DA REDAÇÃO: Pressões do mercado devem manter preços voláteis para o café arábica
Os preços do café arábica, que já ficaram acima dos US$ 2,10 / libra-peso este ano, na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US), têm registrados consecutivas quedas e se mantêm no patamar patamar dos US$ 1,80 nas últimas semanas.
Para o pesquisador do IEA (Instituto de Economia Agrícola), Celso Luis Vegro, o cafeicultor deve ter em mente que o mercado deve se manter volátil e ficar atento para aproveitar as oportunidades. “O mercado está volátil, não podemos deixar isso de lado jamais. Existe pressão vinda do lado altista e pressão com a mesma força vindo do lado baixista. Tem traders estimando a safra brasileira com 60 milhões (de sacas) e a Conab estimando 44 milhões”.
Vegro confirma que, por conta da estiagem prolongada, a safra 2014/15 está bastante comprometida em termos de volume e qualidade. “Assim como na próxima (safra), o produtor deve enfrentar problemas de rentabilidade... Mas com uma boa gestão, ele vai conseguir margens para este ano e para o ano que vem, com relativa segurança”. O pesquisador afirma ainda que, além de água, as plantas precisam também de outros fatores que não foram adequadamente supridos, como a nutrição mineral.
Preços moderados
O pesquisador do IEA defende que os preços nos patamares atuais ainda remuneram os cafeicultores e impedem, ao mesmo tempo, a entrada de novos concorrentes no mercado. “Na cafeicultura brasileira, não devemos ficar muito alavancados com preços e nem muito deprimidos... O ideal é circular entre R$ 350,00, R$ 400,00 a R$ 420,00, que são preços que já conseguem dar um relativo conforto para quem tem uma gestão controlada do negócio, e ao mesmo tempo não estimula a concorrência a plantar”.
Vegro explica que o fator mais positivo para os preços este ano foi a não produção de mudas, que teria elevado a produção e a concorrência. “Os viveiristas não se programaram para fazer mudas, pois os preços vieram ruins até dezembro, não prepararam viveiros, não encomendaram sementes, não tem muda no mercado para plantar. Não vamos ter um efeito manada nesta altura do campeonato, diferente de 2011, quando a alta veio em agosto e setembro e deu tempo para os viveiristas produzirem mudas, e aí houve um plantio desenfreado, em larga escala”.
3 comentários
SugarCane Global Summit debate desafios e caminhos para o futuro do setor sucroenergético
Pecuaristas encerram a semana reduzindo oferta de animais em SP; Grão , farelo e óleo de soja têm dia de queda em Chicago
Terceira geração de família de agricultores deixa raízes no RS e parte para abrir terras em Juína, no Mato Grosso
Campeão do “Melhor História de um Agricultor” quis que sua história fosse exemplo para outras pessoas
Finalista do “Melhor História de um Agricultor” destaca honra e responsabilidade de contar história da família
victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG
Nos EEUU é assim: Sai uma notícia de que vai haver falta de determinado produto, no outro dia todo mundo sai em busca deste produto...A gasolina vai subir, no outro dia estão os postos todos com preços aumentados...Nunca ví uma sociedade mais controlada pela informação...Acho que daí vem estes tipos de notícias desencontradas,obviamente com interesses especutativos, porque aqui no Brasil a sociedade é bem "mineira", quer dizer, desconfiada...Este choque de informações é típico de um mercado que está em vias de disparar em alta...Quem tiver um bom dicernimento e não for cangado com os dados tipicamente oportunistas, vai ganhar muito este ano no mercado cafeeiro...
Jonas Torres Alfenas - MG
Nenhum trader estima a safra em 60 milhões de sacas!!! Essa informação faz parte do passado...A diferença existe, mas não de 16 milhões. Se falarmos em arábica, USDA e Conab foram até parecidas.
João Carlos de Carvalho Ribeirão Preto - SP
Sou João Carlos de Carvalho mestre em economia pela USP. Não pesquiso na área agrícola, minhas pesquisas são sobre avaliação de políticas públicas, no entanto, penso que existe algo muito errado com estimativas da safra de café. Como econometrista, mesmo usando técnicas distintas de estimação da safra, penso que os valores das estimativas devem ser parecidas. A diferença entre as estimativas de traders e da Conab é de 16 milhões de sacas, o que é um valor muito alto. Conab ou/e traders podem estar errando muito nas estimativas. Penso o pior, que algum grupo pode estar superestimando ou subestimando a safra para atingir o seu próprio interesse. A especulação no mercado traz incerteza e prejudica as pessoas com menos informações, neste caso os pequenos produtores. As estimativas feitas por diferentes instituições, mesmo que utilizem diferentes técnicas de estimação, não podem diferir tanto. Volto a dizer, não sou pesquisador da área agrícola, mas algo muito errado pode estar acontecendo.