DA REDAÇÃO: Desde 1995, produtores rurais aguardam homologação de área no MT

Publicado em 09/08/2013 14:08 e atualizado em 09/08/2013 16:32
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Assentamentos no MT são acusados de serem os maiores desmatadores. Agricultores estão sendo multados e passando por dificuldades, e não podem vender suas produções. Desde 1995 as terras de Itanhangá (MT) não são homologadas pelo Incra, o que os impedem de irem aos bancos pedir financiamentos.

De acordo com a base de dados dos institutos especializados, o Ministério Público Federal (MPF) identificou que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) é o maior desmatador da Amazônia. Até 2020, o instituto deve diminuir em 80% os índices de desmatamento.  E daqui a 120, o Incra deverá fornecer a base de dados dos assentamentos ao ministério. 

Por outro lado, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itanhangá (MT), um dos maiores assentamentos do estado, Leciano Pedro da Silva, destaca que desde 1995 a área não foi homologada pelo instituto. Diante desse cenário, os produtores não tem acesso a financiamentos.

“Quando o Incra nos assentou a lei era outra, nossa constituição era outra. Não tinha que preservar 80% da área, então o pessoal foi fazendo as coisas para a sua sobrevivência, já que o órgão nos abandonou aqui sem nenhuma assistência técnica, sem orientação. O Ibama só veio aparecer na região depois de 2008 e multando os agricultores”, relata o presidente. 

Frente a essa situação, os produtores estão sendo multados e muitos já tiveram a propriedade embargada. O presidente ainda sinaliza, que se o órgão tivesse homologado a área o assentamento não apresentaria problemas ambientais agora. “O produtor tem consciência ambiental, sabemos que tem que preservar. É preciso fazer um estudo de impacto ambiental, o pessoal está há muito tempo, não adianta fazer uma lei de reflorestamento que vai matar todo mundo, já que as famílias vão ficar sem terra para trabalhar”, afirma Silva. 

Milho – Na região, os produtores cultivaram a segunda safra de milho. Mas, diferentemente de outras regiões que já estão terminando a colheita da safrinha, muitos produtores do assentamento ainda não colheram a produção, uma vez que não há armazéns na localidade. Os que estão disponíveis cobram em torno de R$ 7,30 a saca do milho. 

Já os agricultores que conseguiram colher estão estocando o produto em silos bag. “Os produtores não conseguiram nem fazer um contrato futuro, já que os armazéns não recebem produção de áreas embargadas. E não vem incentivo por parte do Governo, para poder escoar a produção, as estradas da região são escassas, não há infraestrutura”, diz Silva. 

Por: João Batista Olivi/ Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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