Previsões mais recentes indicam La Niña para 2020 e sul pode ter novo período de seca para a soja

Publicado em 04/08/2020 16:17 e atualizado em 05/08/2020 17:28 18016 exibições
Paulo Sentelhas - CTO da Agrymet
Entrevista com Paulo Sentelhas - CTO da Agrymet sobre as Projeções Climáticas

 

 

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Entrevista com Paulo Sentelhas - CTO da Agrymet sobre as Projeções Climáticas

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Os modelos mais recentes de previsões climáticas para os próximos meses indicam a atuação de um novo La Niña, que pode mais uma vez influenciar na safra de soja 2020/21 nas principais regiões produtoras do país. Paulo Sentelhas - CTO da Agrymet e professor da Esalq/USP, os modelos são avaliados mensalmente, mas já indicam um esfriamento do Oceano Pacífico. "Mostram uma situação prevalecendo a possibilidade da ocorrência de uma La Ninã para esse próximo semestre ou seja, para entrada e continuidade da safra", afirma. 

Anomalias La Niña - Agrytempo - 0408

 

Projeção das Anomalias da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e Probabilidade de Ocorrência das Diferentes Fases do ENOS

 

Para o sul do país, as condições chamam ainda mais atenção tendo em vista do que o produtor enfrentou na safra passada com uma seca intensa, resultando em uma grande baixa na produtividade da região. Segundo Paulo, os modelos atuais indicam que o produtor tem umidade suficiente para garantir o plantio do milho e as condições também são favoráveis para o desenvolvimento da cultura. "O problema não vai ser a questão hídrica. A situação é muito favorável para o início da cultura do milho", comenta. 

Paulo destaca que o produtor do Centro-Oeste, apesar dos modelos indicarem chuvas dentro do normal, pode ter problema no plantio logo após o vazio sanitário, dia 15 de setembro. O ideal, segundo o especialista, é que o produtor espere pela estação chuvosa. "Quem tentar antecipar o plantio para 15 de setembro, tem que estar com a garantia de estar em uma situação dentro do normal, que é a partir de setembro e principalmente em outubro, que as chuvas comecem a regularizar", destaca. 

 

 

Projeção Climática para os Próximos Trimestre - Chuva

Já para a produção de soja, o cenário é mais delicado e o produtor pode enfrentar novos problemas. "Pelo cenário que que está se estabelecendo de La Niña muito possivelmente os produtores vão enfrentar condições de déficit hídrico ao longo da safra da soja", afirma. Diante do cenário, a orientação para o produtor é continuar investindo em perfil de solo, principalmente no sul do Brasil onde os períodos de veranicos são mais frequentes neste período do ano. "Os produtores precisam estar preparados para enfrentar esse tipo de coisa", comenta. 

Para a produção do Sudeste, os modelos não indicam grandes mudanças nas condições climáticas. Paulo explica que isso acontece pela região ser considerada uma "zona de transição", não sendo impactada pelas condições El Niño ou La Ninã. "Isso nos trazer um certo conforto porque nosso clima é pouco menos variável, perto do que acontece na região sul", completa. 

No Nordeste a condição tende a ser ainda mais confortável, já que as chuvas devem acontecer dentro do que é esperado e necessário para a produção de soja. "A gente tem estudos que mostram que pra essa região cerca de 80% dos anos que têm La Niña, as produtividades superam a produtividade média da região", comenta. 

Projeção Climática para os Próximos Trimestre - Temperatura

Confira abaixo as conclusões para cada região do país: 

Região Norte:  Chuvas acima do normal no extremo norte da região. No sul dos estados do AM e do PA e no AC, chuvas abaixo do normal. Temperaturas ligeiramente acima da média
Região Nordeste: Chuvas e temperaturas dentro da variabilidade normal
Região Centro-Oeste: Chuvas dentro do normal em grande parte da região, exceto no sul do MS, onde as chuvas devem ficar acima do normal. Temperaturas ligeiramente acima do normal 
Região Sudeste: Chuvas oscilando entre normal e abaixo do normal. Temperaturas dentro da normalidade
Região Sul: Chuvas variando entre o normal e ligeiramente abaixo do normal. Temperaturas levemente acima do normal

 

 

 

 

 

 

Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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