DA REDAÇÃO: FUNAI pressiona produtores rurais em São João do Caru/MA com apoio do Exército e do Ibama por demarcaçõeos de terras
Desde fevereiro deste ano, os produtores rurais de São João do Caru (MA) estão sendo coibidos por funcionários da FUNAI juntamente com o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) e os representantes do Exército que participam da Operação Hileia, a deixarem as suas propriedades. Ao todo são 118 mil hectares reivindicados pela entidade para criação da reserva Awá-Guajá para 33 indígenas.
De acordo com o Presidente da Comissão Permanente em Defesa dos Proprietários e Agricultores, Arnaldo Lacerda, a situação no estado é complicada. “Parte do exército e do IBAMA está sendo direcionada pela Funai para pressionar os proprietários da área em litígio. Já impediram que as máquinas da prefeitura fizessem a terraplanagem das estradas vicinais para o escoamento da safra e com isso, os agricultores não conseguem tirar a produção das propriedades”, ressalta.
Além disso, os representantes das entidades formaram uma barreira na entrada da área requerida impedindo a passagem dos produtores rurais. Diante desse cenário, o presidente destaca que os agricultores, que estão dentro das propriedades, produzem, mas não conseguem de tirar a produção das terras. “A nossa produção está presa no campo por falta de estradas”, sinaliza Lacerda.
Os funcionários da Funai estão andando armados na região com pistolas e coletes para tentar inibir os produtores, conforme relata o presidente. Também como forma de intimidação, alguns funcionários do IBAMA e parte da Operação Hileia atearam fogo nas estacas que estavam dentro da propriedade e serviriam para reformar as cercas e fazer novas divisas de pastagens.
“Foi um ato de irresponsabilidade de tentar nos assombrar e dar exemplo aos outros agricultores da área. Servimos de bode expiatório. Temos 8 projetos dentro da propriedade, estamos legalizados. Mas agora no nosso país nada é legal quando se trata da Funai, que é um órgão irresponsável, que cria a lei, transforma mentiras em verdades e julga seus próprios atos”, afirma Lacerda.
O presidente ainda relata a falta de apoio por parte dos parlamentares do estado. “A governadora do estado, Roseana Sarney, nem sabe que isso existe dentro do Maranhão. A Assembleia Legislativa é composta por 42 deputados, mas somente três falam o restante é mudo. E não adianta falar que não tem o conhecimento da situação, pois realizamos uma audiência pública”, explica.
Frente a essa insegurança, os produtores rurais do município realizaram no último dia 30 de junho uma manifestação pacífica para mostrar a real situação dos agricultores. “Cada produtor expôs o seu sentimento através de faixas. O pessoal está assustado, mas pretende resistir. Tem que resistir, susto maior é perder o que tem e ficar jogado na rua igual aos proprietários da Fazenda Suiá-Missú (MT)”, acredita Lacerda.
Reserva Awá-Guajá – O presidente da Comissão ainda destaca que a criação da reserva é baseada em um laudo antropológico fraudulento e irresponsável. “Tudo teve início depois de uma pesquisa feita pela Companhia Nacional do Vale do Rio Doce e por mineradoras, que pesquisaram bauxita, manganês, gás natural e petróleo na área região. Hoje, 100% das reservas ideológicas do Brasil estão localizadas em cima de recursos naturais”, diz.
Coma a criação da Reserva Awá-Guajá, cerca de 1200 famílias teriam que deixar as suas terras. O impasse atinge 4 grandes povoados, Vitória da Conquista, Povoado Cabeça Fria, Vila Velha e Povoado Caju. A região sobrevive da pequena agricultura e pecuária e a aprovação da reserva também afetaria a economia da região.
“Então o que nos resta, se a reserva for concluída é ficar jogado no meio da rua, já que o governo não paga as nossas terras. Já os índios são uns coitados, cobaias. E depois das demarcações são abandonados pela Funai e para não morrer de fome acabam vendendo madeiras e arrendando as terras. Os indígenas não querem mais terras, mas educação e saúde. No entanto, a entidade quer mantê-los tutelados para usar como cobaias e pegar as terras para entregar às mineradoras”, destaca o presidente.
No link abaixo, confira mais informações na entrevista de Arnaldo Lacerda ao Canal Rural:
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