Café: Qualidade da safra preocupa, mas estratégias de comercialização e diferenciação são exemplo em propriedade de Cássia (MG)

Publicado em 31/05/2019 15:17 e atualizado em 31/05/2019 17:04
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A colheita do café da safra 2019/20 está em cerca de 20% no Brasil, mas a irregularidade na maturação dos frutos e agora as chuvas em pleno trabalho no campo preocupam. O casal Josilaine e Thiago, de Cássia (MG), com auxílio do agrônomo Leonardo, tem apostado na diferenciação e boas estratégias de comercialização. Um exemplo de trabalho na cafeicultura.
Josilaine Robim e Leonardo de Oliveira - Produtora Rural e Engenheiro Agrônomo

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Entrevista com Josilaine Robim e Leonardo de Oliveira sobre o Acompanhamento de Safra do Café

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Na região de Cássia/MG, uma propriedade que produz café tem se destacado pela as estratégias na comercialização e diferenciação na produção. No entanto, a qualidade da safra neste ano está preocupando os cafeicultores.

Com uma propriedade inicialmente de 16 hectares, a família da produtora rural, Josilaine Robim, conseguiu aumentar a produção após investir em cafés especiais. “Nós decidimos assumir os negócios da fazenda há dez anos, porém percebemos que tinha muitos fatores negativos. Com isso, nós decidimos nos profissionalizar”, afirma.

Na safra anterior a propriedade alcançou uma média de 80% de cafés especiais, tendo em vista que uma parte é negociada para as cooperativas e o resto é destinado à torrefação. “Só que neste ano teve períodos em que a chuva começou mais cedo que atrapalhou o andamento da colheita que tem até o momento já conta com 50% colhido na fazenda”, aponta.

Josilaine destaca que é possível produzir cafés especiais em pequenas propriedades. “Eu acredito que pra gente que é da agricultura familiar fazer cafés especiais se torna ainda mais fácil, pois estamos ali sempre juntos. Nós conseguimos vivenciar essa atividade do começo até o fim”, ressalta.

De acordo com o engenheiro agrônomo, Leonardo Oliveira, o percentual colhido da safra 2019/20 na localidade é de 20% nas regiões de altitude, na qual os trabalhos estão em estágio inicial. “As chuvas começaram muito cedo e isso fez com que tivéssemos várias floradas que gerou grãos em diferentes estágios fenológicos”, comenta.

Outro fator que prejudicou a safra neste ano foi o índice pluviométrico que ficou acima da media e com temperaturas mais altas. “Diante disso, a planta começa a produzir mais os hormônios do amadurecimento e a janela do grão cereja ficou muito curta. Com isso, nós perdemos muito tempo de cereja e vai refletir negativamente na qualidade”, diz.

Com relação às chuvas, o engenheiro agrônomo salienta que as precipitações provocaram quedas de frutos. “A medida que o café está no terreno para secagem uma chuva é muito prejudicial para a qualidade do grão”, explica.

Na localidade, as referências no mercado físico do café estão próximos de R$ 400,00 a R$ 420,00 a saca. “Os patamares do café na nossa região chegaram ao redor de R$ 350,00 a saca nas últimas semanas”, acrescenta o engenheiro. 

Para se protegerem da volatilidade dos preços, a propriedade decidiu investir no mercado futuro. “Prevendo essa baixa nas cotações decidimos travar os preços e assim diminuir esse impacto dos custos de produção. Com isso, nós sentimos menos o baque quando o cenário é baixista para as referências”, conta Josilaine.

Por: Aleksander Horta e Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

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