DA REDAÇÃO: Soja – Mercado reflete números do USDA e fecha sessão em alta na CBOT

Publicado em 12/09/2013 13:27 e atualizado em 12/09/2013 16:59
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USDA: Relatório aponta redução na produtividade e nos estoques finais da soja americana. Compradores mundiais irão depender da safra na América do Sul. Para o milho, relatório projeta aumento na produção e nos estoques.

Os futuros da soja fecharam o pregão eletrônico desta quinta-feira (12) em alta na Bolsa de Chicago. As principais posições da commodity exibiram ganhos de mais 20 pontos. O vencimento setembro/13 terminou o dia cotado a US$ 13,96/bushel, com 37,75 pontos de alta.

A alta é reflexo dos números divulgados pelo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O departamento revisou para baixo as projeções da safra nova norte-americana para 85,7 milhões de toneladas, contra 88,59 milhões de toneladas reportadas anteriormente. A redução é decorrente do clima quente e seco que castiga as lavouras do país desde o mês de agosto. 

Do mesmo modo, os estoques finais norte-americanos também foram reduzidos, passando de 5,99 milhões de toneladas para 4,08 milhões de toneladas. O órgão ainda diminuiu as estimativas de produtividade das lavouras de 48,3 sacas por hectare para 46,72 sacas por hectare.

De acordo com o analista de mercado da Novo Rumo Corretora, Mario Mariano, os números referentes à produtividade não surpreenderam o mercado, já que a redução era esperada. Inclusive, nos últimos dias, empresas divulgaram projeções com números ainda menores. 

Paralelo a esse cenário algumas empresas também indicaram a produção brasileira ao redor de 87,5 milhões de toneladas. A safra da Argentina foi projetada em 55 milhões de t. e do Paraguai em 9,5 milhões, Uruguai em 3 milhões de toneladas. Ao todo, a produção da América do Sul deverá totalizar 157 milhões de toneladas, número maior do que registrado na última safra de 117,5 milhões de toneladas. 

“Vamos estar em evidência como exportadores do produto e os preços podem ser maiores, a níveis de prêmios para exportar. Em contrapartida, nos EUA os preços se mantiveram em alta com pesquisas indicando uma produção menor, agora os prêmios internos podem iniciar um processo de baixa”, explica Mariano. 

Somente nos últimos 30 dias, os preços em Chicago aumentaram de US$ 11,60 por bushel para US$ 13,60/bushel, uma alta de 16%. Cenário, que não visão do analista, é vantajoso aos produtores latino americanos, já que essa perda na produção norte-americana em torno de 4% a 5% reflete em um aumento significativo dos preços. 

Entretanto, com maior produção no continente pode acontecer uma recomposição nos estoques e as cotações podem recuar, no momento, da entrega do produto brasileiro. “O Brasil está ganhando um bom momento para realizar as vendas, mesmo com os custos mais altos”, destaca Mariano. 

Além disso, o analista não acredita em uma manutenção da valorização da taxa de câmbio, já que o Governo brasileiro tem tomado medidas para equilibrar a inflação. Entretanto, com as recentes altas em Chicago, o indicador de vendas da produção, especialmente do Centro-Oeste, que estava na ordem de 20% passou para 35%. “O produtor está fazendo a lição de casa, vendendo nas altas”, diz. 

Milho – Os futuros do cereal encerraram a sessão em queda na CBOT. Os principais contratos exibiram perdas de pouco mais de 6 pontos. As cotações futuras também refletiram os dados do departamento, que reportou um aumento na produção norte-americana de 349 milhões de toneladas para 351 milhões de toneladas.

“Com o aumento na produção e nos estoques de passagem, o sentimento é de que a safra dos EUA está salva. E com o início da colheita forte, não traz risco nenhum, portanto, não há a necessidade de colocar prêmio de risco nos preços do cereal”, acredita o analista. 

Por: João Batista Olivi/Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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