DA REDAÇÃO: Clima seco e quente acumula perdas irreversíveis para a soja dos EUA

Publicado em 03/09/2013 18:57 e atualizado em 03/09/2013 19:54
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Soja: Perdas são irreversíveis nas lavouras do Meio-Oeste norte-americano. Clima deve permanecer seco e muito quente nos próximos 15 dias. Milho escapa da fase de risco e pressão de baixa deve se acentuar no início da colheita.

Na volta do feriado prolongado de Dia do Trabalho nos Estados Unidos, a soja terminou seu primeiro pregão da semana em alta na Bolsa de Chicago. O mercado operou durante toda a sessão com bons ganhos e encerrou a terça-feira (03) subindo entre 11,50 e 30,25 pontos nos principais vencimentos. 
A falta de chuvas no Meio-Oeste norte-americano continua sendo o principal fator de alta para os preços da oleaginosa no mercado internacional. Não chove há mais de três semanas na região e as estimativas para a nova dos EUA já começam a ser revistas para baixo. 

Após o encerramento da sessão, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou seu novo relatório de acompanhamento de safra, reduzindo ainda mais o índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições. O número caiu de 58 para 54% em uma semana. As plantações em condições regulares aumentaram de 29 para 31% e, em condições ruins ou muito ruins, o número passou de 13 para 15%. 

No milho, o USDA informou que 56% das lavouras estão em boas ou excelentes condições, contra 59% da semana anterior. Em situação regular estão 28% das planrtações, enquanto na semana passada esse número era de 27%. Em situação ruim ou muito ruim, se encontram 16% das lavouras, frente aos 14% da semana anterior. 

Segundo o consultor de mercado Carlos Cogo, da Consultoria Agroeconômica, a redução na condição das lavouras de soja é reflexo do clima muito seco e das temperaturas altas que persistem nesta fase final do desenvolvimento dos grãos nas vagens. Assim, possivelmente, o próprio USDA deverá reduzir sua estimativa de produção final desta safra norte-americana no relatório de setembro, mas ainda mais no documento de outubro. Analistas mais otimistas acreditam em uma produção total de 85 milhões de toneladas de soja, ante previsões iniciais de 93 milhões de toneladas.

Já no caso do milho, as perdas devem ser mais moderadas, visto que o cereal está prestes a ser colhido, já terminou seu período de desenvolvimento e precisa de sol para receber as colheitadeiras. Este é, portanto, um momento em que os primeiros volumes colhidos entrarão no mercado e pressionarão ainda mais as cotações no mercado internacional, avalia Cogo.

Para os brasileiros, o mercado físico da soja deverá acompanhar as altas já precificadas no curto e longo prazo em Chicago, com espaço para melhores valores pela saca da oleaginosa e avanço na comercialização. Para o milho, o consultor acredita que os preços já chegaram ao fundo do poço e, apesar da pressão baixista na CBOT, os leilões para escoamento através das exportações ajudam a dar fôlego ao mercado nacional. 

 

Por: João Batista Olivi e Juliana Ibanhes
Fonte: Notícias Agrícolas

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