DA REDAÇÃO: Analista desqualifica relatório de plantio do USDA

Grãos: Analista desqualifica primeira estimativa de plantio dos EUA divulgada pelo USDA nesta sexta-feira (28) e acredita em melhores preços para a soja, o milho e o trigo mais a frente.
Publicado em 28/06/2013 19:47

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) atualizou, nesta sexta-feira (28), seus números para a área de plantio e estoques nos Estados Unidos referentes à safra 2013/14. 

Para a soja, a área plantada deverá ser de 31,44 milhões de hectares na safra nova, abaixo das expectativas do mercado de 31,58 milhões de hectares. Ao se confirmar, a área seria 1% maior do que a registrada na temporada anterior (31,24 milhões de toneladas). A área a ser colhida é esperada em 31,12 milhões de hectares, aumento de 1% em relação a 2012. 

Para o milho, o departamento reportou uma área de 39,42 milhões de hectares, contra 38,58 milhões esperados pelo mercado e superior à cultivada no ciclo anterior (39,32 milhões de hectares). A área colhida, sendo assim, seria de 36,07 milhões de hectares, 2% maior do que os 35,36 milhões de hectares de 2012.  

No entanto, na avaliação do consultor de mercado da SIM Consult, Liones Severo, os números são muito precipitados, visto que o USDA acompanhou apenas as duas primeiras semanas de plantio, ou seja, apenas o começo dos trabalhos no campo. Sendo assim, a expectativa se volta para a divulgação do próximo relatório do departamento norte-americano, com números mais realistas sobre a situação da nova safra do país.

E é nisso que Severo acredita: na realidade do presente momento, onde os estoques mundiais de soja estão muito pequenos e a demanda continua muito aquecida, principalmente com sinal de que a China só tende a aumentar suas importações de grãos. Assim, para ele, os preços da soja também tendem a se sustentar acima dos US$ 13,50 por bushel (safra nova), contrariando as estimativas do outros analistas em que o preço internacional ficaria ao redor de US$ 11 por bushel.

Além disso, para Severo, com os estoques mundiais quase nulos, nem mesmo a expectativa de aumento de safra seja nos EUA, seja na América do Sul, poderá recompor completamente a disponibilidade e atender a demanda mundial. Por essa perspectiva, possivelmente a próxima temporada também para o Brasil será de renda para os produtores. 

Quanto a safra velha, para brasileiros que detém estoques da temporada 2012/13, o que favorece bons rendimentos ainda é a puxada do dólar frente ao real. No mercado físico, no porto de Rio Grande, a saca de 60 quilos da oleaginosa já bate R$ 74, podendo subir ainda mais. 

Para o milho, a previsão do consultor não é muito diferente, uma vez que os EUA também estão com os estoques apertados, poderão reduzir ainda mais a área plantada na nova temporada 2013/14, além de cada vez mais destinarem a produção do cereal para a fabricação crescente de etanol e assim acabam reduzindo suas exportações. Sobre esse conjunto, o mercado de milho no Brasil pode ser beneficiado, visto que seria outra fonte de venda para atender o consumo do mundo. A base de preços para o interior do Paraná deve ser, para ele, acima de R$ 24 a saca de 60 quilos. 

Completando a análise do Liones Severo, para o trigo, o panorama também é altista, visto que a produção mundial sofre perdas na qualidade em importantes regiões produtoras por causa da adversidade climática. Como importante componente da ração animal, o cereal pode substituir o milho. 

 

Confira a análise completa do consultor Liones Severo no site da SIM Consult.

Clique aqui e veja os números divulgados pelo USDA nesta sexta-feira (28).  

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7 comentários

  • Luciane Possan Weber guaíra - PR

    Eu também fico como Walter Antoniassi: espero a opínião do sr. Liones Severo, depois de cada relatório, ele é o único que confio e sigo orientações. Recomendo seu livro: Como Lucrar Negociando Soja. Espero que o Notícias Agrícolas tenham sempre um espaço reservado para este mago.

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Prezados Cristhian, Valter, Joao e Adriana, - agradeço as deferências. Minhas análises são frutos da minha experiência, conhecimento e muito trabalho. Vocês merecem meu respeito e admiração. abraços

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  • Adriana Paes Rondonopolis - MT

    Gostaria de agradecer ao Sr. Liones Severo por nos elucidar com suas analises. Concordo plenamente com o Cristhian, Valter, e Joao!!!!

    Vamos reconhecer o Mestre Liones Severo!!!!

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  • João Biermann Tapera - RS

    Também espero que o Canal Rural continue ouvindo o Liones, que aliás é o único que vem aqui neste espaço falar diretamente com os produtores, e compartilha com sua experiência e suas informações valiosas, sem cobrar nada por isso, mais uma vez obrigado ao Liones pelos seus comentários.

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  • Valter Antoniassi Fátima do Sul - MS

    Ok! Concordo plenamente com o CRISTHIAN,graças as informações do Liones Severo estou conseguindo acertar meus fechamentos, ou seja a cada movimento do mercado,cada lorota que o USDA pronuncia,fico atento para saber a versão do "Mago". Como eu acredito que o CANAL RURAL sempre esteve ao lado do produtor brasileiro,penso que não poderá perder este precioso apoio...

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  • Cristhian Chapecó - SC

    Gostaria de agradecer profundamente ao Sr. Liones Severo por nos elucidar com suas análises extremamente coerente e acertadas, sendo o ÚNICO analista e operador que REALMENTE entende do nosso mercado. Por favor NÃO NOS ABANDONE.

    Penso que deveríamos fazer um movimento aqui para que o "Mestre dos Magos" tenha um lugar cativo no Mercado e Cia semanalmente. Quem concorda dá um OK aí.

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Todos concordam que existe uma grande demanda mundial por farelo de soja, basicamente para a formulação de rações para alimentação de planteis e alojamento de aves. Se existe esta expansão pela proteína de soja, é relevante considerar que na formulação de rações o milho compõe as rações 4 vezes mais por 1 de farelo de soja. Posso entender que o milho tem uma grande produção e consumo cativo, mas são 196 países dos quais apenas 5 exportadores de milho a nível mundial. A agricultura da União Europeia é suportada por subsídios, mas existe uma grande discussão para a redução desses subsídios porque problemas econômicos. A vez do milho está chegando com atraso, porque há mais de 10 anos a China iniciou suas atividades no Brasil para garantir o suprimento de milho. Naquela época a China produzia 90 milhões de toneladas e tinha 130 milhões de toneladas de estoque. Atualmente produz cerca de 210 milhões de toneladas e os estoques estão reduzidos a 35 milhões de toneladas. Conclusão, nesses últimos 10 anos, não só mais que dobrou a produção de milho mas também consumiu estoques de cerca de 100 milhões de toneladas. Os Estados Unidos até recentemente exportavam entre 45 e 50 milhões de toneladas e a estimativa para 2013/14 são 33 milhões de toneladas, considerando que terão uma safra normal. Nesse cenário não tem como esperar por preços baixos para o milho...

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