DA REDAÇÃO: Essa semana soja já recuou cerca de 100 pontos em Chicago

Publicado em 18/09/2012 17:19 e atualizado em 18/09/2012 18:51 364 exibições
Soja: a evolução da colheita nos EUA e fatores externos ao mercado de grãos, envolvendo impasses comerciais entre Japão, China e EUA ajudam a pressionar a cotação, que só nessa semana já perdeu algo em torno de 100 pontos.
A soja registrou ontem (17) na Bolsa de Chicago o limite de baixa, a oleaginosa recuou mais de 70 pontos nos principais vencimentos. Nesta terça-feira (18) a commodity voltou a operar de forma negativa e encerrou o pregão eletrônico com mais de 30 pontos de baixa no vencimento março/13.

Segundo o analista da Novo Rumo Corretora, Mario Mariano, com essas quedas expressivas o mercado ultrapassou os 6% na baixa para soja, óleo, farelo e milho. E um fundamento que contribuiu para esse cenário baixista foi o avanço da colheita norte-americana.

“O USDA divulgou que deu uma acelerada na colheita, cerca de 26% do milho está colhido, 2% acima do que o mercado previa. Na soja, o órgão reportou um avanço de 10%, quando o mercado entendia que o maior número seria ao redor de 8%”, explicou Mariano.

Além disso, os fatores externos ao mercado de grãos também contribuíram para esse quadro. Como a tensão entre países comercialmente parceiros, como a China e o Japão que disputam algumas áreas na região ocidental na Ásia.  O que fez com que algumas empresas japonesas diminuíssem os seus investimentos no país.

“E a China abriu uma queixa crime contra os EUA indicando que estariam sendo tarifados os seus produtos na entrada dos EUA maior do que o devido. Os EUA também fizeram uma queixa crime contra a China, por sua vez indicando que o setor de autopeças estaria sendo prejudicados”, afirmou o analista.

Em decorrência desse cenário de instabilidade os traders iniciaram uma realização de lucros nas posições compradas, uma vez que, os preços das commodities ainda estão elevados. Mariano sinaliza que os traders entendem que pode haver um conflito maior, e isso poderia diminuir a demanda chinesa.

“Então mesmo com os estoques apertados e a China participando com menos compras, poderia deixar os estoques um pouco maior e com os preços elevados, pode sobrar mais produtos, então o mercado iniciou as vendas”, disse o analista.

Ainda de acordo com Mariano, é possível entender que o perfil do mercado chinês não só para os produtos chineses nos EUA, mas também internamente, indicando que com a colocação de cerca de 400 mil toneladas dos estoques, o país está com estoques folgados o suficiente para controlar internamente a oferta e demanda.

“Mais uma vez poderia retardar as compras nos EUA, o que não é verdade, pois ontem foram vendidos cerca de 210 mil t de soja americana para país não revelado, e quando isso acontece geralmente é o chinês participando”, falou Mariano.

Devido a essa situação, o analista acredita que no curtíssimo prazo com essa revelação de fundamentos aliados a técnica poderá pressionar os preços para baixo. A oleaginosa pode apresentar uma queda de 401 pontos, e é provável que o mês de novembro tenha potencial de quedas para patamares em torno de US$ 16 dólares por bushel, conforme informou Mariano.

Já, em relação às notícias de que a soja poderia alcançar US$ 18 dólares por bushel, o analista frisa que talvez o mercado não tenha espaço para esse número. “Mas, é bom considerar que a demanda sendo racionada, os preços podem acontecer cair muito rapidamente”, finalizou.

Por:
Aleksander Horta / Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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