DA REDAÇÃO: Liberação da importação do trigo prejudica produtores brasileiros

Publicado em 11/06/2014 19:10 e atualizado em 12/06/2014 13:34 522 exibições
Trigo: Farsul aponta políticas equivocadas do governo na sustentação da produção brasileira. Além do preço mínimo não ter sido majorado pelo governo, produtores vêem com desconfiança a pressão dos moinhos para liberar a PEC de importação de trigo do exterior. Caso isso aconteça, a comercialização do trigo brasileiro ficará, mais uma vez, sem negócios – como acontece neste momento no RS.

A medida do Governo Federal que reduz as taxas de importação do trigo produzido fora do país, durante o início da comercialização do grão brasileiro, tem causado enormes prejuízos para os produtores nacionais. Nesta quarta-feira (11), dia do relatório do USDA, o produto chegou a ter quedas de mais de dois dígitos na CBOT, em Chicago. No Canadá e na Rússia, o resultado foi ainda pior.

A Farsul se reuniu nesta quarta-feira (11) com o secretário de Políticas Econômicas do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Seneri Paludo, para pedir esclarecimentos sobre o preço mínimo do trigo, que não sofreu aumento além do reajuste inflacionário, e também sobre a TEC. Em pronunciamento realizado no início da tarde, o ministro Neri Geller afirmou que a implantação da medida aconteceu em virtude da pressão dos moinhos brasileiros.

Segundo Carlos Sperotto, presidente da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), somente no estado foram produzidas 3,2 milhões de toneladas do produto nesta safra, que foram qualificados pela Embrapa como de alta qualidade para ambos os destinos: panificação ou produção de massas e biscoitos. “O produtor rural precisa ter a oportunidade de comercializar esse produto”, declarou Sporotto. “Nós fomos atropelados por uma atitude totalmente inadequada e inoportuna, quando paralelo à nossa safra - quando estávamos preparados para iniciar a comercialização - se jogam nada mais do que 3,2 milhões de trigo internado, com liberação da tarifa externa comum para comercialização simultânea à nossa”, explicou.

No momento em que a TEC foi implantada, o trigo era comercializado entre R$ 850 e R$ 900 a tonelada, caindo a partir disso ao patamar de R$ 570. “Isso aí trouxe aos gaúchos e ao trigo produzido no Rio Grande do Sul um prejuízo que está sendo contabilizado com dificuldade, independentemente dos prejuízos de preço, devido à inexistência de interesse comercial. Estamos hoje com 850 mil toneladas disponíveis”, informou o presidente da Farsul.

Para Sperotto, a importação deveria acontecer somente após o produto nacional ter sido comercializado. “Sempre no aguardo de produtos de fora, ficamos com esse estoque de produtos que dificilmente conseguiremos segurar até dezembro. Acreditamos que essa posição de autorização de entrada precise ser revista”, afirmou.

Outro pleito que deixou de ser atendido e que é dado como encerrado pelas entidades governamentais é a elevação do preço do produto. “Nos sentimos muito confortáveis no sentido de defender a necessidade de revisão ante os elementos que estamos dispostos a levar ao próprio governo”, falou o presidente.

Por:
João Batista Olivi // Fernando Pratti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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