.

O mercado físico, no último final de semana, "parou muito", como relata Carvalhaes. Os cafeicultores não estão vendendo, dando indícios de que os negócios serão deixados para o próximo ano. O fator soma-se ainda à solavancos na economia e ameaças de importação de café, que complicam a situação dos produtores.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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