DA REDAÇÃO: Ampliação de reserva indígena em Juína (MT) causa preocupação aos agricultores

Na região de Juína (MT), a Funai pretende revisar os limites da reserva Enawenê-Nawê, avançando sobre quatro municípios do noroeste do Estado, incluindo Sapezal. Atualmente, a reserva já ocupa 600 mil hectares, e, se aprovada a nova ampliação, município perderá 1/3 de sua área produtiva.
Publicado em 10/06/2013 14:30 | Atualizado em 10/06/2013 18:12

Em Juína (MT), produtores rurais estão preocupados com as demarcações de terras indígenas na região que, desde a Constituição de 1988, já haviam sido definidas. Porém, segundo os produtores, a Funai já deu início a revisão das terras da tribo Enawenê-Nawê. Hoje a reserva ocupa cerca de 600 mil hectares e atravessa 4 municípios do noroeste do estado.

 No município de Sapezal a tribo tem 100 mil hectares. Rumores de desapropriação de terras produtivas preocupam pecuaristas e agricultores do local. “O município planta cerca de 400 mil hectares e nós vamos perder 30% dessa área produtiva de soja, milho e algodão”, diz o produtor rural, José Guarino Fernandes.

1,6 milhão de hectares, o equivalente a 62% de Juína pertence a 3 etnias. De acordo com o Presidente do Sindicato Rural da cidade, Diago Basílio, uma possível expansão da reserva dos índios Enawenê-Nawê prejudicará a economia dos 40 mil habitantes do município: “A produção de grãos ao invés de expandir, está diminuindo”.

Em Rio Preto, zona rural de Juína, mil famílias vivem da agricultura familiar. Esses produtores se reuniram em uma associação para garantir o direito de permanecer nas áreas, mas afirmam que a Funai local se nega a dialogar ou prestar qualquer tipo de informação.

Nessa região, a aprovação da PEC 215, que passa da Funai para o Congresso a responsabilidade das demarcações de terras indígenas, é esperada como forma de manter a paz entre brancos e índios.

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