DA REDAÇÃO: Com pequeno aumento de área, safra de trigo do RS deve chegar a 1 milhão de hectares

Trigo: Emater aponta crescimento de 3,85% na área plantada no RS, apesar de geada de 2012 que reduziu disponibilidade de sementes. Ainda assim, incremento poderia ser maior no Estado. Safra apresenta boa liquidez, mas excesso de produto para exportação na Argentina pode afetar negócios brasileiros.
Publicado em 06/06/2013 17:54 | Atualizado em 06/06/2013 19:26

O primeiro levantamento de intenção de plantio de trigo realizado pela Emater/RS aponta um incremento de 3,85% na área a ser cultivada no Rio Grande do Sul, que deve chegar a 1 milhão de hectares. Segundo o assistente técnico estadual de trigo da Emater, Ataídes Jacobsen, o aumento não é uniforme nos municípios, com alguns produtores diminuindo em 50% suas áreas de cultivo, enquanto outros aumentam em 100% o plantio do cereal. 

A discrepância e o crescimento modesto podem ser explicados pela geada do final de setembro de 2012, que dizimou as lavouras em algumas regiões e diminuiu a disponibilidade de sementes de boa qualidade para esta temporada. De acordo com Jacobsen, o crescimento dos últimos três anos tem se apresentado pequeno no estado, mas ainda assim sustentado. “A maior parte das sementes que está sendo utilizada, pelo menos do ponto de vista genético, se enquadra na classe pão e atende às exigências do mercado”, explica. 

Comercialização

Os negócios na última temporada foram realizados de forma tranquila para os produtores gaúchos, com menor oferta do produto e um grande volume destinado às exportações. “A liquidez se apresentou muito bem, diferente do que ocorreu anos atrás”, afirma Jacobsen. 

No entanto, para esta safra o mercado pode se apresentar não tão positivo. De acordo com Jacobsen, a produção Argentina pode chegar a 13 milhões de toneladas, com 7 milhões/t disponíveis para a exportação, volume 2 milhões maior em relação ao disponível para exportações na safra passada. Para o especialista da Emater, o excedente pode prejudicar os preços internos brasileiros e levar o produtor a depender de medidas governamentais de apoio à comercialização.

Por outro lado, no mercado internacional, Jacobsen avalia que o incremento na produção de trigo é relativamente pequeno, enquanto o consumo segue firme. Os estoques de passagem devem aumentar 3,5%, “volume que não seria suficiente para quedas nos preços praticados no mercado internacional”, acredita. 

 

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