DA REDAÇÃO: Mercado financeiro e dólar derrubam forte os grãos em Chicago nesta quinta-feira (20)
Os futuros da soja, do milho e do trigo fecharam a sessão desta quinta-feira (20) com expressiva baixa na Bolsa de Chicago. A soja chegou a registrar perdas de quase 30 pontos em alguns vencimentos, como o março/14, que terminou o dia valendo US$ 12,83 por bushel, perdendo 28,75 pontos. O contrato julho/13 perdeu o patamar dos US$ 15 e fechou o pregão a US$ 14,97. O milho perdeu entre 9 e 11,75 pontos, e o trigo entre 6,50 e 8,50.
O principal fator de pressão para os preços veio do nervosismo do mercado financeiro, com uma queda generalizada do mercado de commodities. Algumas registraram seus menores patamares em 18 meses. Ao mesmo tempo, com os investidores mais avessos ao risco, o dólar registrou forte alta, o que também é fator negativo para o mercado de commodities.
No Brasil, o dólar subiu 1,7%, fechando a R$ 2,258, maior valor desde abril 2009, quando a divisa norte-americana chegou a R$ 2,281. No acumulado do ano, a alta da moeda já é de 10,25%. O nervosismo do mercado financeiro foi motivado, principalmente, pelo anúncio do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, nesta quarta-feira (19), de que os estímulos à economia dos Estados Unidos podem começar a ser retirados, aos poucos, com o programa podendo terminar em meados de 2014.
Para Daniel D’Avila, analista da Newedge Corretora, o pessimismo do mercado financeiro foi exagerado, uma vez que o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, já havia sinalizado no último mês que reduziria o ritmo dos estímulos monetários ao longo do ano. Assim, os investidores se direcionaram à ativos menos arriscados, como o dólar e commodities agrícolas.
Atuando como um catalisador para as baixas, o mercado internacional de grãos em Chicago ainda sentiu uma pressão negativa vinda também de uma melhora no clima dos EUA e previsões de que as condições para o desenvolvimento das lavouras continue bom, dentro das necessidades das plantações. Segundo D’Avila, a previsão de um clima mais seco e quente, chuvas mais a frente são benéficas para as lavouras americanas, favorecendo assim o bom desenvolvimento das plantas. No entanto, ainda é cedo para confirmar uma safra cheia.
No Brasil, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o milho terminou o dia com boas altas, em reflexo do bom momento do dólar para os brasileiros. Analistas confirmaram no dia vendas de mais de um milhão de toneladas.
E assim o produtor deverá aproveitar o bom momento da moeda para garantir lucros futuros e se proteger de possíveis quedas nos preços internacionais no momento em que os grãos dos EUA comecem a chegar ao mercado, alerta D’Avila.
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