DA REDAÇÃO: Oferta externa tira competitividade da pecuária de leite capixaba

Leite: Abertura do mercado brasileiro para o leite e seus derivados importados e impostos mais baixos para a entrada de produtos lácteos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia prejudicam pecuária de leite no Espírito Santo. Produtores capixabas reivindicam intervenção governamental a fim de fortalecer competitividade.
Publicado em 03/08/2012 10:43 | Atualizado em 03/08/2012 13:18
Os pecuaristas de leite da região norte do Espírito Santo estão descontentes com a falta de incentivo governamental para a atividade, que está resultando em queda no preço do leite. A importação de produtos lácteos de outros países e a carga tributária desigual com outros Estados brasileiros são alguns dos fatores que preocupam o setor.

De acordo com a Associação dos Produtores de Linhares e Região (APL), a abertura do mercado brasileiro para o leite e seus derivados importados de outros países produtores que tem subsídios prejudica o mercado nacional. “Com o apoio que os produtores desses países (Nova Zelândia e Argentina, por exemplo) recebem, o custo de produção diminui e eles conseguem chegar com o leite mais barato aqui no Brasil, prejudicando nossos produtores que não têm incentivos”, diz Cirilo Pandini Júnior, presidente da APL. Segundo Pandini, os laticínios brasileiros compram o produto de fora pelo valor de R$0,70 a R$0,80, pressionando a cotação do leite para os produtores capixabas.

Outro fator que tem prejudicado a pecuária capixaba é a distorção tributária. O Espírito Santo tem desvantagem em relação aos outros estados produtores. “Aqui no Estado, os impostos são mais baixos para a entrada de produtos lácteos de fora, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, o que não acontece com nossos produtos lá. Isso tem prejudicado nosso mercado também. Precisamos que os impostos sejam equiparados. São decisões governamentais que favorecem nossa pecuária”, destaca Pandini.

Segundo o gerente da Latícinios Damare, Cincinato Mendes, no Espírito Santo, o Leite Longa Vida produzido em solo capixaba e o de outros Estados tem o mesmo tratamento tributário até chegar ao consumidor final, diferente da realidade nos estados vizinhos. “Isto não acontece com Minas Gerais e Rio de Janeiro que cobram 18% de alíquota para entrada de produtos produzidos no Espírito Santo. Isto significa que o estado de Minas é o que mais vende dentro do ES e a indústria capixaba não consegue vender para Minas Gerais e Rio de Janeiro. Precisamos tratar da mesma forma”, afirma Mendes.

Importação ocasiona queda de preço ao produtor, diz gerente de laticínio

De acordo com Cincinato Mendes, gerente do Laticínios Damare, localizado em Montanha, norte capixaba, a importação de leite afeta o mercado no Brasil porque a produção da Argentina, Uruguai e Chile vem crescendo muito e gerando um excedente do produto. Com o Mercosul, existe uma facilidade dos produtos lácteos entrarem no Brasil sem tributação, tornando-o mais competitivos do que o nacional. “Atualmente, em dólar, um dos preços mais altos do mundo é do Brasil, o que faz o produto brasileiro ficar em desigualdade e o país ser um grande importador de produtos lácteos. Esta importação muita alta com preços menores ao nacional provoca uma queda de preço no produto final e, consequentemente, uma queda ao produtor”, diz Cincinato.

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