DA REDAÇÃO: Cotações da soja na Bolsa de Chicago sobem para proteger o mercado interno

Publicado em 04/07/2012 13:40 e atualizado em 04/07/2012 19:11 435 exibições
Soja: Falta oleaginosa no mercado. Bushel pode chegar a U$16 dólares. Devido à seca nos EUA, preço tem que subir para proteger mercado interno. Negociação antecipada no Brasil para a safra 12/13 deve chegar a 60%.
Soja: Preços confirmam tendência histórica
Artigo de Liones Severo

É importante que os preços confirmem as tendências históricas  com relação ao desempenho dos preços para o mês de junho.
No último dia 29, os preços para soja na Bolsa de Chicago registraram o preço de US$ 15,14 por bushel para os futuros do mês de julho, sendo o maior preço desde 1º de julho de 2008 e o segundo maior preço da história da soja desde a criação da Bolsa de Chicago, em 1848.
Somados os preços da bolsa com os prêmios para a respectiva posição dos futuros para julho de 2012, os registros indicam o "maior preço da história" para a negociação de soja física de origem brasileira.
Com o intuito de reforçar as análises do desempenho dos preços para a soja, que servirão de arquivo histórico para nossos produtores, menciono o último parágrafo do meu livro "Como Lucrar Negociando Soja", assim escrito no dia 4 de março de 2011: "Com estoques apertados de grãos e oleaginosas, o cenário mundial sugere que, no próximo ano de 2012, os preços para as commodities agrícolas, principalmente soja, poderão registrar valores estupendos, provavelmente recordes de todos os tempos``.
Na minhas participações no Canal Rural e Notícias Agrícolas durante todo esse tempo, sempre confirmei que o mercado apontava para essa tendência.  Na mesma época, produzi um gráfico de estudos que apontava um provável preço para soja na Bolsa de Chicago de US$ 15,52 por bushel, amplamente divulgado nas minhas palestras.
Com a marca atingida na data de 2 de julho de 2012, no preço de US$ 15,42 por bushel, considero atingido meu objetivo de estudos que data de um ano atrás.
Este registro histórico pontual, não elimina a condição analítica de que os preços continuarão a escalada de alta na Bolsa de Chicago e de que sugere desempenho ao alcance de US$ 16,70 por bushel, como o maior preço da história da soja.
A grave crise de suprimento que se estabeleceu a partir das perdas das lavouras sul-americanas, que resultou numa escalada de preços para racionar o consumo nos mercados consumidores, está agravada pelas prováveis perdas das safras de verão americana, que implica também demandar a necessidade de racionar o consumo  nos países maiores produtores, neste caso Brasil, Argentina e principalmente nos Estados Unidos.
Importante notar que os Estados Unidos já venderam/comprometeram cerca de 13.600 milhões de toneladas da safra de soja a ser colhida a partir de setembro próximo, quando no mesmo per[iodo do ano passado estavam em cerca de 7.500 milhões de toneladas, enquanto, há 2 anos, era
somente cerca de 4.900 milhões de toneladas.
Avalia-se que esta será a segunda maior crise de suprimento de soja depois da grande crise de abastecimento do inicio dos anos 70.

Cotações da soja na Bolsa de Chicago sobem para proteger o mercado interno

As cotações da soja podem chegar a US$ 16 por bushel na Bolsa de Chicago caso os preços continuem essa escalada diante de um cenário de falta de soja em nível mundial. Segundo o operador de mercado Liones Severo, “com a seca nos EUA e a quebra nas lavouras, o preço tem que subir, imediatamente, para que iniba os consumidores internacionais a buscarem soja e milho no país”.

De acordo com Severo, as altas cotações têm como objetivo proteger o mercado interno norte-americano e sua oferta para o mercado doméstico. “A partir de setembro, a América do Sul não tem mais oleaginosa para exportar, nem farelo, por isso a demanda ficará voltada para os EUA até março, quando começarão os embarques da nova safra sul-americana 12/13”, explicou o operador.

Por conta dos bons patamares de preços, no Brasil está sendo negociada a nova safra da soja, a 2012/13. Para o operador, essa negociação antecipada deve chegar a 60% da colheita, e é extremamente recomendável para garantir os lucros antecipadamente.

As altas cotações da soja na Bolsa de Chicago, os prêmios elevados e o dólar em alta têm conferido bons preços à oleaginosa no mercado interno brasileiro. No Porto de Rio Grande, a saca da oleaginosa para junho de 2013 está sendo comercializada a R$ 61,00.

China - Já a China está com o mercado abastecido, pois comprou soja da safra norte-americana e também está comprando da nova safra brasileira, o que explica uma demanda menos aquecida nos últimos dias.


Por:
João Batista Olivi/ Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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