DA REDAÇÃO: Números da safra brasileira começam a ser comprometidos
Grãos: nesta terça-feira (08) o mercado recupera as perdas registradas na semana passada e espera o relatório do USDA, que será divulgado na próxima sexta-feira (11). Clima adverso no Brasil pode ocasionar perdas localizadas e os números da safra brasileira começam a ser comprometidos.
Publicado em 08/01/2013 13:17
| Atualizado em 08/01/2013 16:57
Nesta terça-feira (08) os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam em leve alta. Para o analista de mercado Vlamir Brandalizze, o mercado recupera as fortes quedas registradas na semana passada.
Por outro lado, o clima adverso no Brasil, com chuvas de granizo em algumas localidades e seca em outras, podem ocasionar perdas localizadas. Com isso, os números da safra brasileira começam a ser comprometidos, conforme acredita o analista.
“As plantas estão na fase de formação de vagens e uma chuva de granizo é perda certa, e o mercado começa a olhar por esse lado. Chicago vem recuperando recentes perdas, já olhando o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que será divulgado na próxima sexta-feira (11)”, afirma Brandalizze.
Do mesmo modo, as condições climáticas na Argentina não são favoráveis haja vista que a previsão para os próximos 10 dias é de que as chuvas ficarão abaixo de 25 mm. Essa situação vai de encontro com indicativos de que na próxima semana as temperaturas podem chegar a 40°C graus no país.
“Os argentinos estão saindo de solos encharcados para fase de pouca chuva e altas temperaturas. Ainda falta mais de 10% das lavouras para serem plantadas, as mais adiantadas estão na fase de floração que é um estágio crítico para trabalhar com altas temperaturas”, explica o analista.
E os problemas com a ausência de chuvas pode causar perdas na produtividade devido ao abortamento das flores. Em decorrência desse cenário, o analista sinaliza que os próximos dias serão fundamentais para dar suporte a novos avanços na CBOT.
Além disso, a expectativa é que o USDA traga números positivos, e segure os atuais patamares na faixa de US$ 14 por bushel, segundo relata Brandalizze. A perspectiva é que o órgão apresente números reais de exportação da soja norte-americana que estão acima das projeções.
“Até semana passada os embarques de soja dos EUA estavam em 60,5% das projeções do USDA, enquanto que a média histórica é de 47%, ou seja, os americanos já exportaram muita soja. E se o órgão atualizar os números vai desencadear uma queda nos estoques do país, isso seria o fator positivo. E também atualize os números de safra da China”, diz o analista.
Os chineses tiveram safras menores de culturas como o trigo, arroz e milho e, por isso, tendem a importar mais esses produtos, dado que não foi divulgado no último relatório do Departamento em dezembro do ano passado, relata Brandalizze.
Milho
Ainda de acordo com o analista, o mercado milho para 2013 caminha para patamares menores do que os registrados em 2012. E se as condições climáticas e safra norte-americana, estimada inicialmente em 400 milhões de toneladas, forem favoráveis os números de exportação pode chegar na faixa de US$ 260, US$ 270 dólares. “Mesmo assim os números seriam atrativos para os produtores da safrinha e a partir de julho e agosto termos números de R$ 29 a R$ 31 por saca, e isso resulta em valores ainda lucrativos”, finalizou o analista.
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