DA REDAÇÃO: Trigo - Ampliação das importações sem cobrança da TEC deve derrubar cotações no segundo semestre

Trigo: A Camex ampliou nesta semana de 1 milhão para 2 milhões de toneladas o volume que pode ser importado fora do Mercosul com tributação zero sobre Tarifa Externa Comum (TEC). Setor teme que indústrias façam estoques na entressafra e pressionem cotações do cereal no mercado interno brasileiro no segundo semestre.
Publicado em 12/04/2013 11:48 | Atualizado em 12/04/2013 16:02
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) divulgou nesta semana a ampliação de 1 mi para 2 mi de toneladas a cota para importação de trigo fora do Mercosul com a Tarifa Externa Comum (TEC) zerada. Segundo economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Pedro Loyola, a medida significa que o Brasil irá receber mais trigo de países do hemisfério norte, como Canadá e Estados Unidos, aumentando a oferta interna e pressionando os preços pagos ao produtor para baixo. A medida será válida durante a entressafra. 

O setor teme que as indústrias aumentem significativamente seus estoques e no segundo semestre deste ano levem as cotações para baixo. Segundo Loyola, em 2008, o Governo adotou a mesma medida e as cotações do trigo saíram dos R$41 para fechar o ano em R$25, valor abaixo dos custos de produção que eram de R$30. 

O economista destaca ainda que os estoques do cereal são baixos, embora não existam informações sobre os estoques privados. 

Loyola orienta que os produtores que puderem travar seus preços com vendas antecipadas o façam. Assim como devem providenciar Proagro ou seguro agrícola para possíveis perdas com problemas climáticos. 

Safra – De acordo com Loyola, o produtor aumentou neste ano a área de trigo acreditando em políticas agrícolas para o cereal. No início de março, o governo anunciou apoio à comercialização de trigo e aumentou em 5% o preço mínimo. 
Para este ano, o Paraná deverá produzir 2,5 milhões de toneladas de trigo, incremento de 500 mil toneladas em comparação com a safra anterior. 

No entanto, com a abertura para as exportações, o economista acredita que o produtor dependa da garantia de preços mínimos no segundo semestre e diminua a área plantada em todo o Brasil na próxima safra.

No Paraná, a falta de política de renda e a concorrência com outras culturas fez com que a produção de trigo caísse 40% nos últimos 4 anos. 

A produção nacional de trigo não ultrapassa 50% do consumo interno. 

Mercosul – Neste ano, a Argentina restringiu suas exportações de trigo devido à quebra na sua produção. O mercado brasileiro ainda irá receber trigo do Uruguai e Paraguai.  
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