DA REDAÇÃO: Mercado busca ponto de equilíbrio entre oferta e demanda

Grãos: notícias de que a China cancelou a compra de 10 navios de soja dos Estados Unidos contribui para o recuo nas cotações nesta sexta-feira (16) em Chicago. Fundamentos não são altistas no momento. Problema de clima na América do Sul ou a retomada da forte demanda poderia trazer recuperação nas cotações.
Publicado em 16/11/2012 13:18 | Atualizado em 16/11/2012 16:15
Devido às notícias de que a China teria cancelado a compra de 10 navios de soja dos EUA, a soja opera em baixa nesta sexta-feira (16) na CBOT. O analista de mercado da Futures International, Pedro Dejneka, afirma que apesar de não ser uma novidade essa situação afeta o mercado.

O analista sinaliza que as perdas recentes no mercado foram muito grandes. E para tentar reverter esse quadro é necessário que haja notícias que traga novos compradores ao mercado que mude a tendência ou uma compra técnica muito forte que quebre esse viés baixista no gráfico.

E nenhuma dessas duas coisas aconteceu. Além disso, o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ainda pesa bastante no mercado juntamente com os novos indícios de que a demanda talvez não seja tão forte quanto o esperado pelo mercado, conforme explica o analista.

“O macro cenário não é tão amigável, muito nervosismo em relação à Europa, e o futuro da economia americana com a reeleição do Obama, tudo isso adiciona peso ao mercado e é difícil ter altas sustentadas, as altas do momento são vistas como oportunidade de venda”, diz Dejneka. 

Ainda na visão do analista, o mercado agrícola deixou de ser agrícola é um mercado financeiro e é preciso prestar atenção aos outros fatores, e o que acontece na Faixa de Gaza é mais um fator de nervosismo ao mercado. 

“Esse cenário impacta o mercado, não sabemos pode afetar ou adicionar nervosismo ao mercado e dá uma aversão ao risco o que aumentaria a tendência de venda ou poderemos ter uma situação onde a aversão ao risco não é tão grande e o preço do petróleo dispara o preço do milho dispara seguindo o petróleo, e puxando as cotações da soja e do trigo”, fala Dejneka. 

Mas, essa seria uma situação temporária uma vez que o mercado obedece aos fundamentos do mercado físico que não são necessariamente altistas. Entretanto, caso haja problema de clima na América do Sul ou a demanda retorne com força poderia trazer recuperação nas cotações. 

“A demanda sustentava o mercado, e como vimos à demanda não se sustentou nos atuais níveis. Apesar de ainda estar em patamares recordes nos EUA para essa época. O nível da demanda precisaria aumentar, estamos US$ 4 dólares abaixo da alta de setembro. Agora o mercado procura novo ponto de equilíbrio em relação à oferta e demanda”, acredita Dejneka.

Em decorrência desse quadro, o analista orienta que os produtores travem para cobrir os custos de produção haja vista que existem indicações técnicas que até final de novembro o mercado pode descer abaixo de US$ 13 para o contrato de janeiro.

“Ainda temos 80% do período de safra para ter confirmação da safra da América do Sul, temos boas chances de não ter uma safra tão grande o que pode elevar o mercado para cima, por agora temos o nervosismo no mercado”, finalizou o analista. 
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