DA REDAÇÃO: Brasil é campeão mundial no uso da água

Publicado em 16/08/2013 13:54 e atualizado em 16/08/2013 17:45
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Água: Áreas irrigadas contribuem para aumentar a produtividade das lavouras no país e, atualmente cerca de 320 milhões de hectares são de terras irrigadas no mundo. Regiões concentradas na Ásia. Seminário que será realizado na próxima terça-feira (20) irá debater o uso da água e os desafios para o agronegócio.

Na próxima terça-feira (20), em São Paulo (SP), acontecerá o Seminário Água e Agricultura – Desafios para o Agronegócio e a Proteção do Capital Natural, que vai tratar sobre o aproveitamento e uso da água.

De acordo com o especialista em agronegócio, Marcos Jank, o ganho de produtividade no Brasil é um dos mais importantes do mundo: “Nas últimas duas décadas, os ganhos totais em produtividade foram de 3,5% ao ano, olhando terra, trabalho e capital, e, grande parte disso, se deve a migração de agricultores para a região Centro-Oeste para ganhar escala em investimento em pesquisas e desenvolvimento, que foram realizados, principalmente, na direção de variedades mais produtivas”.

Nesses últimos anos um dos pontos mais importantes desenvolvidos foi à resistência de vários produtos a condições mais secas e também a produção de mais de uma cultura por ano utilizando a mesma terra, o que faz com que o Brasil seja o campeão global no uso da água.

Atualmente existem 320 milhões de hectares de terras irrigadas no mundo, com uma forte concentração na Ásia, onde no sul e no sudeste estão as principais áreas em que falta água, com destaque para a China, que possui 30% da sua água comprometida pela poluição.

A China tem 54 milhões de hectares terras irrigadas, a Índia tem 63 milhões e os EUA 30 milhões, enquanto o Brasil possui apenas 4,5% das suas lavouras irrigadas. Marcos afirma que o país pode fazer mais com irrigação, mas, felizmente, há muita chuva, possibilitando a produção de duas culturas por ano, como a soja e o milho.

Há 20 anos se produzia 20 milhões de toneladas de milho safrinha em 12 milhões de hectares, enquanto atualmente se produz mais de 80 milhões de toneladas em 7 milhões de hectares porque o milho entra após a soja no mesmo ciclo de chuva e na mesma terra.

Porém, existe uma pressão para as indústrias, principalmente, diminuam o consumo de água e o processo de licenciamento da irrigação será cada vez mais difícil, procurando métodos mais eficientes para as lavouras, o que recai sobre os produtores rurais. “Não há no mundo um país que tenha avançado de forma mais eficiente do que o Brasil no uso dos seus recursos naturais, especialmente nos últimos 20 anos, em função dos ganhos de produtividade, e o país pode alcançar ainda mais”, diz Marcos.

Segundo o especialista em agronegócios, a sociedade brasileira, majoritariamente urbana, desconhece os avanços da agricultura do país e tem uma visão de que a agricultura apenas consome recursos naturais e destroi florestas e rios. No entanto, a agricultura brasileira é altamente conservacionista e o maior exemplo disso é técnica do plantio direto, que permite inclusive economia de água por se manter a cobertura do solo durante todo o ano.

Por isso não se pode ter um efeito punitivo sobre o uso da água, principalmente em regiões que dependem fortemente da irrigação e não tem água, como a China e a Índia, o que causa uma situação dramática. Marcos diz que no Brasil falta apenas gestão, já que o país possui um dos aquíferos mais importantes do mundo, o Aquífero Guarani, o qual possui uma quantidade imensa de água subterrânea que pode ser aproveitada: “A irrigação localizada, que usa menos água, ainda é pouco utilizada no país e pode melhorar se desenvolvendo em muitas regiões”.

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Por: João Batista Olivi e Paula Rocha
Fonte: Notícias Agrícolas

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