DA REDAÇÃO:Mercado realiza lucros, mas tendência ainda é altista

Soja: dia de realização de lucros em Chicago. A correção dos preços porém, foi moderada. Tendência de alta se mantém. Demanda aquecida e oferta restrita dão suporte às cotações
Publicado em 22/08/2012 16:53 | Atualizado em 22/08/2012 18:24
O mercado de Commodities Agrícolas realizou lucros nesta quarta-feira (22) na Bolsa de Chicago. Segundo o operador de mesa, Bruno Perottoni, na soja esse movimento já era esperado em função da alta de mais de 50 pontos registradas ontem (21).

“O cenário macro econômico também estava um pouco ruim na parte da manhã, as bolsas caindo e o dólar se valorizando. É uma queda pequena e o mercado acabou fechando bem ainda, graficamente acima dos suportes”, afirmou Perottoni.

O operador sinaliza a oleaginosa em novembro pode buscar os US$ 17,50 por bushel no curto prazo, e no milho as projeções indicam US$ 9 dólares por bushel no curto prazo. O mercado também está atento ao Pro Farmer Crop Tour, que levanta uma produtividade menor do que a divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

“O USDA anunciou 126 bushel por acre, e o levantamento faz uma média de 110 a 100 bushel por acre, o que revelaria a safra norte-americana bem menor do que o esperado dando sustentação ao mercado a longo prazo”, explicou o operador.

Em decorrência desse cenário, a safra da América do Sul será uma produção para regularizar os estoques mundiais. Para Perottoni, a situação é muito complicada e a relação entre estoques e consumo é a menor desde 1965.

Além disso, o operador afirma que a demanda continua firme. “Há 2 anos, a soja acima de US$ 14 por bushel em Chicago inviabilizava o esmagamento de soja para produção de óleo na China, hoje trabalham com 16 dólares e ainda viabiliza a operação no país, a demanda tem se ajustado e continua firme”, disse.

Ao contrário desse quadro a oferta segue pressionada, hoje (22) foi divulgado que dois estados dos EUA concordaram em diminuir o uso de milho para a produção de etanol. “A redução pode acontecer, poderá haver uma realização de lucros, pois temos uma diminuição bem significativa da demanda”, falou Perottoni.

Ainda de acordo com o operador, duas grandes notícias podem movimentar o mercado, a primeira seria alguma decisão em relação ao etanol, e a produção de trigo na Rússia que pode refletir no mercado de milho.

Outro fator que também pode impulsionar as commodities é o relatório do USDA que será publicado no início de setembro, com os primeiros dados da produtividade do milho e soja.

“Já os produtores brasileiros devem trabalhar fazer vendas escalonadas. Olhando o custo de produção e preço que tem hoje nos mercado futuros, tem uma margem muito grande, uma renda muito interessante para o produtor”, orientou o operador.

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