DA REDAÇÃO: China terá que reduzir importações de soja

Grãos: Previsão da chegada do furacão Isaac aos EUA causa reação mista no mercado. Margens para esmagamento de soja na China estão positivas, e país continua a comprar grãos norte-americanos. Tendência ainda é altista, e produtor deve participar do mercado.
Publicado em 29/08/2012 13:46 | Atualizado em 29/08/2012 15:03
O furacão Isaac já atingiu os Estados Unidos e causa uma reação mista no mercado. Para o analista da Futures International, Pedro Dejneka, o fenômeno traz muita água para o país, o que é muito importante, principalmente para o rio Mississipi, que em função da seca, estava enfrentando problemas de logística.

“O Isaac não será um fator determinante para os preços. O furacão pode causar problemas em relação a algumas áreas que ainda não foram colhidas, mas será muito pouco o dano que será causado”, falou Dejneka.

O analista sinaliza que essas chuvas não devem recuperar as lavouras norte-americanas. “A safra está quebrada, o furacão chegou duas ou três semanas atrasado”, afirmou.

Também foi divulgado um relatório da Oil World sobre a estimativa para a safra mundial de soja, que apontou que a China terá que reduzir suas importações de soja nos próximos meses. Para o analista, na teoria, essa afirmação faz sentido, uma vez que, preços mais altos racionam a demanda. 

“Em teoria, pois tem uma situação que não está sendo analisada muito pelo mercado, a margem para esmagamento na China está extremamente positiva, por isso continuam comprando oleaginosa, mesmo nos atuais patamares de preço”, disse Dejneka.

Além dessa margem de esmagamento positiva, os preços da oleaginosa no mercado interno chinês continuam em alta. E o Governo do país, se preocupa com a inflação, por isso está tentando ‘desovar’ a soja das reservas chinesas, e ao mesmo tempo estão comprando oleaginosa para recompor essas reservas, conforme explicou o analista.

 “A dúvida é saber qual preço irá causar a margem negativa e até quando teremos uma inflação nos preços da oleaginosa no mercado interno, pois enquanto isso acontecer a China irá continuar comprando para tentar colocar mais soja no mercado e acalmar esses preços”, frisou Dejneka.

Em decorrência desse cenário, os produtores brasileiros devem travar um grande percentual da safra e participar do mercado. “Produtor não é especulador, sua tarefa é produzir e comercializar da melhor maneira possível para garantir a sustentabilidade do seu negócio”, finalizou o analista.

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