DA REDAÇÃO: Mesmo com uma safra de soja cheia nos EUA, oferta não será suficiente para atender demanda
Dia negativo para as cotações de milho, trigo e soja na Bolsa de Chicago. A soja encerrou com o vencimento julho ainda com alguma recuperação, cotado a US$ 15,40/bushel, alta de 0,25 pontos. Agosto caiu 5,5 pontos e setembro 7 pontos. Os vencimentos mais longos tiveram quedas um pouco mais fortes.
O USDA divulgou nesta quarta-feira (12) um novo relatório, com poucas mudanças em relação à safra 2013/14. A produção continua estimada em cerca de 92 milhões de toneladas. A produtividade recuou um pouco, caindo de 50 para 47 sacas por hectares. Os estoques mantiveram o número de 7 milhões de toneladas e o esmagamento se manteve em torno de 46 milhões de toneladas. As exportações continuam em 39,4 milhões de toneladas.
De acordo com Liones Severo, Consultor de Mercado do SIMConsult, os números do relatório do USDA tiveram pouca alteração porque já estão no limite: “O relatório foi altista porque não tinha mais o que agregar. Nós temos uma situação de demanda muito forte e escassez do produto. Não vejo condições, nem com uma safra cheia norte-americana , do mercado ser baixista”.
A produção de 92 milhões de toneladas projetada atualmente ainda pode ser modificada ao longo do desenvolvimento da safra, mas, segundo Liones, não seria suficiente para recuperar o mercado e nem para atender a demanda do próximo ano. “A demanda cresce de 7 a 10 milhões de toneladas por ano e esse é o crescimento da safra dos EUA. Só a China já vai importar esses 10 milhões e não há como suprir o mundo, a não ser que o Brasil produza de 90 a 100 milhões de toneladas na próxima safra”, afirma Liones.
Nesse momento o mercado está em uma tendência altista, tanto para a safra velha, como para a nova, e o produtor brasileiro pode aproveitar também a corrida do dólar, que está remunerando muito bem. No Porto de Rio Grande a soja alcançou R$ 72,70/saca nesta quarta-feira (12). Para Liones, dentro desse espiral de alta fazer vendas parceladas é extremamente conveniente.
Esses bons momentos no mercado, daqui para frente, devem acontecer com frequência. Nos EUA, já agora no mês de junho não há soja e o preço do farelo avançou para US$ 15 por tonelada métrica. Ou seja, isso diz que o mercado não tem mais oferta de farelo, que depende da oferta de soja, também escassa. Portanto nos meses de julho e agosto a tendência da oferta é piorar e os preços deverão alcançar os maiores picos de alta.
Milho: O grão também apresenta boas perspectivas de preço. Nos EUA o milho da safra velha já está escasso e houve uma pequena redução na safra nova até o momento. Os norte-americanos preveem exportar 33 milhões de toneladas. No entanto, Liones afirma que acredita que a safra, com atraso no plantio, deverá perder um pouco no rendimento. Se isso realmente acontecer, os EUA não terá safra para exportar e o Brasil deverá ser um grande fornecedor mundial.
3 comentários
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Liones Severo Porto Alegre - RS
Caro Jonas Mezzono, obrigado pelos seus comentários. Não fosse o USDA maquiar os números no ultimo relatório poderíamos ter alcançado os 16.00 p/bu. Passaremos por um período de observação/consolidação, com boas possibilidades de melhores preços a medida que se agrava a escassez de produto no mercado americano, onde continuam a firmar as bases de farelo de soja, embora algum retrocesso nas cotações de Chicago. Importante notar que estamos trabalhando com preços no nível alto do padrão, o que torna mais difícil um avanço consistente dos preços. abraços
JONAS MEZZOMO Serranópolis do Iguaçu - PR
Boa noite Liones, e para a safra velha oque podemos esperar dos preços até final de julho, irão se sustentar ou a tendência é ainda de alta?
Agradeço pelos excelentes comentários e traduções do mercado que o senhor fez em todas as suas entrevistas, me ajudarão muito para q pudesse vender no melhor momento. Abraços e vida longaLiones Severo Porto Alegre - RS
O ajuste mágico do relatório do USDA na safra velha americana, reduziu a estimativa de vendas para exportação até 31/agosto/2013, de 36,740 milhões de tons de soja para 36,2 milhões de tons mas a vendas atuais já somam 36,655.500t. Jogou esta diferença mais aumento de importação de soja (?), para a industrialização, para acomodar as exportações de farelo de soja que aumentou de 8,98 milhões de tons para 9,44 milhões de tons até 1/setembro/2013, mas já vendeu 9.297,400t. A estimativa inicial o USDA para o farelo era 8,07 milhões de tons. No óleo a estimativa de exportação é de 1,0 milhão de tons, das quais já vendeu 883,500t. Quanto ao milho a estimativa para exportação é de 17.78 milhões de tons, das quais já vendeu 17,464 .600t, todos da safra atual de 2012/13. Quanto as exportações de soja da safra 2013/14 estão estimadas em 39,46 milhões de tons, ou seja, apenas 3,26 milhões de tons superior aos 36,2 milhões de tons desta safra. Isto considerando que a produção da safra nova de soja alcance a projeção máxima de 92.3 milhões tons de soja. Portanto, os Estados Unidos vai colaborar com apenas 3,26 milhões de tons de soja para atender o crescimento da demanda em cerca de 10 milhões de tons de soja, somente pela China. As importações chinesas desse ano foram prejudicadas numa contenção forçada de importação pelos problemas logísticos brasileiros, mas nunca pelo fator preço. NB, os Estados Unidos necessariamente precisa continuar vendendo soja e farelo de soja para seus vizinhos como Canadá, México e alguns países do Caribe e, ainda, para alguns países do norte da África, com quem acordos especiais de financiamento de logo prazo, tudo isto até a entrada da safra nova americana que para a soja e milho é 1/set, mas para os subprodutos (farelo/óleo) até 1/outubro/2012. Será que alguém analisando esses números reais, pode dizer que é baixista para a os preços de safra nova ????