La Niña ganha força e começa a cortar as chuvas para o Centro do Sul; safra no Centro-Norte terá precipitações acima da média

Publicado em 16/10/2020 12:45 e atualizado em 19/10/2020 09:37 16728 exibições
Luiz Renato Lazinski - Agrometeorologista
Entrevista com Luiz Renato Lazinski (agrometeorologista) sobre o aumento da intensidade do La Niña, e as consequencias para a safra que se inicia

 

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Entrevista com Luiz Renato Lazinski - Agrometeorologista sobre o La Niña

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Os radares marítimos que flutuam nas águas do Oceano Pacífico já não deixam dúvidas: o La Niña ganhou força surpreendente nos últimos dias, e o fenomeno climático avança sobre a América do Sul, alterando as condições das chuvas. O padrão climático trará consequencias cada vez mais drásticas para a safra 20/21, resultado do esfriamento das águas do Pacífico, provocando a mudança do regime de precipitações a partir do mês de Novembro. 

De acordo com o agrometeorologista Luiz Renato Lazinski, de Curitiba, as chuvas começam a se tornar ainda mais irregulares ainda nesta quinzena final de outubro. Depois disso, desde a virada do mês outubro/novembro - seguindo até maio do ano que vem (início do inverno/21) - os padrões mudarão. As chuvas serão mais escassas no Sul e ficarão acima da média para o Centro Norte do País.

-- "Elas já estão irregulares, e a deficiencia hídrica do solo se encontra, em média, de 40 a 60% menor que o normal para este período. E com o La Niña se fortalecendo, os modelos prevêem, a partir de agora, periodos curtos de chuvas, com veranicos mais longos no Sul. A abrangência do fenomeno alcançará desde o Sul do Estado de S. Paulo, passando pelo Paraná, Sta. Catarina, Rio Grande do Sul, sul do MS, Paraguai, Uruguai, chegando ao norte da Argentina", diz Lazinski.

O agrometeorologista mostra a evolução do esfriamento das águas do Pacífico para dizer que, em contra-partida, o clima será benéfico do centro do Estado de S. Paulo até o Norte e Nordeste do País.

-- "O Mato Grosso, o Matopiba, a região do Cealba (litoral do Nordeste) e o Norte do País serão beneficiados pelo La Niña, com precipitações acima da média".

Outra consequencia preocupante para a agricultura e para a economia do País é que os Estados do Sul terão muita dificuldade com o plantio da safrinha de milho, enquanto que acima do Brasil Central, principamente no Centro-Oeste e Matopiba, as chuvas intensas tenderão a prejudicar os trabalhos de colheita.

-- Estamos notando a intensidade do fenomeno até junho do ano que vem, com veranicos acima de 20 dias", alerta Luiz Renato Lazinski. (Acompanhe a entrevista acima).

Atualização do NOAA indica La Niña com intensidade de moderada a forte na safra de verão

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De acordo com atualização divulgada pelo Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA), as análises indicam que o La Niña poderá ter intensidade de moderada a forte no Brasil. Anteriormente, o NOAA apontava para um La Niña com intensidade fraca em 2020.

"As últimas previsões de vários modelos, incluindo o NCEP CFSv2, sugerem a probabilidade de um La Niña moderado ou mesmo forte durante o pico da temporada de novembro a janeiro", destacou o NOAA em seu anúncio oficial.

A atualização do serviço americano registra a mudança no padrão do que era previsto em 10 de setembro, quando o NOAA divulgou oficialmente o retorno do fenômeno.Atualização La Niña - 1610

Fonte: NOAA 

De acordo com Estael Sias, meteorologista da MetSul, o informativo mostrou que as temperaturas estão com desvio de 1,2 graus negativos em relação à média, o que já dá para considerar, neste momento, um La Niña de moderada intensidade", afirma. 

Segundo Estael, além do NOAA, outros modelos meteorológicos também já começam a sinalizar um La Niña mais intenso na safra de verão. "O período de pico acontecerá entre novembro e janeiro, período em que ele deve ter a maior intensificação", complementa a meteorologista. 

A tendência é de uma diminuição nos volumes a partir de Novembro em toda a região Sul do Brasil.

As projeções indicam precipitação irregular e abaixo da média na maior parte do Centro-Sul do Brasil agora no trimestre da Primavera e risco de estiagem no Verão no Rio Grande do Sul, principalmente no Oeste e no Sul do Estado. "Na medida que a gente vê a probabilidade de intensidade forte, isso é mais um indicativo de que a estiagem vai se estender pelo sul do Brasil", finaliza a meteorologista. 

Para mais informações clique aqui (MetSul)

Chuvas irregulares devem persistir nas regiões Sul e Central por pelo menos mais 10 dias, diz o Inmet 

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Chuvas irregulares devem persistir nas regiões Sul e Central por pelo menos mais 10 dias

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A estação chuvosa está presente no Brasil, porém, não está consistente e essas condições tendem a prevalecer ainda pelos próximos dias, segundo explica Francisco de Assis Diniz, Chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Inmet, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (16). 

"Como a atmosferava estava ainda muito quente e seca, as chuvas ainda estão acontecendo de maneira isolada, sem pegar um período de chuvas generalizadas para se formar o que chamamos de Zona de Convergência do Atlântico. E quando se estabelece esse sistema meteorológico é que se dá um impulso maior na distribuição da chuva mais generalizada em grande parte do centro do Brasil", explica Assis. 

Assim, nos próximos dias já poderão ser observadas chuvas melhores no sul de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, e se encaminhando para Minas Gerais, um sinal mais claro da permanência de precipitações mais generalizadas. Porém, a irregularidade ainda deverá persistir por pelo menos mais 10 dias no Sul e Centro do país. 

Para MT, MS, sul de GO e MG, além do Tocantins, as precipitações continuam isoladas entre o final desta sexta e o sábado (17), com chances de volumes maiores para o noroeste mato-grossense no domingo (18). Já para o início da próxima semana, é prevista uma concentração maior de chuvas entre Triângulo Mineiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, parte de São Paulo e sul do Goiás.

"Há uma frente fria bem intensa vinda do Uruguai, mas ela não sobe muito para norte por conta de um sistema na região Sudeste que causa algumas chuvas", explica o representante do Inmet. 

Já para a última semana de outubro, as previsões indicam não só uma melhor distribuição, mas uma permanência das chuvas em quase todo Brasil. Assim, são esperados bons volumes para Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Oeste do Brasil, regiões Sudeste, Centro-Oeste e Matopiba. 

Olhando ainda mais a frente, os mapas sinalizam um novembro de chuvas irregulares para o Rio Grande do Sul, ainda como explica Assis. 

ÚLTIMOS CINCO DIAS

Os mapas dos volumes registrados nos últimos cinco dias confirmação as ocorrências de chuvas apenas pontuais, em áreas do centro de Goiás, partes de Minas Gerais, sul de Mato Grosso do Sul e partes de Mato Grosso. 

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Fonte:
Notícias Agrícolas/Reuters

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1 comentário

  • wenderson lambert pouso alegre - MG

    Acho estranho esta informação de La Niña forte com estes indices de 1 grau negativo, se ja tivemos anos anteriores com registros mais frios que o atual..., por exemplo em 1989, houve registros de -1,7, em 1998, -1,6 graus negativos, em 1999, -1,5, 2010/2011, -1,7, -1,6..., entao por que agora que seria mais forte que aqueles anos???, muita especulação e sensacionalismo..., basta olhar neste link do NOAA: https://origin.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/ensostuff/ONI_v5.php

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