Guy Carvalho avalia condições do café após adversidades climáticas: Lavouras com safra zero é inevitável para alguns produtores

Publicado em 31/08/2021 17:53 e atualizado em 31/08/2021 18:31 1204 exibições
Guy Carvalho - Produtor de Cafés Especiais
Entrevista com Guy Carvalho - Produtor de Cafés Especiais

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Café após as geadas

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Pouco mais de um mês após a intensa geada do dia 20 de julho, em entrevista ao Notícias Agrícolas, o produtor e consultor de café Guy Carvalha avalia as condições do parque cafeeiro na maior área de produção de café arábica do Brasil.

De acordo com Guy, mesmo aguardando pelo retorno das chuvas, é preciso avaliar de forma individual a situação de cada lavoura, ressaltando que os danos causados pelas geadas atingiram de maneiras diferentes a mesma lavoura. Em alguns casos ressalta ainda que a safra zero para ano que vem é inevitável. 

"Para as plantas menos atingidas, será necessário a desbrota, assim, o potencial produtivo será retomado por completo em 2023, com pequena produção em 2022. Nas situações um pouco mais graves, será preciso fazer o desponte, ficando sem produção em 2022 e retomando o total em 2023", afirma. 

Confira o relato do produtor: 

Áreas atingidas por geada leve: Perda parcial da produção. Nesses locais será realizada apenas a desbrota, não sendo necessário intervenções com podas. 

Áreas atingidas por geada moderada ou severa: Já nas áreas mais castigadas, com perda significativa ou total da produção, haverá necessidade de realização de algum tipo de intervenção para recuperação do potencial produtivo e teremos três situações:

1) A primeira situação envolve uma poda leve tipo decote onde houve queima total dos ponteiros e a saia ficou parcialmente preservada. Nesse caso, retira-se apenas a parte de cima das plantas que foi danificada pela geada. A área ainda terá uma produção para a próxima safra, porém ficará bastante comprometida, produzindo de 20% a 30% do esperado. Nesse local, apenas o decote será suficiente. A altura irá variar aproveitando o máximo das áreas vegetadas das plantas e depois será realizada condução com desbrota. Não haverá necessidade de desponte lateral e a projeção é de recuperação da capacidade produtiva para a safra de 23;

2) A segunda situação são lavouras que já tinham baixo potencial para a próxima safra ou que ficaram com baixo potencial após a geada. Nesse caso, a opção escolhida será executar a poda decote e fazer o desponte das hastes laterais.  Não haverá produção para a safra de 22 e a previsão é de recuperação da capacidade produtiva para safra de 23;

3) A terceira situação envolve uma poda mais severa, do tipo recepa, que compromete a estrutura da planta e é a mais agressiva. Além do maior custo da operação, nesse tipo de poda o tempo para o retorno da capacidade produtiva da planta é superior quando comparado aos outros. A previsão é 0 sc/há em 22, de uma baixa produção para a safra de 23 e maior a partir de 24. Para escolher realizá-la é necessária uma análise criteriosa do histórico da produtividade da área e somente vale a pena se a lavoura for muito produtiva, com bom sistema de produção, variedade adequada etc. Em muitos casos, vale mais a pena substituir às plantas desse local por novos plantios, uma vez que o custo para realização da recepa e condução é muito próximo quando comparado à formação de uma nova lavoura. 

Confira a entrevista completa no vídeo acima

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Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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